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A nota soberana e você

A agência de rating de crédito Standard & Poor’s acaba de revisar a perspectiva da nota soberana do país de BB neutro para BB positivo. Isso significa que, dentro de um período de 12 meses, a agência pode efetivamente elevar a nota soberana brasileira para BB+, o que colocaria o país a um degrau do grau de investimento.

Mas qual é a importância dessa sopa de letras para o Brasil e seus cidadãos? Em termos objetivos, a nota BB reflete um risco moderado quando a capacidade e disposição do governo brasileiro de honrar suas dívidas a vencer em 5 anos contraídas no exterior. Além disso, caso a agência realmente eleve a nota de crédito do governo brasileiro, tal como a nova perspectiva sugere, essa percepção de risco será ainda menor.

Como bem sabemos, quanto menor o risco de crédito, menor o custo do dinheiro. Assim, dado a importância da nota de crédito como sinalizador desse risco, é de se esperar que o custo dos empréstimos, em dólares, contribuídos pelo o governo brasileiro, diminua a contento. De fato, tão logo o referido anúncio ocorreu, os investidores imediatamente re-precificaram a dívida soberana brasileira no mercado global mediante juros mais baixos no mercado secundário, já antevendo o movimento futuro da referida agência. Além disso, através de um esperado movimento de arbitragem, os custos em Reais da dívida pública caíram proporcionalmente.

E nós, cidadãos, como ficamos?

Hora, os custos dos empréstimos contraídos pelos bancos locais estão umbilicalmente ligados aos soberanos. De fato, toda vez que uma importante agência de risco altera sua percepção do risco soberano, ela em seguida altera a nota de crédito dos bancos locais. Portanto, crédito mais barato para o governo brasileiro, em geral implica em crédito mais barato para os bancos, e, tal como historicamente comprovado, esses bancos podem finalmente reduzir o custo do crédito aos seus clientes, isto é, a nós cidadãos brasileiros.

Cabe ressaltar a relevância do grau de investimento nesse jogo. Enquanto que, para as demais notas os agentes podem se adiantar, as agências de riscos – tão logo fique claro a eventual elevação da nota soberana dos país -, detonando a movimentação descrita acima, o mesmo não ocorre necessariamente no caso do grau de investimento. De fato, vários investidores institucionais são estatuariamente proibidos de investir em títulos abaixo dessa nota, sendo os fundos de pensão estrangeiros o caso mais exemplar. Assim, não raro o custo da dívida soberana cai sensivelmente após o anuncio do grau de investimento, uma vez que nem todos os agentes podem se adiantar a tal evento, levam também a uma significativa re-precificação no mercado doméstico.

Em resumo, a trilha até o grau de investimento não é trivial e envolve um exercício fiscal considerável de acerto das contas públicas. Mas, certamente, é um caminho válido a seguir, uma vez que os impactos sobre a vida financeira dos brasileiros podem ser consideráveis. Enfim, um caso claro onde os benefícios ultrapassam os custos.

João Maurício Rosal João Maurício Rosal

Economista-chefe Guide Investimentos

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