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A temporada de balanços corporativos do 2º tri teve início na 3ª semana de julho (dia 18); e terminou em meados deste mês (dia 14). Das empresas compostas pelo índice IBrX 100 – das quais temos alguma cobertura e/ou estão em nosso radar — pouco mais de 36% superaram a nossa expectativa (e também a do mercado como um todo). Apenas 34% das empresas divulgaram números considerados como “negativos”. O restante, cerca de 30%, reportou resultados em linha com o esperado, mais “neutros”.

No geral, as empresas brasileiras seguem reportando crescimento nos lucros, com sólida geração de caixa e menor alavancagem financeira. Os motivos para essa melhora dos resultados: (i) retomada (embora ainda gradual) da economia; (ii) valorização do dólar beneficiando as exportadoras; e (iii) base de comparação mais fraca. Fatores estes que compensaram os impactos mais negativos da paralização dos caminhoneiros e o evento Copa do Mundo (isto é, em alguns casos).

Assim, estes balanços corroboram a nossa expectativa de crescimento do lucro das empresas que tínhamos há alguns meses, e que justificava, entre outras teses, a nossa visão ainda construtiva para o segmento de Renda Variável no médio prazo no país.

Dentre os destaques positivos, figuram os setores:

  • Consumo/Varejo: Magazine Luiza e Via Varejo, com crescimento nos volumes de vendas — em meio a estratégia e gestão do segmento e-commerce (e marketplace) — e com forte geração de caixa no trimestre. Fatores como (1) inflação próxima do centro da meta, (2) Selic em patamares mais baixos e (3) retomada da inflação de alimentos beneficiaram também os resultados de Pão de Açúcar, por exemplo. Em suma: este é um segmento que vem apresentando recuperação e, em nossa opinião, deve continuar com perspectivas positivas nos próximos trimestres;

 

  • Construção Civil: Tenda e MRV continuaram a surpreender positivamente. Além do forte crescimento dos lançamentos (em linha com o plano de expansão de ambas as cias), a eficiente gestão de custos permitiu avanços expressivos nas margens. Maiores vendas e continuidade na tendência de queda dos distratos contribuíram ainda mais para os números de Tenda e MRV. Os resultados mais positivos da Tenda, em especial, fizeram ainda com que a companhia revisasse seu guidance para cima, o que demonstra a capacidade de entrega de resultados do management, e corrobora com nossa visão positiva para a empresa. Para os players de média/alta renda (leia-se Cyrela, Even, Eztec, Helbor, entre outros), os esforços seguem concentrados nas vendas de unidades em estoques. O objetivo destes players permanece com foco em reduzir o impacto negativo dos elevados níveis de distratos, algo que continua a pressionar margens e rentabilidade destas construtoras. Vale notar: o alto nível de descontos das vendas também não favorecem as margens destes players;

 

  • Financeiro: As provisões de créditos duvidosos (PDD) — algo que, após período de maior conservadorismo por conta do cenário macro desafiador — começa a diminuir; e carteira de crédito (em especial, voltados para Pessoa Física) voltou a crescer. Santander segue surpreendendo de forma positiva o mercado com uma melhora na qualidade da carteira de crédito e melhoria da eficiência operacional. Algo que tem impulsionado sua rentabilidade e margens nos últimos trimestres. Essa era uma dinâmica que esperávamos desde o início do 1S18, por sinal. Agora, acreditamos numa retomada gradual do crescimento da carteira de crédito dos grandes bancos nos próximos trimestres.

 

  • Oil & Gás: Os ganhos de Petrobras também foram surpreendentes. A forte valorização da cotação do brent (média do Brent próxima de ~ US$ 74/barril no 2T18 vs. ~ US$ 50/barril no 2T17) no mercado internacional, algo que impulsionou margens do petróleo, e eficiente gestão de custos, superaram a expectativa do mercado. Destaque positivo também para a queda na alavancagem financeira da cia, em linha com a estratégia do management, que não deve encontrar grandes obstáculos para atingir a meta de 2,5x Dívida Líquida/Ebitda até o final de 2018;

 

  • Papel & Celulose: Fibria, Suzano e Klabin seguem se beneficiando da demanda forte e saudável (em especial, pelos chineses), paradas programadas para algumas fábricas globais, e valorização recente do dólar. Seguimos otimistas com o setor. A indústria de Papel & Celulose deve se manter aquecida ao longo do 2S18, com a demanda impulsionada pelo: (1) consumo de tissue; (2) questões sanitárias na China; (3) melhores condições econômicas na zona do Europa; além (4) da recuperação da atividade econômica local. Além dos fundamentos sólidos da commodity, que mostram que os preços da celulose devem continuar elevados por mais algum tempo, a desvalorização do real pode continuar a contribuir para os ganhos da indústria no curto prazo.

