Segundo Tempo: Mercado de olho no Datafolha; Dívida bruta preocupa

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Introdução: Bolsas europeias operam em baixa; Americanas no verde; Destaque positivo para o petróleo que segue se valorizando e opera em nível acima de US$82,00 o barril; Mercado segue concretizando a reação negativa frente a nova meta de déficit fiscal italiana; Papéis de bancos europeus sofrem; Mercado espera divulgação da nova pesquisa do Datafolha; PNAD divulga novos dados de estudo referente ao desemprego; Dívida bruta segue preocupante.


CENÁRIO EXTERNO: MERCADO EUROPEU SEGUE SOFRENDO COM DECISÃO DO GOVERNO ITALIANO.

Mercados… As bolsas da Europa operam em baixa. O índice Stoxx 600 cai 0,83%. Nos EUA, as bolsas operam com ganhos. O dólar (DXY) segue valorizando 0,14% no dia. O preço das commodities operam predominantemente com altas, destaque para o café, que sobe cerca de 4% . O preço do petróleo (brent) sobe 1,28% e ultrapassa a marca de US$ 82,50/barril.

Todos por um… Os olhos do mercado seguem voltados para a Itália nesta tarde. O anúncio do governo, de que a meta de déficit fiscal ficaria em torno de 2.4% do PIB, desencadeou uma queda do preço dos papéis italianos nesta manhã. No início desta tarde, os juros dos títulos do governo com vencimento de 10 anos tiveram uma alta de 24 pontos base e chegam ao patamar de 3.15%. Neste cenário, os bancos europeus também sofrem importante desvalorização de seus papéis, com o índice Stoxx, que mede o desempenho dos bancos europeus, cai cerca de 4% até o momento. Apesar da reação inicial do mercado, Luigi de Maio, Ministro da Economia, defende que conversas com investidores do setor privado devem começar em breve e que situação não preocupa.

Tudo conforme o esperado… O deflator do PIB americano (PCE) saiu hoje e confirmou as expectativas de estabilidade, se mantendo a 2%. Este resultado reforça a decisão do FOMC desta quarta-feira, de subida do juros em 0,25 pontos base. O PCE é um dos principais indicadores de inflação que o FED utiliza para balizar suas decisões de política monetária.

 


BRASIL: DESEMPREGO, DÍVIDA (DO GOVERNO) E O DATAFOLHA NOTURNO.

Continuamos a esperar… Como falamos mais cedo, no mercados hoje, o mercado espera ansiosamente pelo resultado da pesquisa Datafolha que irá sair durante o Jornal Nacional. A pesquisa é maior que as anteriores e entrevistou mais de 9.000 pessoas.

A tendência é a correta, a velocidade que preocupa… Foi divulgado hoje pela manhã os dados referentes ao desemprego. Na série com ajuste sazonal, a taxa recuou de 12,3% para 12,2%. A elevação de 0,3% na margem da população ocupada foi parcialmente compensada por aumento de 0,2% da força de trabalho (mais pessoas passaram a buscar trabalho). O emprego formal, no entanto, recuou 0,1%. A taxa de participação com ajuste sazonal se elevou de 61,4% para 61,5%. Portanto, os dados da PNAD referentes ao trimestre encerrado em agosto continuaram mostrando sinais mais positivos na margem: houve crescimento tanto da população ocupada e da força de trabalho, além de aceleração dos salários reais. No entanto, a lenta velocidade de recuperação do mercado de trabalho e o aumento do trabalho informal (em sua grande maioria) continuam gerando preocupações.

A tendência é errada e a velocidade pior ainda… Em agosto, o setor público consolidado (todas as esferas governamentais) apresentou um déficit de R$16,9 bilhões. O dado surpreendeu positivamente e veio abaixo da mediana das expectativas (-R$19,9 bilhões). No acumulado do ano, o resultado primário do setor público consolidado foi deficitário em R$ 34,7 bilhões, acumulando resultado de -R$ 84,4 bilhões em 12 meses (1,25% do PIB). A dívida bruta do governo geral manteve trajetória ascendente e totalizou R$ 5.224 bilhões (77,3% do PIB). A devolução de R$ 70 bilhões do BNDES ao Tesouro Nacional impediu um maior crescimento do estoque da dívida bruta que continua sendo um dos indicadores mais preocupantes no tocante a nossa política fiscal.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,57%, aos 79.549 pontos;
Real/Dólar: 0,10%, cotado a R$ 4,01;
Dólar Index: 0,14%, 95,02;
DI Jan/21: +4 pontos base, 9,50%;
S&P 500: 0,11% aos 2,917 pontos.

*Por volta das 13h30, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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