Segundo Tempo: o 2º semestre e a volatilidade

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Introdução: Segue o momento menos positivo para as bolsas globais. O dólar opera em alta no exterior; e commodities tem dia mais negativo. Nos EUA, os índices sobre a indústria ganham fôlego. No Brasil, o Ibovespa, em linha com o esperado, opera em queda, com baixa liquidez e cautela dos investidores. O dólar chegou a superar a marca de R$3,90. O semestre, por aqui, também começa de forma mais negativa.


CENÁRIO EXTERNO:: INDÚSTRIA AMERICANA FORTE.

O “básico” sobre os mercados…  A sessão segue sendo mais negativa para os ativos de risco. O índice VIX sobe, ainda, mais de 7%, mostrando a volatilidade em alta. As bolsas na Europa mantiveram as perdas, seguindo o movimento das asiáticas. Nos EUA, as bolsas também operam no vermelho. As commodities intensificaram as perdas nas últimas horas. O petróleo (brent) volta a operar na casa dos US$77/barril, após oscilar próximo de US$80. O dólar acelera a sua valorização, tanto frente a desenvolvidos quanto frente a emergentes. O Real não está, diga-se de passagem, entre as que mais se depreciam (embora opera também em queda).

Indústria americana acelera… Ambos os índices sobre a indústria melhoraram em junho. O índice PMI passou de 54,6 para 55,4, acima da expectativa de estabilidade. Já o índice ISM passou de 58,7 para 60,2 pontos, acima dos 58,5 esperados. Acima de 50 pontos, estes sinalizam expansão à frente. Ao contrário daquilo que alguns analistas esperavam, o setor americano segue forte, e será, muito provavelmente, fonte de inflação mais adiante.

Como está o PIB dos EUA? Segundo tracker do Fed de Atlanta – que considera dados de curto prazo em seu modelo para balizar o ritmo do PIB -, a economia do país crescerá no 2º trimestre a um ritmo de 4,1% (t/t, em termos anualizados). Esta é a leitura de hoje, acima dos 3,8% previstos até a última 6ª, dia 29. Após queda recente (que levou alguns economistas a suspeitar de possível perda de fôlego no curto prazo), os dados voltam a alimentar a expectativa de aceleração.

O México é destaque (na política)… O presidente recém-eleito, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), é ainda destaque na mídia internacional. Ainda é uma grande dúvida como será o seu governo, por terem participado da corrida diversas pessoas, muitas vezes com opiniões contraditórias. De qualquer forma, AMLO é considerado de esquerda. Pela frente, terá a difícil tarefa de lidar com Donald Trump, nos EUA.

Sobre a Copa do Mundo… O Brasil venceu o México hoje, e enfrentará, nesta 6ª (dia 6), o vencedor de Bélgica x Japão. Segundo o blog FiveThirtyEight, de Nate Silver, a Bélgica tem uma probabilidade de 76% de vencer os japoneses. A probabilidade de o Brasil ganhar a Copa do Mundo subiu de 26% para 31%, após o seu jogo. A França segue com 16% e a Croácia com 12%.


BRASIL: JOGO DA SELEÇÃO ROUBA LIQUIDEZ DOS NEGÓCIOS.

Sem fôlego… A baixa liquidez por conta dos jogos do Brasil na Copa do Mundo influencia nos negócios. O volume do Ibovespa, segundo cálculos da Bloomberg, está aproximadamente 50% abaixo da média dos últimos 30 dias. O índice opera em baixa desde a sua abertura. Ainda assim, permanece acima dos 72 mil pontos.

Destaques do Ibovespa…. No índice, BRF é o principal destaque positivo. Próximo das 15h, os papéis avançavam mais de 15%, após anunciar o novo plano de reestruturação operacional e financeira da companhia (veja mais no Guide Empresas). Na outra ponta, os papéis da Petrobras e Vale puxam o índice para baixo, em linha com o dia mais negativo para commodities.

A decisão do PT… Segundo Fernando Rodrigues, colunista do Drive, o ex-presidente Lula, preso em Curitiba, terá uma reunião com o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, nesta 6ª feira (06). Ambos devem decidir o programa de governo do PT. O documento, com as propostas do partido, deve ser divulgado ainda em julho.

Mais sobre os mercados… Pressões de alta foram registradas sobre o dólar, com o mercado reagindo a não intervenção do BC (que, nos últimos dias, fez preço no mercado de câmbio). A cotação segue em nível alto, reagindo ao exterior. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, segue em alta (+2,5%, às 15h, horário de Brasília), precificando o ambiente ainda de incertezas locais, mas especialmente externas.

Em suma… O semestre, por aqui, também começa de forma menos favorável. Mas é difícil tirar muitas conclusões de uma sessão como esta, com volumes baixíssimos, fruto dos jogos do Brasil, além do feriado americano que se aproxima.

 


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : -0,31%, aos 72.539 pontos;
    Real/Dólar: +0,76%, cotado a R$3,906;
    Dólar Index: : +0,62%, 95,060;
    DI Jan/21: -05 pontos base; 9,260%;
    S&P 500: -0,08%, aos 2.716 pontos.

    *Por volta das 15h32, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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