Do lado mais negativo:

  • Setor de Distribuição de Combustíveis: apresentando uma queda expressiva nos volumes vendidos e pressões nas margens, fruto dos impactos da greve dos caminhoneiros e retomada ainda gradual da atividade econômica. Vale comentar: na BR Distribuidora, o ajuste no estoque do diesel – por conta da greve – gerou uma perda de R$ 200 milhões, enquanto, na Ultrapar, o ajuste foi próximo de R$ 213 milhões.

Mais destaques: (1) Proteína Animal; e (2) Mineração & Siderurgia.

  • Proteína Animal: JBS foi o destaque positivo, impulsionado por suas operações nos USA (em meio ao ciclo de gado favorável na região), compensando o resultado mais fraco da JBS Brasil. Aqui, JBS Brasil segue impactada pela queda no volume vendido em decorrência da venda dos ativos da JBS na Argentina, Paraguai e Uruguai. Pressão de custos da matéria prima também tem pressionado as margens na região. Na outra ponta, BRF reportou números ainda fracos no 1S18. O resultado foi impactados pelos (1) desdobramentos da operação Carne Fraca, (2) aumento dos preços dos grãos – tanto no preço do milho, como no preço da soja- e (3) maiores despesas (em especial, marketing) por conta do evento Copa do Mundo. Entretanto, grande parte do fraco desempenho observado já parece estar incorporado no atual patamar de preço da ação, em nossa visão;

 

  • Para as siderúrgicas: destacamos a melhora do consumo de aço e, após anos mais desfavoráveis, vemos este segmento menos pressionado. Avanços importantes são observados naquelas empresas que fabricam, especialmente, aços planos, como Usiminas e CSN, cujo alívio ficou evidente. Já para o segmento de longos, liderado pela Gerdau, a situação é suportada pelas suas operações no exterior. Em longos, no Brasil, não vimos avanços significantes, tendo em vista a retomada ainda lenta dos projetos de infraestrutura no país. Vale ainda destacar os impactos negativos da paralisação dos caminhoneiros para a indústria (uma vez que impediu o reajuste de preços das cias do setor, e que devem ser aplicados já no 3º tri);

 

  • Para as mineradoras (leia-se Vale): seguem fortemente beneficiadas pelos maiores volumes de vendas de Minerais Ferrosos e Metais Básicos, além dos maiores preços de venda nos Metais Básicos. Algo que tem impulsionado geração de caixa operacional, e, por consequência, aumentado sua distribuição de proventos. Mais: afirmamos ainda que o preço atual da commodity, nos níveis atuais (US$ 65-70/ton.), são também mais condizentes com os fundamentos.

E o que esperar para o 2º semestre?

A expectativa para o 2º semestre permanece ainda positiva. No 3º tri, dentre as empresas integrantes do índice IBrX 100, espera-se um crescimento de 15% A/A da geração de caixa operacional das cias; e uma alta de 28% A/A no lucro líquido ajustado. Para o 4º tri, o quadro não é diferente: (i) para a geração de caixa operacional, a expectativa é de um crescimento de 15% A/A; enquanto (ii) o lucro líquido ajustado deve aumentar 39% A/A. Vale notar: em termos nominais (considerando dias úteis no período), o 4º tri é ainda mais forte que o trimestre anterior (Ebitda Ajustado: +9,9% T/T; Lucro Líquido Ajustado: +10,2% T/T).

Ou seja: continuamos à espera de números, de modo geral, mais positivos para os próximos balanços. Acreditamos que as empresas podem continuar surpreendendo de forma positiva o mercado. Com a retomada da atividade econômica, taxas de juros em patamares baixos, e um ambiente mais propício ao aumento de eficiência das mesmas, vemos um cenário ainda mais positivo à frente. Devemos observar também à queda do custo do serviço da dívida – frente ao ano anterior – além da elevação da utilização da capacidade instalada nos próximos meses.

Entre os riscos: (i) vestígios das greves dos caminhoneiros; (ii) incertezas com o quadro eleitoral; e (iii) possíveis queda da confiança de consumidores e empresários em meio ao cenário ainda nebuloso no front político, e econômico, local. Por sinal, tais riscos (estes citados acima) corroboram com nossa cenário que (dado à sazonalidade do período, é claro!) o 4º tri vem ser mais robusto que o 3º tri.

Dentre os setores que devem continuar apresentando avanços significativos, damos destaque ao varejo, consumo, serviços financeiros, bancos e commodities. Além disso, as construtoras — em especial de baixa renda — também devem continuar a surpreender positivamente. O segmento de baixa renda provavelmente continuará a superar o desempenho dos demais segmentos de renda, em meio ao programa MCMV mais sustentável e ao maior equilíbrio entre a oferta e a demanda, em nossa opinião. O forte número de lançamentos, avanço expressivo nas vendas líquidas e queda nos distratos são triggers que sustentam nossa expectativa.

 

*Com relação à metodologia: nossa base de análise considera as 100 companhias integrantes no índice IBrX 100. As avaliações (positivo, negativo e neutro) são fundamentadas em nossas recomendações próprias e, por vezes, também consideram as avaliações do mercado como um todo (consenso Bloomebrg).

 

 


Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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