Introdução: No exterior, os mercados europeus seguem dia mais ameno em função do feriado nos EUA. As atenções se voltam às questões envolvendo Argentina e Turquia. No Brasil, o Ibovespa opera em queda, com baixa liquidez e cautela dos investidores. A expectativa fica por conta das novas pesquisas eleitorais, após início do programa eleitoral gratuito na TV e rádio. No front macro, os agentes de mercado digerem o Boletim Focus.


CENÁRIO EXTERNO: FERIADOS DIMINUEM A LIQUIDEZ NOS MERCADOS; EMERGENTES PRESSIONADOS.

Mercados… Com a liquidez prejudicada, em função do feriado dos EUA, os mercados europeus operaram sem direções muito claras. O índice Stoxx 600, que monitora a região como um todo, opera próximo da estabilidade; enquanto o índice espanhol IBEX recua 0,24%, por exemplo. As commodities tem viés ligeiramente mais positivo. O petróleo (brent ) oscila acima dos US$ 78/barril. O dólar se mantem misto frente a seus pares e emergentes. Vale notar: o Peso Argentino, Lira Turca e Real seguem registrando os piores desempenhos dentre a cesta de moedas dos emergentes.

Entre a cruz e a espada… Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, disse que não vai permitir concessões em sua estratégia do Brexit que sejam contrário ao interesse nacional. As declarações de May diminuem o temor de alguns membros de seu Partido Conservador, que não quer que o R.U. ceda às demandas solicitadas pelo bloco europeu nas últimas negociações. Faltam menos de 2 meses para encerrar o acordo. May tem enfrentado dificuldades, pressionada entre aqueles no Reino Unido que recusam mais concessões e uma UE exigindo mais concessões. O fato pode trazer volatilidade adicional aos mercados externos. Afinal, May deverá encontrar novas rodadas de negociação cada vez mais complicadas, seguidas de uma votação no parlamento sobre qualquer que seja o acordo definido.

Pacotão… O Ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, divulgou algumas medidas para o governo acelerar a redução de seu déficit fiscal. Entre elas estão: (i) novo imposto às exportações; (ii) redução pela metade do gabinete ministerial; e (ii) um corte de 4% nos gastos da administração pública. Dujovne também apresentou as novas projeções do crescimento da atividade e inflação do país. Entre os destaques: (i) as projeções de inflação em 2018 passou de 30% para 42% no final deste ano; (ii) expectativa do PIB passou de um crescimento de 3% para uma desaceleração de 2,4% neste ano. Para 2019, a economia ficará estagnada, em 0%. A expectativa é que a Argentina recupere o equilíbrio das contas em 2019, um ano antes do previsto. Os dados serão apresentadas ao FMI, onde a Argentina busca a aprovação do adiantamento de US$ 50 bilhões de empréstimos concedida recentemente.

Na Turquia, inflação dispara… A inflação anual turca de preços ao consumidor (CPI), divulgada hoje, atingiu 17,9% em agosto, acima da leitura de 15,9% de julho (e muito acima da meta oficial de 5% do banco central). Os custos mais elevados de transporte e energia, afetados pela desvalorização da moeda, foram os principais responsáveis pelo resultado. E reforçam a cautela dos desenvolvidos frente aos emergentes. Pouco depois da divulgação, o BC turco disse que as leituras de inflação de agosto representam um sério risco para a estabilidade de preços. Isto é algo que sinaliza um possível aperto monetário do BC na próxima reunião da entidade (marcada 13 de setembro).


BRASIL: IBOVESPA EM QUEDA; POLÍTICA NO RADAR.

Mercados… Por aqui, a baixa liquidez por conta do feriado americano também influencia nos negócios. O volume do Ibovespa, segundo cálculos da Bloomberg, está aproximadamente 50% abaixo da média dos últimos 30 dias. O índice volta a operar em baixa, desde a sua abertura, em linha o quadro mais negativo para emergentes e incertezas locais.

Destaques do índice… Estatais e bancos pressionam o índice, em dia de menor apetite à risco e cautela com front político. Petrobras, em especial, segue entre as principais quedas (em pontos) do Ibovespa, e não acompanha a alta do petróleo nos mercados internacionais. Na outra ponta, Suzano avança no campo positivo em meio a expectativa de aval do acordo com Fibria pelo Cade. Ultrapar também é destaque na sessão: os papéis sobem mais de 3%, após rumores de que a Advent estaria interessada na compra do ativo.

Caso Lula… Os mercados reagem a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que rejeitaram o registro de candidatura do ex-presidente Lula (PT). Falamos disto no Mercados Hoje . O PT tem até a próxima 3ª feira (dia 11) para apresentar o nome do substituto de Lula. Na decisão, entretanto, pesou o fato de que Lula poderá aparecer apenas como “cidadão apoiador”, por um tempo máximo de 25% do período de propaganda. Agora, a expectativa fica para a pesquisa para presidente do Ibope (3ª feira, dia 04) e DataFolha (5ª feira, dia 06). Vale ficar atento com relação à performance dos principais beneficiários dos votos de Lula.

Novas ações… O Partido Novo entrou com novas ações no TSE. A representação se soma a outros 3 pedidos apresentados na Corte, onde contestam as propagandas do partido, e coligados (sendo PT, PCdoB e PROS), “O Povo Feliz de Novo” veiculadas na rádio, televisão e redes sociais com a aparição de Lula. Uma das ações já teve o pedido atendido pelo ministro Luis Felipe Salomão, que suspendeu o programa do PT na rádio onde Lula é apresentado como candidato.

Sobre o tabelamento do frete… Técnicos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) devem se reunir hoje com o ministro da área, Valter Casimiro Silveira, para discutir os novos valores da tabela. Vale notar: o diesel aumentou 13% nas refinarias. Caminhoneiros ameaçam com novos protestos se não houver o ajuste. Carlos Marun, ministro da Secretaria do governo, deixou claro que o STF manterá o tabelamento.

“Temos a convicção de que o STF reconhecerá a constitucionalidade das medidas adotadas. Além disso, o diálogo entre o governo e os caminhoneiros é permanente”, disse Carlos Marun.

No front macro: O Boletim Focus. Comentamos disso no Mercados Hoje. O mercado voltou a revisar para baixo o IPCA deste, e também do próximo, ano. Mas nada que tenha influenciado nos movimentos dos DI’s. As projeções do IPCA para 2018 recuaram de 4,17% para 4,16%; e para 2019, de 4,12% para 4,11%. As projeções para Selic seguem inalteradas: 6,50% para fim de 2018; e em 8,00% para fim de 2019. Já a expectativa para crescimento do PIB foi destaque negativo: desacelerou de 1,47% para 1,44% em 2018; e permaneceu em 2,50% para 2019.

Dentro do esperado… No mercado de câmbio, é dia de alta para o dólar. A cautela dos investidores com o quadro político local, cenário externo mais negativo para emergentes, além da ausência de indicadores na agenda macro, são fatores que contribuem para a alta da moeda americana. Os DI também tem alta, acompanhando o mercado de câmbio; e também sobe a percepção de risco dos países (medida pelo CDS de 5 anos, por exemplo). Assim, o mercado segue conforme esperávamos pela manhã. Falamos mais cedo: “viés para a bolsa é de baixa, e altista em dólar e DIs”.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,40%, aos 76.300 pontos;
Real/Dólar: +1,84%, cotado a R$ 4,129;
Dólar Index: -0,02%, 95,122;
DI Jan/21: +11 pontos base; 9,920%;
S&P 500: +0,01%, aos 2.901 pontos.

*Por volta das 14h50, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

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Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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