Introdução: No exterior, o ambiente segue favorável para ativos de risco. As bolsas dos EUA sobem, enquanto os mercados na Europa encerraram com ganhos. Lá fora, o dólar perde forças; e commodities operam com viés altista. Aqui, no Brasil, o Ibovespa acompanha a melhora de humor dos mercados externos; e o índice avança. O dólar permanece próximo da estabilidade; e DIs tem alta, em meio às incertezas no front político. Investidores locais também digerem as pesquisas eleitorais.


CENÁRIO EXTERNO: ATENTOS À JAY POWELL.

Mercados… As bolsas da Europa sobem, e o movimento de alta é acompanhado pelas bolsas dos EUA. Às 15h, o índice S&P 500 subia 0,6%. No mês, acumula alta de 2,0%. O dólar perde forças no exterior (em especial, após declarações de Jay Powell); e os juros das Treasuries também recuam (10 anos ~2,82%). As commodities seguem operando com ganhos. O petróleo (brent) sobe próximo de 2%, cotado ao redor de US$76/barril. Em suma: o ambiente segue mais positivo para ativos de risco no exterior; e investidores digerem as falas do presidente do Fed dos EUA no evento em Jackson Hole.

Sobre o Jackson Hole… Jerome Powell, presidente do Fed, defendeu uma normalização gradual da política monetária de juros dos EUA. Em seu discurso, Powell deixou claro que não vê riscos de “superaquecimento econômico” e que “não há sinalizações claras de que a inflação americana esteja acelerando acima dos 2%”. As falas mais “dovish” de Powell deram fôlego as bolsas globais; e reduziram – ainda mais – a procura por dólar. Em nossa visão, o evento não trouxe grandes novidades. Havia forte expectativa com relação às possíveis sinalizações referentes à trajetória da redução dos balanços dos BC’s e trajetória dos juros americanos.

“Os aumentos constantes da taxa de juros pelo FEd são a melhor maneira de proteger a recuperação econômica dos EUA e manter o crescimento do mercado de trabalho o mais forte possível e a inflação sob controle.”
Jerome Powell, presidente do BC americano.

Sem acordo… Representantes dos Estados Unidos e da China se reuniram para dar continuidade às conversas comerciais sobre a guerra comercial travada pelos dois países. Esta semana, o país norte-americano aplicou sobretaxas em 25% dos produtos importados do país asiático – o que motivou o fortalecimento da tensão. O Ministério do Comércio da China afirmou que as reuniões realizadas em Washington foram “construtivas” e as negociações comerciais continuarão entre as duas potências. Lindsay Walters, porta-voz da Casa Branca, disse que os resultados do encontro foram positivos e as recentes medidas fiscais divulgadas não atrapalharão as negociações. Porém, horas após a declaração de Walters, uma autoridade sênior do governo americano disse, em teleconferência, que o resultado do encontro não foi animador.

Sem acordo – parte II… O encontro entre 10 Estados-membros da União Europeia sobre a mais recente desavença a respeito de questões imigratórias, realizado hoje em Bruxelas, terminou sem acordo para o desembarque de imigrantes resgatados no Mediterrâneo que estão em um navio italiano. Eles foram resgatados na quinta-feira (16) no Mediterrâneo e, desde a noite de segunda-feira (20), estão retidos no navio da Guarda Litorânea italiana no porto de Catânia, na Sicília. Pela manhã, o vice-primeiro-ministro italiano, Luigi Di Maio, ameaçou interromper a transferência de recursos para a UE a menos que outros membros do bloco concordem em receber pessoas que estão a bordo do navio Diciotti. A Itália é o terceiro país que mais contribui (atrás de Alemanha e França) entrega mais do que recebe: quase 20 bilhões de euros contra 14 bilhões em troca. (falamos disto no Mercados Hoje).

Na agenda… O indicador preliminar dos pedidos de bens duráveis nos EUA recuaram 1,7% em julho, na comparação com junho. O resultado foi abaixo do esperado pelo mercado (-1,0%), segundo pesquisa da Bloomberg. Esta é uma leitura preliminar.


BRASIL: IBOVESPA ACOMPANHA O EXTERIOR.

Mercados… A bolsa avança, e opera ao redor dos 75-76 mil pontos, acompanhando o exterior. O dólar tem um dia de “pausa”; e opera próximo da estabilidade, após altas recentes. Os DIs, por outro lado, seguem em alta; e o CDS de 5 anos, que mede a percepção de risco país, avança 2%, e operam ao redor de 283 pontos base. Afinal, as incertezas políticas ainda permanecem…

Destaques do índice… Vale e Petrobras são as maiores contribuições positivas (em pontos) para o índice, em linha com a valorização das commodities. CSN e Usiminas também são destaque de alta, em meio ao fluxo de notícias mais positivas no front micro (veja mais no Guide Empresas). Na outra ponta, Ultrapar recuava firme em meio a alteração de recomendação feita por outras casas.

Política… A defesa do ex-presidente Lula apresentou hoje pedido ao TSE solicitando que seja reconhecido a ele o direito de participar da campanha à Presidência por meio de entrevistas, um dia após ter pedido à corte eleitoral que o candidato petista receba a mesma cobertura jornalística de outros candidatos por parte de emissoras de televisão. Alternativamente, a defesa petista pede que a coligação seja representada em entrevistas por meio de Haddad. A ação foi distribuída ao ministro Jorge Mussi.

Pesquisa Eleitoral… A pesquisa XP/Ipespe mostrou que o candidato Jair Bolsonaro se mantém na liderança da corrida presidencial com 20% das intenções de votos – isto é, somente num cenário sem o ex-Lula. No cenário em que o ex presidente consegue concorrer à presidência, Lula tem 32% das intenções de voto. Há poucas variações em relação a rodadas anteriores do levantamento. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, segue estagnado e varia de 3% (no cenário com Lula) a 7% (na lista de candidato em que está incluído Haddad como nome do PT). Contudo, a pesquisa mostrou uma certa dificuldade na transferência dos votos de Lula para Haddad, que no cenário em que é considerado candidato do PT e apoiado por Lula, o ex-prefeito paulistano tem 13%. Na semana anterior, tinha 15% das intenções de voto, o que correspondia a uma transferência de 44% do total conquistados por Lula. Agora, a taxa está em 32%, o menor percentual já registrado na série histórica da pesquisa XP/Ipespe, iniciada em maio.


    Sobre as oscilações do pregão:

    SOBRE O FECHAMENTO DO ÚLTIMO PREGÃO:

    Ibovespa: : +0,34%, aos 75.888 pontos;
    Real/Dólar: : +0,02%, cotado a R$ 4,115;
    Dólar Index: -0,54%, 95,145;
    DI Jan/21: +02 pontos base; 9,740%;
    S&P 500: +0,54%, aos 2.872 pontos.

    *Por volta das 14h58, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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