A caderneta de poupança continua numa boa…

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A aplicação ‘queridinha’ de nós brasileiros sofreu um forte revés no mês de outubro de 2018. A caderneta de poupança teve retiradas superiores às aplicações no mês passado, com uma diferença de R$2,5 bi em favor das retiradas. Desde fevereiro de 2018 que as retiradas não superavam as aplicações no investimento tido como mais seguro dos poupadores. Mas se olharmos a evolução do saldo e captação líquida da caderneta de poupança desde 2015, qual é a história que os dados nos contam?

Primeiramente, é importante relembrar a regra de rendimento dos valores aplicados. Pela legislação atual, o rendimento da poupança é calculado pela soma da Taxa Referencial (TR), definida pelo Banco Central (BCB), mais 0,5% ao mês, sempre que a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano. Quando a Selic é igual ou inferior a 8,5% ao ano (que é o caso atual, que perdura desde 06/09/2017), a remuneração da poupança passa a ser a soma da TR com 70% da Selic. Atualmente a Selic está em 6,5% ao ano, e a TR está zerada no acumulado do ano. Dessa forma, o valor médio de rendimento das cadernetas está em 4,55% ao ano, e a inflação (IPCA) está prevista em 4,4%. Dessa forma, o rendimento real é baixíssimo, de 0,14% ao ano ou 0,012% ao mês.

Mas então por qual motivo há tanta gente que deixa suas economias na poupança? Vejamos o gráfico a seguir, que mostra a evolução do saldo e captação líquida das cadernetas de poupança desde janeiro de 2015 até o dado mais atual, outubro de 2018:

 

No período compreendido no gráfico, a soma de todos os saldos das poupanças em todo o Brasil passou de R$660 bi para R$776bi, um aumento de 17,4%. Acontece que também nesse período a taxa SELIC, que pode servir de base de cálculo para a remuneração da caderneta enfrentou uma verdadeira montanha russa, passando de 12,25% no começo de 2015 para 14,25% em julho do mesmo ano, ficou nesse patamar até a metade do ano seguinte, e desde então caiu vertiginosamente, chegando ao menor valor da série histórica, que é de 6,5% ao ano.

Outro fator interessante do gráfico é a sazonalidade dos depósitos e saques ao longo do ano: em janeiro, por exemplo, há sempre mais retiradas do que aplicações, que pode estar relacionado com o pagamento de tributos e impostos que incidem em janeiro, além de reajustes de contratos (como aluguéis, plano de saúde e mensalidades escolares).

Voltando a pergunta inicial: se o rendimento é tão baixo, porque há tanta gente que deixa seu dinheirinho suado na caderneta de poupança? Sinceramente, há poucos motivos racionais para tal fato, pois há uma infinidade de alternativas de investimento de mesmo risco disponíveis para o grande público. Contudo, há sim algumas hipóteses que rondam o imaginário comum para explicar a altíssima quantidade de recursos alocadas na caderneta de poupança: (i) facilidade do investimento, via conta poupança; (ii) isenção de imposto de renda e; (iii) desconhecimento de alternativas de investimento e falta de interesse.

A verdade é que a poupança atrai milhões de brasileiros há muitos anos pela sua simplicidade e segurança. Eventos traumáticos como o confisco em 1990 não foram suficientes para acabar com a confiança dos brasileiros no investimento prático e seguro das cadernetas.

Afinal, o tempo passa, o tempo voa, e a poupança continua numa boa….

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