Segundo Tempo: sai Rex, entra Mike

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Introdução: O momento não é dos melhores para as bolsas globais. Estas, em sua maioria, recuam nesta sessão. A inflação americana veio em linha com o esperado; e Trump anunciou mudanças relevantes em seu governo. Mais uma! Aqui, os mercados reagem ao exterior: Ibovespa recua; e DIs e dólar seguem em baixa. No âmbito corporativo, Eletrobras concentra as atenções.


CENÁRIO EXTERNO: INFLAÇÃO AMERICANA E MUDANÇAS EM WASHINGTON.

O “básico” dos mercados… As bolsas de Europa e EUA perderam forças ao longo do pregão. O dólar segue mais fraco ao redor do mundo; e os juros dos títulos soberanos americanos recuam. Os papéis de 10 anos são cotados na casa de 2,84%. As commodities operam também com viés de baixa. O brent oscila ao redor de US$64,5/barril. Em suma: o clima não é dos melhores para os ativos de risco no exterior.

Nos EUA, a inflação… A inflação ao consumidor veio em linha com o esperado pelo mercado em fevereiro: em 12 meses, passou de 2,1% para 2,2%. O chamado “núcleo” da inflação – medida mais importante, por ser menos volátil, e que desconsidera preços de alimentos e energia – permaneceu estável, em 1,8%. Apesar disto, seguimos com uma perspectiva de aceleração da inflação nos próximos meses. Temos falado disto em textos do nosso blog…

Ainda nos EUA: Washington no radar… Trump decidiu demitir o secretário de Estado Rex Tillerson, e anunciou o atual diretor da CIA, Mike Pompeo, para ocupar o cargo. A dança das cadeiras foi anunciada por Trump via Twitter. Além disso, indicou a vice-diretora da CIA Gina Haspel para substituir Pompeo no comando da agência de inteligência. “Parabéns a todos!”, disse Trump. Esta é mais uma mudança recente no entorno do atual presidente. Há alguns dias, chamou ainda mais a nossa atenção a saída de Gary Cohn, ex-Goldman Sachs, e principal assessor econômico do presidente.

Sobre as commodities… O petróleo opera com volatilidade alta. Em especial, o movimento de baixa ocorre após a divulgação do relatório da Administração de Informação de Energia (EIA), membro do Departamento de Energia dos EUA (DoE). O documento revisou para cima a previsão de extração de óleo de xisto no país, e contribuiu para pressionar a commodity mais cedo. Mais: nesta semana serão divulgados os relatórios mensais da Opep e da AIE – algo que, certamente, traz maior cautela aos investidores.


BRASIL: MERCADOS ACOMPANHAM EXTERIOR.

O “básico” dos mercados… O Ibovespa recua, em linha com o que esperávamos pela manhã, acompanhando a piora dos mercados no exterior. É pressionado pelos papéis do setor financeiro, Vale e Petrobras. Considerando os setores dentro do índice, vemos baixas generalizadas.

Mais sobre os mercados… Nos mercados de câmbio e juros, pressões baixistas. O real se beneficia da fraqueza do dólar no exterior. Os juros futuros, por outro lado, parecem refletir: (i) a perspectiva de mais um corte de 0,25 p.p. na Selic (próxima semana); e (ii) um ciclo de aperto monetário ainda gradual nos EUA (afinal, os juros das Treasuries recuam, como falamos anteriormente). A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, também recua, e opera ao redor de 144 pontos base.

Sobre a Eletrobrás: discussões (ainda) difíceis… O governo trabalha para avançar com o processo de venda da estatal. Espera arrecadar até R$ 12,2 bilhões com a privatização, mantendo a “golden share”. No entanto, a tarefa não é fácil – embora enquete realizada em fevereiro mostre que 60,7% dos deputados acreditam que o projeto de lei será aprovado ainda neste ano. Em novembro de 2017, o percentual havia sido de 48,5%.

Mais sobre Eletrobrás… Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, tentará instalar hoje a comissão especial sobre o projeto de privatização da empresa. Importante: estas comissões especiais precisam ter metade dos membros provenientes de comissões permanentes. Aqui, vale uma ressalva: esses colegiados ainda não tiveram seus membros empossados.

Eletrobrás: fatores positivos… É, sem dúvida, um fato positivo a privatização da Eletrobras. Destacamos: (i) menor interferência política nas decisões estratégicas da companhia; (ii) melhor estrutura de dívida, estrutura de capital e governança da empresa; (iii) objetivos mais alinhados à indústria com processo administrativo mais fortes; e (iv) longo prazo, deve haver redução de encargos.

Eletrobrás: riscos e pontos em aberto… Algumas questões ainda não estão esclarescidas. Entre os riscos: (i) Eletrobras privatizada terá autorização de vender a preços de mercado (hoje bem abaixo da tarifa de cotas)?; (ii) governadores, principalmente do nordeste, ainda parecem contrários à privatização; (iii) incertezas com relação à Chesf e; por fim, (iv) o risco político, é claro (entre o final deste mês e o início de abril haverá mudanças nos Ministérios, como falamos pela manhã no Mercados Hoje).

Por fim, sobre a política… Carlos Marun, ministro-chefe da Secretaria de Governo, ainda luta pela permanência do DEM entre os aliados do Planalto. Maia (DEM-RJ), no entanto, ainda seria um empecilho, por ser o pré-candidato, e já ter demonstrado desconforto em apoiar Temer e Cia. O presidente, diga-se de passagem, corre o risco de precisar gastar energias para conter e se defender de uma possível nova denúncia.

 


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: -0,68%, aos 86.305 pontos;
    Real/Dólar: -0,17%, cotado a R$3,256;
    Dólar Index: -0,25%, 89,670;
    DI Jan/21: : -05 pontos base; 8,180%;
    S&P 500: -0,39%, aos 2.772pontos;

    *Por volta das 15h24, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Ignacio Crespo Ignacio Crespo

    Economista

    Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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