Segundo Tempo: Uma virada Histórica

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Introdução: As bolsas de NY operam em baixa, e o dólar perdeu fôlego nas últimas horas. O crescimento do PIB dos EUA no 2º tri acelerou, porém, menos do que o esperado. Balanços das empresas americanas seguem no radar. Twitter e Exxon Mobil decepcionam. No Brasil, ativos locais mantêm viés mais positivo (ao menos por enquanto). O Ibovespa tenta se sustentar próximo dos 80 mil pontos; e o dólar ao redor de R$3,70-3,75. Nos próximos dias, o front político seguirá no radar: quem serão os vices escolhidos?


CENÁRIO EXTERNO: PIB AMERICANO E BALANÇOS SÃO DESTAQUE.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa e (a maioria da) Ásia fecharam a sessão com ganhos, ainda impulsionadas pela recente “trégua” no conflito comercial. Nos EUA, no entanto, o viés é mais negativo, em dia de divulgação de balanços (do setor Tech , entre outros) e leitura do PIB ligeiramente abaixo do esperado pelo mercado. O índice NASDAQ recuava cerca de -1,3% por volta das 15h, horário de Brasília. Mercado de câmbio e commodities se mantêm mistos (mas vale destacar a perda de fôlego do dólar após a divulgação do PIB, por exemplo). O petróleo (brent) registra baixa de -0,5%, oscilando em torno de U$S 74/barril. Os juros das Treasuries têm viés baixista (10 anos ~2,95%). Já o índice VIX (que mede a volatilidade dos mercados), após iniciar o dia próximo à estabilidade, avança quase 15% nesta tarde.

Mais sobre os balanços americanos… Balanços com resultados divergentes deixaram os mercados acionários americanos sem direção clara nesta manhã. Mas foram perdendo fôlego com o passar do tempo, digerindo números das empresas e crescimento do PIB abaixo do esperado. Além da decepção com os números do Twitter, investidores dão destaque à Exxon Mobil. Nem o lucro recorde da Amazon, divulgado na tarde anterior, evitou a queda das bolsas em NY. O Twitter, ao redor das 15h, horário de Brasília, recuava quase 19%. O índice Dow Jones, menos exposto ao setor Tech, tem uma queda mais leve. Ainda assim, além da própria Exxon (-2,5%), ações da Apple (-2,6%) e Microsoft (-2,0%) contribuem para a sua queda. O índice Nasdaq, mais atrelado ao setor de tecnologia, é o que mais sofre hoje: recuava 1,3%.

Sobre o crescimento dos EUA… O ritmo de 4,1% no 2º tri (t/t, anualizado) marca uma “virada de importância histórica”, afirmou o presidente Trump. Economistas, no entanto, seguem céticos quanto à manutenção deste ritmo nos próximos trimestres. Trump acredita que as suas políticas – como o “America First” , que aumentam o protecionismo comercial – são responsáveis pela recuperação econômica.


BRASIL: ATIVOS TENTAM SUSTENTAÇÃO (APESAR DO EXTERIOR).

Sobre os mercados… Em linha com o viés que tínhamos pela manhã, os ativos locais têm boa performance até o momento (mesmo com a queda das ações nos EUA!). O dólar e parte importante dos DIs operam em baixa; enquanto o Ibovespa sustenta ganhos leves, não muito distante dos 80 mil pontos. Ainda assim, o índice acionário tem perdido forças nas últimas horas. Do lado positivo, estão as ações de Vale e Petrobras. No front negativo, destaque para as ações de Lojas Renner e Ambev.

Supremo, sob nova direção… O ministro Dias Toffoli toma posse como novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) em 13 de setembro. Sucederá Cármen Lúcia. Isto, no entanto, não implica em dias mais fáceis para o PT. Em comum acordo, junto com a atual presidente do STF, Toffoli quer montar a sua agenda de julgamentos até o final de setembro – algo que impediria a inclusão de novos temas antes à eleição, que possam beneficiar o ex-presidente Lula, por exemplo.

Uma visão diferente (de Lula)… Segundo o DRIVE (newsletter do portal Poder360), o ex-presidente analisa o quadro político “por uma lente que não mostra a ele a realidade completa”. Afinal, ainda acredita que conseguirá manter o seu nome e a sua foto na urna eletrônica até o dia da eleição, 7 de outubro. O “plano B” do PT ainda não está claro. O noticiário oscila entre Fernando Haddad e Jaques Wagner. O 1º ainda é o favorito.

Política, o novo “gatilho”… Os mercados têm se beneficiado das melhores expectativas – ao menos na margem – para o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Afinal, a aliança com o “centrão” somada aos erros de outros candidatos à Presidência é algo que pode contribuir para a melhora nas pesquisas de intenção de votos. Vale notar: no mês, o Ibovespa acumula alta de pouco mais de 4,5%, e oscila por volta dos 80 mil pontos

Operações de crédito… Segundo dados divulgados hoje, o crédito sobre o PIB subiu de 46,7% em maio para 46,8% em junho. A participação dos bancos públicos, no entanto, voltou a cair: passou de 53,2% para 53,0%. Considerando o crédito PF, este aumentou 6,2%. O saldo PJ contraiu 3,1% a/a. Ambos os índices de inadimplência recuaram: o 1º passou de 3,6% para 3,5%; o 2º passou de 3,0% para 2,6%.


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : +0,14%, aos 79.517 pontos;
    Real/Dólar: -0,69%, cotado a R$3,722;
    Dólar Index: -0,12%, 94,668;
    DI Jan/21: -02 pontos base; 8,91%;
    S&P 500: -0,80%, aos 2.813 pontos.

    *Por volta das 15h45, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Ignacio Crespo Ignacio Crespo

    Economista

    Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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