Introdução: O momento ainda é negativo para as bolsas globais. O dólar recua no exterior; e permanece o viés de baixa sobre os juros das Treasuries. No Brasil, o Ibovespa acompanha seus pares internacionais, e recua. O dólar volta a ganhar forças frente ao real, e o risco país tem dia de volatilidade. Do lado macro, mercado digere os dados do IPCA-15.


CENÁRIO EXTERNO: MERCADOS ARISCOS.

Mercados… As bolsas da Europa seguiram no vermelho, após sessão mais negativa na Ásia. Nos EUA, as bolsas também operam em baixa. O índice S&P 500 recuava 0,5%, enquanto Dow Jones tinha baixa de 0,8%, ao redor das 14h, horário de Brasília. O dólar cai no exterior, e os juros das Treasuries recuam, diante da busca dos investidores por proteção. Os papéis de 10 anos recuavam, e oscilavam por volta de 2,90%. As commodities sem direções claras. O petróleo (brent) opera na casa dos US$73/barril. O índice VIX sobe ao redor de 12%, e oscila em 14,0 pontos.

E os conflitos comerciais continuam… Wilbur Ross, secretário do Comércio dos EUA, em entrevista à Bloomberg, defendeu a estratégia protecionista de Trump. “Se realmente houver uma guerra comercial, temos mais munição que qualquer outro país”, disse Ross. Essa ameaça de Trump — de impor novos aumentos tarifários em busca de um “comércio mais justo” — segue influenciando nos movimentos dos mercados. O risco de uma guerra comercial é o que pressiona os ativos de risco no exterior.

Novos nomes no parlamento… Alberto Bagnai e Claudio Borghi, um dos principais membros do partido Liga, foram os escolhidos para liderar o Comitê de Finanças do Senado e da Comissão de Orçamento da Câmara dos Deputados na Itália, respectivamente. A notícia não animou os mercados. Isto, porque Bagnai e Borghi já se manifestaram contrários as restrições orçamentárias da UE. Mais: Bagnai também é a favor de políticas de imigração mais duras. Em suma: a situação política na Itália volta a desestabilizar os mercados do continente.


BRASIL: IBOVESPA EM BAIXA; DÓLAR E DIS AVANÇAM.

Mercados… O dólar segue com viés altista, enquanto DIs são pressionados para cima. O Ibovespa intensifica as perdas, e recua mais de 1%, acompanhando o movimento de seus pares bolsas internacionais. A percepção de risco, medida pelo CDS de 5 anos, também tem leve baixa (~1%, ao redor das 14h25), e opera por volta dos 268 pontos base. Ainda assim, reiteramos o clima de cautela para ativos de risco local. Afinal, por aqui, a janela de curto prazo não nos parece muito favorável. Lá fora, o exterior também não parecem contribuir — pelo menos por enquanto — para uma melhora significativa para ativos domésticos.

Sobre o Ibovespa… Suzano e Fibria figuram entre as maiores altas do Ibovespa. A expectativa de novos reajustes de preços, além do dólar mais forte, contribuem para o desempenho positivo dos papéis. Na outra ponta, Petrobras recua. Os papéis refletem a desvalorização do petróleo no mercado internacional, e falta de clareza no texto do projeto de lei da cessão onerosa (aprovado ontem pela Câmara). Em paralelo, o julgamento da ação trabalhista pelo TST também influencia no movimento dos ativos da estatal (veja mais no Guide Empresas).

A Lava Jato… A PF e o MPF deflagraram, nesta manhã, uma operação para cumprir 15 mandados de prisão. A operação faz parte das investigações sobre superfaturamento das obras do Rodoanel Viário Mário Covas, em São Paulo. As obras foram iniciadas durante gestão de Geraldo Alckmin (PSDB-SP), ex-governador e atual candidato à Presidência pelo partido. Um dos principais alvos da operação é Laurence Casagrande Lourenço. Lourenço foi secretário de Transportes e Logística no governo Alckmin, e hoje é o atual presidente da Cesp.

Do lado macro: IPCA-15… IPCA-15… Falamos disto no Mercados Hoje . A inflação acelerou em junho, em grande parte, por conta dos problemas de abastecimento decorrentes da greve dos caminhoneiros sobre os preços de alimentos. O efeito ocorreu, sobretudo, nos alimentos in natura, e combustíveis, em conjunto com a pressão altista de energia elétrica, em vista do acionamento da bandeira vermelha patamar 2 em junho. Em relação ao mês anterior, 5 dos 9 grupos apresentaram avanço, com destaque para “Alimentação e Bebidas” (de -0,05% para 1,57%), “Transportes” (de -0,35% para 1,95%) e “Habitação” (de 0,45% para 1,74%).


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : -1,45%, aos 71.080 pontos;
    Real/Dólar: +0,55%, cotado a R$3,793;
    Dólar Index: -0,30%, 94,838;
    DI Jan/21: +08 pontos base; 9,750%;
    S&P 500: -0,63%, aos 2.950 pontos.

    *Por volta das 14h14, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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