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A máxima histórica da bolsa é tão máxima assim?

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A bolsa brasileira ultrapassou sua máxima histórica na semana passada, superando a mágica marca de 74.000 pontos, que não era batida desde de meados de 2008. E continua ali, rondando o limiar dos 74 mil pontos.

 

Esse não é um recorde absoluto, muito cuidado com as manchetes sensacionalistas que a mídia vem vinculando, pois a bolsa está longe da sua máxima quando usamos a régua certa para medir.

Um copo meio cheio ou um copo meio vazio?

A bolsa está na máxima nominal, ou seja, sem descontar inflação ou efeitos cambiais.

Transformando o índice Ibovespa para dólares, descobrimos que ainda estamos muito distantes da máxima de 2008, quando atingimos os 45.000 pontos. Hoje estamos na casa dos 23.839 pontos, ou seja, 47% abaixo do máximo em dólares.

Com a desvalorização do câmbio em relação a 2008, quando o dólar estava entre RS$1,80 e RS$2,00, as ações brasileiras ficaram mais baratas, se mensuradas com base na moeda estrangeira. O gráfico abaixo mostra o abismo a ser escalado para se bater o recorde do Ibovespa, levando esta conversão em consideração:

Obviamente o câmbio pode distorcer a comparação, pois diversos fatores contribuem para a formação do preço do câmbio, então podemos usar uma outra régua, como a inflação, por exemplo, e ver como o índice se comporta quando corrigimos os preços das ações com o acumulado entre 2008 e hoje.

É importante fazer tal análise, pois entre 2008 e 2016 o Brasil conviveu com uma inflação sistematicamente acima da meta do Banco Central, exceto em 2009 que a inflação ficou levemente abaixo da meta. Entre 2011 e 2016 a inflação ficou próxima do limite da meta e até mesmo acima, como foi em 2015.

Assim como o dinheiro perde poder de compra por causa da inflação, o mesmo acontece com o valor das ações. Por isso, precisamos corrigir o valor das ações pela inflação do período que estamos analisando.

Entre 2008 e 2016, a inflação medida pelo IPCA acumulou uma alta de 57%, um número extremamente elevado para padrões internacionais.

Quando corrigimos os 74.000 pontos de hoje pela inflação entre 2008 e 2017, descobrimos que estamos na verdade em 39.000 pontos, praticamente os mesmos 47% de diferença do topo em dólar, como mostra o próximo gráfico:

Ou seja, na média ainda existe uma diferença de 47% do topo histórico de 2008 para o de hoje. O que significa que o topo não é tão topo assim…

Podemos fazer uma última comparação com o CDI, a régua que serve como referência para as aplicações em renda fixa.

Se você tivesse aplicado R$ 100 na bolsa, logo no pico de 2008 e deixado este valor aplicado até hoje, você teria R$120,00, um ganho bruto de 20%. Se levarmos em consideração a inflação de 57% então nem se fala, você perdeu dinheiro com certeza. Por outro lado, um mesmo investimento de R$100,00 em um fundo de renda fixa, que remunera com base do CDI, resultaria hoje um acumulado de R$280,00. Um ganho de 180%, que supera por ampla margem a inflação do período.

A bolsa perdeu feio pra renda fixa entre 2008 e 2016. Os motivos são a desaceleração da economia e os desarranjos econômicos criados pela gestão Lula 2 e Dilma Rousseff 1 e 2.

O último gráfico mostra todas as nossas “réguas” juntas, a bolsa em dólar, descontada inflação nominal e o retorno do CDI no período.

 

 


VICTOR CÂNDIDO
Editor Terraço Econômico para Guide Investimentos.

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