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A aula de economia dos apps de celular

A gente mal percebe no nosso cotidiano bastante atribulado, mas passamos muitas horas por dia olhando para a tela de nossos celulares. Nós, brasileiros, passamos mais de três horas por dia usando o celular em 2018, colocando-nos em 5º lugar no ranking global de tempo despendido com esse aparelho. Não à toa, a Organização Mundial da Saúde (OMC) começou a considerar o uso excessivo do celular como uma das causas para o aumento dos casos de depressão no mundo, principalmente entre os mais jovens.

Apesar do aumento das preocupações com esse vício nas telinhas dos aparelhos, o fato é que utilizamos uma infinidade de aplicativos (ou apps), que são de diversos segmentos: de conversas instantâneas, bancos, locomoção urbana, música e vídeo, aluguel de apartamentos e muitos outros.

O que muitas vezes passa despercebido é a aula de economia diária que esses apps dão. Vejamos o caso clássico, que é a dos carros particulares (Uber, 99 e Cabify). Você que já usou esses apps sabe muito bem que em dias de chuva o preço da corrida sobe bastante. E o motivo é muito simples: mais gente está demandando o serviço e a oferta de carros está constante. O resultado disso é um aumento momentâneo do preço, fazendo com que as corridas fiquem mais caras. O fator preço acaba reduzindo momentaneamente a demanda, e o preço volta ao equilíbrio no momento posterior, embora haja gente que prefira pagar mais caro para não se molhar ao chegar no seu compromisso. Ou seja, a demanda desse cliente para esse serviço é bastante inelástica. Sorte do motorista, que usufrui desse excedente do consumidor a seu proveito.

A descrição deste caso não traz nada de novo; na realidade, o aspecto fantástico dos apps foi traduzir essa lógica econômica em um resultado instantâneo, mostrado em segundos na tela do celular. Isso só foi possível graças a avanços significativos no armazenamento e processamento de dados. Antes desses apps de mobilidade urbana, os táxis não traduziam muito bem essa oscilação natural do preço, e o resultado disso é que oferta e demanda dificilmente encontravam o equilíbrio, tornando o mercado ineficiente. Afinal, Bandeira 1 e 2 (e a 3, acredite se quiser) não refletem bem a lógica da oferta e demanda desse segmento.

Outro caso elucidativo da lógica econômica por trás dos apps é a de locação de imóveis, como é o caso do Airbnb. De um lado, apartamentos e casas para locação; de outro, pessoas que querem alugar espaços para ficar com amigos e família. Em períodos de temporada, como em feriados, o preço sobe consideravelmente, pois a oferta é praticamente fixa, mas a demanda aumenta nessa época. Em baixa temporada, os preços caem e, dependendo da demanda, os valores podem cair ainda mais. Muita gente que não estava disposta a pagar pelos valores oferecidos pelos hotéis – aliás, você já experimentou negociar o preço da diária no balcão do hotel? – aceita pagar o valor da negociação direta com o locador, normalmente menor do que a dos hotéis.

Também no ramo imobiliário, o Quinto Andar, marketplace de imóveis para aluguel nas grandes cidades, tem usado muita informação armazenada nas buscas em seu site para potencializar os aluguéis, e, com isso, ganhar mais dinheiro. O app tem oferecido a opção de reformar alguns apartamentos / casas com boa localização (com base nas pesquisas feitas pelos usuários) e com isso conseguir locar o imóvel com mais rapidez. Eles sabem muito bem, assim como os corretores de imóveis tradicionais, que imóvel vazio é custo. Quanto menos tempo esse imóvel ficar vazio, melhor para o intermediário (corretor ou app) e para o dono da propriedade, em uma clara relação ganha-ganha.

De novo: esses apps não inventaram nada de novo no que se refere a lógica econômica na qual estão baseadas as relações humanas. Na verdade, os resultados das ações dos agentes econômicos foram descritos há muitos séculos atrás em Adam Smith e Jean-Baptiste Say nos anos 1800, por exemplo. Afinal, não é da benevolência do motorista de Uber ou da pessoa que tem um imóvel para alugar no Airbnb que esperamos a prestação de um serviço, mas da consideração que eles têm pelos próprios interesses.

Essa última frase é uma adaptação (com trechos alterados em negrito, obviamente) de “Riqueza das Nações” de Adam Smith, cujo trecho original está disponível aqui.

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