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O mercado financeiro, principalmente nos Estados Unidos, sofreu uma profunda mudança de paradigma cujo marco histórico foi o fim da Guerra Fria. Claro, trata-se de um processo. Ainda assim, conforme nos mostra o documentário Quants: the alchemists of Wall Street, o que veio a seguir foi revolucionário. Hoje, graças aos avanços da tecnologia, estamos nos aproximando de uma nova era nas finanças.

O exemplo mais notório dessa mudança de paradigma é o fundo Renaissance — capitaneado pelo emblemático Jim Simons. Grosso modo, o fim da Guerra Fria implicou o desemprego para matemáticos, físicos e outros profissionais com alta capacidade quantitativa. Em busca de um novo ganha pão, muitos deles encontraram no mercado financeiro uma nova casa, substituta das organizações militares altamente sigilosas dos EUA.

Daí surgem inúmeras buzzwords e histórias memoráveis. HFT ou, especificamente, high frequency trading, que nada mais é do que algoritmos negociando ativos financeiros numa margem de milisegundos. Isso é, fazendo dinheiro com arbitragem numa escala e dimensão antes impossível para um mero ser humano. Naturalmente, temos alguns problemas. Algumas lendas do mercado financeiro apontam para movimentos súbitos e, em princípio, inexplicáveis sendo causados pelos algoritmos.

Há também a sempre contada história da aquisição de servidores (computadores) que estejam fisicamente o mais próximo possível dos servidores da bolsa apenas para cortar frações minúsculas de tempo na comunicação do algoritmo e conferir vantagem à arbitragem.

Hoje, ainda mais um mundo de taxas de juros próximas de zero e preços de ativos financeiros, consequentemente, inflados, há quem diga que estamos numa nova normal.

É claro, uma situação na qual os bancos centrais se tornaram reféns do próprio instrumento de política monetária — taxa de juros — e, em última instância, dos humores políticos alheios (caso dos EUA).

Com a necessidade de balizar expectativas, a comunicação e a repercussão dela se torna um fator cada vez mais relevante nas finanças. Hoje, aquilo que se chama de natural language processing pode transformar dados públicos em informações privadas. Estamos falando da capacidade dos computadores compreenderem a linguagem humana ou até mesmo replicá-la para vasculhar altíssimos volumes de artigos produzidos pela mídia financeira, por exemplo, e ver quais as narrativas mais populares entre os agentes do mercado.

Compreende-se que esse tipo de aplicação tecnológica às finanças é muito mais um complemento do que uma estratégia-mor para investir ou especular. Contudo, conforme avançamos no tema, deixaremos de quantificar preços para quantificar emoções (e ganhar muito dinheiro com isso).

 

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