Introdução: O cenário internacional segue menos favorável para ativos de risco. Aqui, o dólar recua, após coletiva de Ilan. DIs mais longos também, em dia de percepção de risco país estável, segundo o CDS de 5 anos. A bolsa, em linha com o esperado, mantém viés mais negativo hoje. No front macro, destaque para o IPCA de maio, que veio acima do esperado. Hoje, às 15h, Mansueto Almeida, do Tesouro, dará coletiva sobre a atuação no mercado de títulos. Neste domingo (10), atenção ao Datafolha, que pode manter a política no centro dos holofotes.


CENÁRIO EXTERNO: DIA DE MAIOR AVERSÃO AO RISCO

O “básico” sobre os mercados… Aversão a risco continua alta no exterior. O índice VIX não está nas máximas do dia (~13,3 pontos), mas segue em elevação. As bolsas da Europa caminham para fechar no vermelho, enquanto as de NY operam próximas à estabilidade, mas com viés negativo. As commodities recuam, enquanto o dólar se valoriza. O petróleo (brent) opera na casa dos US$76/barril.

O G7… As atenções se voltam a reunião da cúpula do G7, que se encontra nesta 6ª feira, para discutir os recentes acordos comercias de Trump. Falamos disto no Mercados Hoje. O ambiente é de cautela. Trump, antes de embarcar, reforçou em seu Twitter que não deve ceder às vontades dos aliados.

“Estou indo para o Canadá e para o G-7 para conversas com relação ao comércio injusto praticado (há muito tempo) contra os Estados Unidos”, disse Trump em seu Twitter.


BRASIL: INFLAÇÃO SURPREENDE PARA CIMA; DÓLAR RECUA PÓS-BC.

Inflação acelera em maio… O IPCA de maio acelerou 0,40% frente a abril, acima dos 0,30% esperados. Em 12 meses, passou de 2,76% para 2,85%. No ano, acumula-se uma inflação de 1,33%. Os preços de alimentos, sobretudo in natura, além de combustíveis sofreram aumentos expressivos nos últimos dias de maio. Além disso, aumentou a energia elétrica (aumento já esperado), diante do acionamento da bandeira amarela em maio. Vale ressaltar: diante da falta de itens para a coleta de preços, o IBGE precisou alterar a metodologia, gerando maior dificuldade na previsão.

Mais sobre a inflação…  Em relação ao mês anterior, 4 dos 9 grupos apresentaram avanço, com destaque para Habitação (de 0,17% para 0,83%), Transportes (de 0,0% para 0,40%) e Alimentação e Bebidas (de 0,09% para 0,32%). Para o mês de junho, espera-se um IPCA ao redor de 1%, ainda sob os efeitos da greve dos caminhoneiros sobre alimentos e combustíveis. Estes efeitos devem fazer o IPCA de 2018 terminar mais próximo de 4,0% do que até há pouco esperávamos.

Como está o cenário político? Guide & Poder360…. Falamos pela manhã, mas voltamos a enfatizar a conversa que tivemos ontem com os jornalistas do Poder360, Fernando Rodrigues e Tales Faria. Direto de Brasília, comentaram o cenário político atual, e as perspectivas para o futuro das eleições. A conversa pode ser acompanhada aqui, em áudio. A política, certamente, será cada vez mais importante para mexer com os mercados locais

E os mercados locais? Em linha com o esperado, o viés para o Ibovespa segue sendo mais negativo. O exterior, como falamos anteriormente, volta a ser menos positivo para ativos de risco. Aqui, a fala do BC, ontem à noite, ajuda no desempenho do real, que recupera parte das perdas recentes. No mercado de juros, em dia de volatilidade, recuam os DIs mais longos. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, opera próximo à estabilidade, ao redor de 250 pontos base.

Um pouco sobre Ibovespa… O Ibovespa acentua a queda, e caminha para a 4ª baixa consecutiva. O índice oscila entre 71-72 mil pontos, próximo das 14h. Por aqui, o ambiente político repleto de incertezas, e o quadro externo menos positivo para ativos de risco, pressionam para baixo o índice doméstico. O dia mais negativo para as commodities também não contribui para limitar as quedas dos ativos de riscos locais.

As baixas… Entre as principais baixas figuram os papéis da BRF. A decisão do Ministério do Comércio da China de imposição de tarifas antidumping contra a importação de frangos do Brasil (por concorrência desleal) é algo que influencia nos movimentos dos papéis. Lembrando: a China representa mais de 10% do volume de frango exportado pela BRF. 

As altas… Smiles e Iguatemi são destaques de alta. A sessão é de recuperação. Ontem, ambos os papéis tiveram forte queda. Do lado positivo, destaque também para os papéis do setor de saúde, considerados mais resiliente em dias mais desafiadores para o Ibovespa. 

Pesquisas – e política – à frente… Neste domingo (10), esperamos a divulgação da pesquisa Datafolha, que dará novo panorama sobre as eleições de outubro. Assim, após a do DataPoder360, divulgada na noite da última 2ª, dia 4, será outro levantamento pós-greve dos caminhoneiros vira à tona. É possível que, dada a metodologia diferente destas pesquisas, Ciro Gomes (PDT) mostre um desempenho ligeiramente inferior ao do DataPoder360, enquanto Marina Silva (Rede) pode melhorar, no relativo. De qualquer forma, continuamos vendo que, adiante, a tendência é “extremos” se cristalizarem, e Alckmin (PSDB) estável – algo que tende a continuar no curtíssimo prazo. 

Um último ponto, sobre a “tabela de fretes”… Não há uma definição clara sobre como resolver o impasse. O governo parece arrependido de ter prometido tabelar o preço, e não sabe como recuar, e como agir a partir de agora. A equipe econômica é contra, e há um consenso de que este não é o caminho para resolver o problema.


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : -1,60%, aos 72.669 pontos;
    Real/Dólar: -4,27%, cotado a R$3,741;
    Dólar Index: +0,17%, 93,591;
    DI Jan/21: +01 pontos base; 9,800%;
    S&P 500: +0,17%, aos 2.775 pontos.

    *Por volta das 13h54, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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