Introdução: As bolsas da Europa fecharam a sessão com viés positivo, e os mercados americanos acompanham o movimento. Os investidores digerem o encontro de Trump com Theresa May, no Reino Unido. O dólar tenta se recuperar lá fora, mas segue “fraco”; enquanto commodities têm dia mais negativo. No Brasil, Ibovespa avança, e opera acima dos 76 mil pontos. DIs e CDS-Brasil seguem em baixa, em dia positivo para ativos de risco (comentamos isto pela manhã).


CENÁRIO EXTERNO: BOLSAS GLOBAIS RECUPERAM O FÔLEGO.

Mercados… As bolsas europeias encerram a sessão em alta, em sua maioria. O índice Stoxx 600, por exemplo, fechou com ganhos de 0,2%. Nos EUA, Dow Jones e S&P 500 se recuperam de um início de sessão menos claro, e também avançam. Trump e Theresa May, prêmie britânica, minimizaram os atritos comerciais recentes – algo que contribui para ampliar os ganhos dos ativos de risco no exterior. As atenções se voltam também aos balanços das empresas, nos EUA. O dólar perde forças frente aos seus principais pares, mas opera estável, ao redor das 15h. As commodities também têm dia mais negativo. O barril do brent , no entanto, segue em alta (próximo dos US$75/barril).

“May Day”… Trump mudou o tom, e voltou a afirmar, nesta 6ª feira (13), um possível acordo comercial bilateral com o Reino Unido, após saída dos britânicos da União Européia. Segundo Trump, May segue realizando um “trabalho fantástico”. A mudança de postura de Trump foi algo que impulsionou os mercados internacionais. Vale lembrar: na última semana, May obtivera apoio de seu gabinete para seus planos do Brexit. Entretanto, logo depois do anúncio, 2 de seus principais ministros renunciaram. Trump teria questionado a estratégia de May, e definiu Reino Unido como um “país em caos”.

“Hoje concordamos que, agora que o Reino Unido está deixando a União Europeia, buscaremos um acordo de livre comércio EUA-Reino Unido ambicioso”, disse Theresa May, premiê britânica.

Balanços… Nos EUA, JP Morgan e Citigroup deram início a temporada de balanços do 2º tri. Os números vieram sólidos, e ambas as instituições reportaram um lucro líquido acima do esperado pelo mercado. O Citi, entretanto, reportou um crescimento mais fraco na receita – motivo suficiente para pressionar os papéis do banco para baixo nesta sessão. Para as próximas semanas, os balanços devem continuar a influenciar nos movimentos dos mercados. Atenção à temporada como um todo.

Agenda de hoje… Nos EUA, os dados do front macro decepcionaram. A confiança do consumidor, calcula pela Universidade de Michigan, atingiu 97,1 pontos em julho. Embora ainda em patamar elevado, o mercado esperava estabilidade, em 98,0 pontos. Isto contribuiu para diminuir a força do dólar no exterior (que se valorizava pela manhã).


BRASIL: MERCADOS ACOMPANHAM O EXTERIOR.

Em alta… O Ibovespa acompanha o bom humor dos mercados internacionais, e avança nesta sessão. Tem suporte do investidor estrangeiro – o suficiente para reduzir as perdas do índice no acumulado deste ano (~0,5%). Ainda assim, em 2018, o mercado local acumula um saldo negativo de recursos estrangeiros próximo de R$9 bi, segundo dados da BM&FBovespa. Por volta das 15h, o índice oscilava acima dos 76 mil pontos.

Destaques do Ibovespa… A alta do índice é impulsionada pelo setor financeiro, que acompanha a queda da percepção de risco país; e Petrobras, que avança em linha com a valorização da commodity. Pão de Açúcar também é destaque da sessão. Pela manhã, o GPA divulgou seu relatório de vendas, com números fortes. O Atacadista Assaí segue impulsionando as vendas do grupo, além dos ganhos de market share do grupo no mercado local. Tais fatores minimizaram os impactos negativos da greve dos caminhoneiros. Na outra ponta, Embraer e Ultrapar limitam as altas do índice.

Mais sobre os mercados… Os DIs, e também o CDS de 5 anos, ativo que mede a percepção de risco país, recuam, em dia mais positivo para ativos de risco. O dólar também opera em queda frente ao real, acompanhando o movimento do exterior. Mas é importante notar: não vemos, a partir de agora, uma tendência de baixa do dólar por aqui. No curto prazo, o viés segue sendo altista, em nossa opinião.

A Eletrobras… Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo, disse que a União deve recorrer da decisão judicial que suspendeu o leilão das distribuidoras da Eletrobras, marcado para 26 de julho. Mais: por ora, o governo não trabalha com uma mudança de data para o certame. Falamos disto no Guide Empresas . O leilão foi suspenso pela Justiça Federal do Rio de Janeiro ainda ontem. A decisão teve como base o Senado não ter votado projeto de lei sobre a privatização das distribuidoras.

E o Brasil com isso? Aproveitamos o Segundo Tempo de hoje para abordar alguns alguns pontos sobre o conflito comercial entre EUA e China, e seus impactos possíveis sobre o Brasil.

Impactos da Guerra Comercial…. A China é o maior importador de soja do mundo. Ao implementar uma elevação de 25% nas taxas sobre a soja americana, os chineses já elevaram em 3 milhões de toneladas a compra do produto brasileiro. O prêmio pago pelos chineses, à nossa soja, também aumentou. Blairo Maggo, ministro da Agricultura, entretanto, está preocupado.

As razões para isso… A crescente tensão comercial envolvendo EUA e China é extremamente negativo para o comércio global. Isto pode levar a um aumento desenfreado de tarifas/sobretaxas, aumentando os custos das exportações, o que acaba gerando uma diminuição do comércio internacional (e, consequentemente, desacelera as economias). Este é um risco não-desprezível.

Sendo mais claro… O maior prêmio pago à soja brasileira não compensa a perda de volumes do comércio global. Mais: o preço da soja no Brasil fica ainda mais caro e deve encarecer a ração brasileira para as indústrias de frango e suínos, por exemplo. Em suma, os conflitos comercias devem continuar a impactar as indústrias de alimentos locais, e isto é algo que vale monitorar…


    Sobre as oscilações do pregão:

    SOBRE O FECHAMENTO DO ÚLTIMO PREGÃO:

    Ibovespa: : +0,60%, aos 76.310 pontos;
    Real/Dólar: -0,65%, cotado a R$3,856;
    Dólar Index: -0,10%, 94,745;
    DI Jan/21: -09 pontos base; 9,220%;
    S&P 500: +0,08%, aos 2.801 pontos.

    *Por volta das 16h14, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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