A crise dos refugiados na Venezuela

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A situação da Venezuela é caótica, estarrecedora e muito cara a nós brasileiros. Somos vizinhos do país que sofre com uma ditadura de um maluco que faz de tudo para se manter no poder, mesmo que isso signifique matar seu povo de fome e passar o comando de fato do país a militares, para que não seja derrubado por eles. A Venezuela não existe mais; é apenas um território demarcado em um mapa e um bando de milhões famintos (boa parte delas, crianças). A temperatura está em níveis insuportáveis política e socialmente por lá, e a nossa ternura em uma complicada baixa extrema.

Enquanto isso, dezenas de milhares de Venezuelanos migram para o Brasil (não apenas para cá, mas também para Colômbia, Peru e Equador). São muitos e a maioria entra pela pacata e pobre cidadezinha de Pacaraima, ao norte de Roraima. Foi lá que começou o primeiro embate sério e violento entre brasileiros e venezuelanos. A tentativa de assalto por parte de imigrantes contra um comerciante, foi o gatilho. Moradores da cidade ficaram ensandecidos e decidiram atacar venezuelanos acampados pela cidade. Em poucos minutos a cidade se tornou um campo de guerra xenofóbica.

Alguns brasileiros mais inflamados dizem para os Venezuelanos voltarem para seu país, mas, infelizmente, fato é que não existe mais para onde voltar.

Para se ter uma ideia, a grande riqueza nacional (o petróleo) teve sua produção reduzida em mais de 70%, pois a empresa estatal PDVSA parou de investir na extração e produção de petróleo. Além de estar paupérrima, a Venezuela não consegue mais produzir riqueza alguma. Está afundada em sua própria pobreza.

O país nunca conseguiu produzir tudo que consome de alimentos, logo depende de produtos importados do Brasil e demais vizinhos. Porém, a moeda Venezuela não vale mais nada. Se sua moeda não vale mais nada em dólar, é questão de lógica que você não conseguirá mais comercializar. A fome de moeda se traduz em fome real, a simples e pura dor na barriga vazia de milhões.

Frente a isso, o Brasil deve primeiramente receber os pobres venezuelanos. É da nossa natureza. Basta lembrar, apenas para citar um exemplo, da grande chegada de japoneses no começo do século XX. Todos vieram fugindo da fome e guerra, todos em busca de dias melhores. Chegaram em um momento que o Brasil era infinitamente mais pobre que hoje.

A sociedade brasileira apoiou governos que deliberadamente apoiaram o regime chavista ao norte da fronteira. Não só o Brasil, mas os demais vizinhos e também os Estados Unidos, que continuaram comprando fartamente o petróleo Venezuelano, mesmo após os diversos indícios de que Maduro faria qualquer coisa para se prender ao poder.

Fato é que não adianta querer fechar a fronteira. Até porque é impossível, a área é de floresta densa e de controle complexo. Se os Venezuelanos não entrarem pelos postos oficiais da aduana, eles vão entrar por outras passagens.

Agora é preciso um plano para lidar com essas pessoas. Deixá-las em Roraima não é viável. Roraima já é um dos estados mais pobres do Brasil, com serviços públicos que deixam a desejar e agora ainda mais estressados pela enorme demanda daqueles que estão doentes e sem teto algum.

O Governo Brasileiro deve pensar num amplo plano, que envolva o reforço aos serviços públicos de Roraima, oferecidos aos Venezuelanos, bem como planos de segurança amplos que envolvam a força Nacional, exército, polícia federal e local. Roraima simplesmente não tem a menor condição de lidar com essa situação sozinha. Aparentemente só o exército tem lidado com a situação, inclusive com a montagem de um posto de saúde e um hospital de campanha na fronteira em Pacaraima.

O Brasil e os brasileiros não podem fechar a porta para aqueles que mais precisam. É preciso o mínimo de humanidade com aqueles que estão quase desistindo da humanidade.

Os Venezuelanos não possuem mais o básico, uma nação. Isso, por enquanto, nós brasileiros temos a oferecer. É preciso o mínimo de compaixão.

 

 

 

 

 

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