Fique por dentro do mundo da economia!


CADASTRE-SE AQUI

A novela da reforma da previdência brasileira

tags Intermediário

O caso da reforma da previdência no Brasil se assemelha muito com o enredo de uma novela, com pitadas de drama e suspense. Embora conhecido, o assunto desapareceu nos debates políticos e nas declarações públicas dos principais candidatos à presidência, tendo em vista o caráter extremamente antipopular da medida. Se o resultado do pleito presidencial era imprevisível no começo da corrida eleitoral, no final o ganhador teria que lidar com a bomba previdenciária já em 2019.

O enredo da novela é conhecido por praticamente todas as pessoas, com mais ou menos detalhes. Gastamos o equivalente a 13% do PIB com despesas previdenciárias e temos uma população relativamente jovem (hoje há 8 pessoas na ativa / trabalhando para 1 aposentada). O Japão, que tem apenas 2 pessoas na ativa para 1 aposentada, gasta pouco mais de 10% do PIB com essas despesas. Com esse gasto elevado e as receitas subindo em velocidade inferior, o Brasil tem observado o déficit explodir, saindo da casa R$22 bi em 2002, R$78 bi em 2009 e alcançando preocupantes R$258 bi em 2016.

A proposta atual para a reforma da previdência foi apresentada pelo governo Temer, que conta com baixa aprovação e sofreu ao longo desse curto período com a falta de legitimidade e denúncias de corrupção. Grosso modo, a proposta trazida pela equipe de Temer criaria uma idade mínima para aposentadoria (hoje não há esse mínimo; basta contribuir por 35 anos ou mais para se aposentar) e buscaria igualar a previdência pública com a privada. Emendas foram feitas ao texto original e a proposta foi sendo escanteada devido à proximidade eleitoral.

Quem em sã consciência defenderia uma reforma impopular quando precisava de votos para a reeleição no executivo ou legislativo? A política falou mais alto e a novela foi prorrogada por mais alguns meses.

Agora com novos personagens, a novela da reforma da previdência tem novos capítulos que misturam confusão com alívio. O governo eleito mostra que esse assunto será tratado como prioridade, mas dá sinais contraditórios por meio de seus interlocutores. O presidente eleito disse no final de novembro que “não podemos querer salvar o Brasil matando idoso”. Dias antes, o filho de Bolsonaro, Eduardo, disse que “governo talvez não consiga aprovar reforma da Previdência”. Apesar desses sinais, a equipe econômica prossegue trabalhando em uma proposta a ser apresentada ao Congresso em 2019. A palavra de ordem do momento é ‘fatiar’ a proposta, com o objetivo de facilitar a aprovação ao longo do ano. Há quem defenda, ainda, a transição da previdência brasileira para um regime de capitalização, aos moldes do que ocorre no Chile, abandonando aos poucos o sistema de repartição, que vigora atualmente.

A novela da previdência brasileira se arrasta há anos e, por linhas tortas, se aproxima de seu desfecho. O protagonista – que substitui um ator criticado por todos os lados – agora enfrenta o dilema entre as forças políticas e econômicas que envolvem uma ampla reforma estrutural, como é o caso.

Infelizmente, não há como esperar mais, senão há o risco de a novela terminar por falta de atores.

 

Terraco Econômico Terraco Econômico

Parceiro Guide

Hoje o maior blog independente de economia do Brasil, foi criado por 4 amigos em 2014, o motivo? Fornecer análises claras e independentes sobre economia e finanças, sempre com a missão de informar o leitor.

237 visualizações

relacionados

Bitnami