2018 o ano da volta da inflação?

tags Iniciante

 No começo da semana saiu o dado da inflação de dezembro do ano passado, logo ficou claro o desempenho da inflação em 2017, foi uma das mais baixas da história econômica brasileira, além de ser a primeira que conseguiu a proeza de ficar abaixo do piso da meta do regime de metas para inflação. Baixa o suficiente para que acontecesse o indédito episódio de o presidente do banco central ter de explicar em carta para o ministro da fazenda, os motivos da baixíssima inflação.

O gráfico abaixo mostra o recente histórico da nossa inflação, medida pelo IPCA, após quase encostar no teto da meta em 2016, sem falar no monumental estouro em 2015, 2017 foi realmente um ano excelente.

Mas o desempenho dos preços em 2017 suscita a seguinte questão: Como será a inflação de 2018?

A segunda é a própria crise, que deixou enorme capacidade ociosa disponível nos mais variados mercados da economia (trabalho e capital principalmente), no jargão dos economistas a crise aumentou o hiato do produto, isto é a diferença entre o quanto o país cresce e o quanto ele poderia crescer sem pressões inflacionárias.

Por último a sorte, digo a meteorologia, tabelou brilhantemente com a inflação, 2017, tivemos safras recordes e os alimentos no acumulado do ano sofreram expressiva deflação.

Da segunda metade em diante do ano, aconteceram diversos aumentos, principalmente nos combustiveis que pressionou o grupo de transportes, na derivada dos combustíveis em algumas capitais o preço das passagens de ônibus sofreram reajustes na casa dos dois dígitos (em Brasília a tarifa foi reajusta em assustadores 25%), sem falar dos reajustes de energia elétrica e gás de cozinha(que praticamente dobrou de preço no ano), planos de saúde (13,5%), ou seja, essas pressões irão continuar e transformarão a calmaria inflacionária e em uma nova maré crescente de preços?

Não. A boa notícia é que por enquanto, a expectativa de inflação do mercado para 2018 estão abaixo do centro da meta de inflação, próxima de 4% , enquanto a meta é 4,5%.

E a expectativa vem se reduzindo nas últimas semanas, aliás vem caindo paulatinamente desde meados de 2017, como mostra o gráfico abaixo, sinal que não iremos a dobrar a meta. Brincadeiras a parte, é bastante provável que 2018 ainda seja um bom ano para a inflação.

Alguma ajuda para garantir uma inflação abaixo da meta será precisa, caso as chuvas continuem acima da média histórica por mais algumas semanas, bastante água é sinônimo de bandeira verde na conta de luz. A dinâmica de alimentos deve ajudar, não como em 2017, mas continuará positiva. Sem contar o fato que ainda estamos diante de uma economia com enorme capacidade ociosa, a indústria opera com 77,7% próxima da mínima da crise que foi de 76%.

O desemprego continua elevado, apesar do desempenho positivo em 2017, muitas pessoas estão no mercado informal, e conforme a economia cresça elas migrarão para o mercado formal, sem grande pressões na inflação.

Em resumo: Ainda existe espaço amplo espaço no tecido econômico para que a economia cresça ao longo do ano sem prejudicar a inflação de 2018.

O cenário de inflação baixa em 2018 já é real, quando olhamos a curva de juros, que reflete o que o mercado espera para as taxas de juros do páis ao longo do ano, vemos que nos preços já se reflete uma Selic abaixo dos atuais 7%, ou seja, o mercado financeiro acredita que o Banco Central ainda vê espaço para um juros ainda menores sem tirar a inflação da meta.

Um dos grandes riscos, que não pesa apenas sobre a inflação, mas sim sobre toda a economia é o risco político, de queos avanços na política fiscal não continuem e a reforma da previdência não seja aprovada. Além da possibildiade de vitória de algum candidato não alinhado com a responsabilidade fiscal, tão necessária para manter a inflação sobre controle (tema para nosso próximo texto).

Um dos grandes riscos, que não pesa apenas sobre a inflação, mas sim sobre toda a economia é o risco político, de queos avanços na política fiscal não continuem e a reforma da previdência não seja aprovada. Além da possibildiade de vitória de algum candidato não alinhado com a responsabilidade fiscal, tão necessária para manter a inflação sobre controle.

Portanto, em 2018 a inflação deverá ficar próxima da meta, algo muito confortável para todos os consumidores e para o Banco Central, caso o cenário se materialize, será a prova cabal que o país está realmente entrando nos eixos econômicos, após alguns anos de sandice generalizada.

Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

387 visualizações

relacionados

Bitnami