Segundo Tempo: “voa voa aviãozinho”

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Introdução: No exterior, segue o clima mais favorável para ativos de risco. Na Europa, mercados encerram com leve ganhos. Lá fora, investidores digerem os dados de emprego dos EUA e ficam à espera da divulgação da ata do Fed. No Brasil, o viés de alta para o dólar também prevalece. Sobem os DIs, e o Ibovespa tem leve baixa (oscila entre 74-75 mil pontos, próximo das 14h). Embraer é destaque da sessão.


CENÁRIO EXTERNO: BOLSAS GLOBAIS OPERAM COM GANHOS.

Mercados… As bolsas da Europa fecham o pregão em alta. Nos EUA, Dow Jones e S&P 500 acompanham o movimento, à espera da decisão do Fed. O dólar segue mais fraco no exterior, e perdeu forças após dados do mercado de trabalho dos EUA. Os juros das Treasuries seguem em alta (10 anos ao redor de 2,84%). O índice VIX recua 5%, um reflexo da menor volatilidade lá fora, e da menor percepção de risco nos mercados. É, portanto, um dia mais positivo para ativos de risco.

Aguardando o Fed… A expectativa fica por conta da divulgação da ata da última reunião do Fed. Falamos disto no Mercados Hoje . O mercado segue atentos às influencias das políticas protecionistas de Trump nas decisões do Fed e as sinalizações dos dirigentes com relação ao comportamento da inflação dos EUA. Mais: o documento deve mostrar — com maior clareza — a opinião dos dirigentes da última decisão, que seguem ainda divididos para os próximos passos do Fed.

Mercado de trabalho americano… Segundo dados do ADP, foram criados 177 mil empregos formais em junho, abaixo dos 190 mil esperados pelo mercado. O resultado anterior, entretanto, foi revisado para cima. Passou de 178 mil para 189 mil novos empregos.

Ainda aquecido… Embora ligeiramente abaixo do esperado, os números sinalizam um mercado de trabalho ainda aquecido no último mês. Como temos comentado em nossos últimos relatórios, os EUA já estão atingindo o “pleno emprego”, algo que tende a continuar a puxar a inflação americana para cima no médio prazo. As atenções se voltam ao Relatório de Empregos, que será divulgado na 6ª, dia 6.


BRASIL: EMBRAER É DESTAQUE DO DIA.

Mercados… O Ibovespa recua, pressionado pelas ações de Embraer, Petrobras e bancos. O destaque positivo fica com Vale e Ambev. O dólar e DIs são pressionados para cima. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, recua mais de 1,5%, ao redor de 261 pontos base. O índice oscila entre 74-75 mil pontos, e passa por realização, com os investidores aguardando o comunicado do Fed.

Sobre a Embraer…

Acordo anunciado… Ainda pela manhã, a Embraer anunciou a criação de uma joint venture entre a companhia e a Boeing, a qual passará a desenvolver os negócios de aviação comercial atualmente desenvolvidos pela própria Embraer. A Boeing permanecerá com uma participação de 80% na nova unidade de negócio, enquanto a Embraer deterá 20%. O valor atribuído ao novo negócio de aviação comercial é de US$ 4,75 bilhões. A Boeing se comprometeu a desembolsar US$ 3,8 bi pela sua participação. Vale uma ressalva: o memorando, de caráter preliminar e não vinculante, conta com aprovação do conselho de administração da companhia.

Na teleconferência… A Embraer realizou uma teleconferência a fim de esclarecer alguns pontos do acordo. Entre os destaques: (i) os acordos definitivos devem ser assinados em novembro de 2018 e depois submetido a aprovação do governo brasileiro; (ii) A Embraer terá um ganho de capital (relacionado a impostos) próximo de 20%; (iii) A Embraer terá uma opção de venda de sua participação de 20% na joint venture nos próximos 10 anos; (iv) a administração mantém a intenção de transferir parte da dívida da Embraer para a nova joint venture; e (v) a Embraer espera ainda pagar um dividendo extraordinário para o acordo.

Nossa visão sobre o acordo… A nova parceria com a Boeing é extremamente positivo para Embraer. Isto, porque (i) fortalece a capacidade de vendas da Embraer, fruto do posicionamento estratégico dos canais/rede de venda da Boeing; (ii) gera maior valor agregado aos clientes das companhias, uma vez que o portfólio de Boeing/Embraer é complementar e a estrutura de suporte/assistência deve se tornar mais eficiente; (iii) sinergias de custo/ despesas e de supply chain são expressivos, algo que pode impulsionar a lucratividade e crescimento da Cia; e (iv) há um ganho (com menor) com custo de capital.

Mais sobre o negócio… Para a Embraer, novos aportes são interessantes, uma vez que o setor passa por um movimento de consolidação. Recentemente, observamos a parceria Airbus-Bombardier, onde a Airbus adquiriu uma participação majoritária no programa C-Series. A nova parceria Boeing e Embraer é uma resposta à essa concorrência agressiva (também envolvendo players chineses), e abre mais espaço para oportunidade de crescimento no mercado global de aviação. Para a Boeing, o movimento também é estratégico, uma vez que a empresa americana quer ter produtos no segmento de jatos para passageiros com capacidade para menos de 150 assentos, onde Embraer segue como líder mundial…

Reação dos Mercados… Os papéis da Embraer reagiram de forma negativa nesta sessão. Recuavam 14%, próximo das 14h, após anúncio da conclusão do acordo com a Boeing. Num 1ª momento, o valuation envolvendo o segmento de aviação comercial veio ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado (a expectativa era de um número próximo de US$ 6-10 bilhões). Ainda assim, destacamos que o acordo avalia o segmento comercial da Embraer no mesmo patamar do valor de mercado atual da Embraer. Ou seja: há valor a ser destravado aos acionistas, em especial, quando nos referimos aos segmentos de Defesa e Executivo. Além disso, há ainda alguns obstáculos a serem esclarecidos sobre o novo negócio. Algo que contribuiu para a queda mais acentuada dos papéis.


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : -0,27%, aos 74.538 pontos;
    Real/Dólar: +0,42%, cotado a R$3,929;
    Dólar Index: : -0,12%, 94,404;
    DI Jan/21: +8 pontos base; 9,40%;
    S&P 500: +0,66%, aos 2.732 pontos.

    *Por volta das 14h47, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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