Introdução: No exterior o dia permanece em tom negativo para as bolsas. O dólar avança e commodities operam sem forças. No radar, Argentina vê sua moeda desabar frente escalada do dólar. Por aqui, o movimento do mercado não é diferente. O Ibovespa recua e pressões de alta são registradas nos mercados de câmbio e juros. Em dia de disparada do dólar, o BC o anuncia nova intervenção.


BRASIL: MERCADOS ACOMPANHAM O EXTERIOR.

Mercados… As bolsas dos EUA operam com perdas, acompanhando a sessão negativa dos mercados europeus. Na contramão, o índice de NASDAQ registra ganhos (+0,25%), impulsionado pelo setor tech. O dólar registra forte alta no exterior; e avança frente a seus pares e emergentes. Destaque para o peso argentino, que registra o pior desempenho. As commodities seguem operando com ganhos limitados. O brent, em especial, oscila ao redor de US$77-78/barril. Os juros das Treasuries operam em baixa (10 anos ~2,86%). Por fim, a volatilidade do mercado, medida pelo índice VIX, sobe 2% (~14h45). Conforme abordamos mais cedo, o dia se mantém em tom mais desfavorável para ativos de risco.

Em queda livre… O governo argentino anunciou no final desta manhã, que está buscando maneiras de acelerar uma redução de seu déficit fiscal e conter os riscos financeiros, mas não foi o suficiente para tranquilizar o mercado, que pouco tempo após a abertura da sessão já registrava forte pressão altista da moeda americana. O dólar voltou a disparar chegando a 39 pesos (desvalorização de 14,4% — por volta das 14h45 — de um dia para o outro), alcançando uma nova mínima histórica e com uma perda de metade de seu valor no ano. No meio do pacote de medidas para conter o colapso de sua moeda, o banco central argentino anunciou que elevou sua taxa de juros para 60%, de 45%, e que aumentou em 5 p.p. a taxa de compulsório para bancos privados.A Argentina atravessa uma forte crise financeira e acertou com o FMI um empréstimo de US$ 50 bilhões, pelo qual o governo se compromete a reduzir seu déficit a 1,3% do PIB em 2019.

De volta ao 1º capítulo… O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que vai aliviar as cotas de importação de aço e alumínio que excedam as cotas livres do pagamento das sobretaxas impostas pelo governo em março. A decisão de flexibilizar a tarifa, publicada no portal da Casa Branca, permitem o alívio das cotas de aço da Coreia do Sul, Brasil e Argentina e do alumínio da Argentina. A decisão foi tomada após pressão da indústria americana e a análise de um relatório do Departamento de Comércio, que relatava as dificuldades das empresas americanas devido a falta dos produtos.Para que o afrouxamento das taxas aconteça, as empresas precisarão comprovar a falta do material nos EUA ou a falta de atendimento aos parâmetros de qualidade para a venda da matéria-prima. Na prática, a decisão autoriza que a matéria-prima seja comprada sem a inclusão das sobretaxas, mesmo que o valor limite final da exportação seja ultrapassado.

No centro da meta… O índice PCE — o deflator do consumo; a medida de inflação mais “olhada” pelo Fed – registrou um ligeiro avanço de 2,2% para 2,3%, em linha com o esperado pelo mercado. O “núcleo”, medida que desconsidera preços de energia e alimentação, também avançou 0,1 p.p., de 1,9% para 2%. Isso é, alcançou a meta do FED. Os gastos dos consumidores, que representam mais de dois terços da atividade econômica do país, aumentaram com força em julho, subiram 0,4% (depois de avançarem a mesma taxa em junho) indicando forte crescimento econômico no início do terceiro trimestre.


BRASIL: MERCADOS ACOMPANHAM O EXTERIOR.

Mercados… Em linha com o esperado, a bolsa recua, e pressões de alta são registradas nos mercados de câmbio e juros. O Ibovespa oscila entre 76-77 mil pontos. O dólar supera os R$4,15. O anúncio do BC de oferta de venda de 30 mil contratos de swap cambial em leilão extraordinário não “mexe” com os mercados. Os DIs – tanto os mais longos como os curtos – avançam, aumentando a inclinação da curva, em linha a cautela dos investidores no exterior e front político local. O CDS de 5 anos, que mede a percepção de risco país, também tem alta (e opera ao redor de 300 pontos base, por volta das 15h).

Ibovespa… Os papéis do setor financeiro figuram entre as maiores perdas, pressionados pelo avanço do prêmio de risco país (CDS). Eletrobras também era destaque de baixa, em meio a expectativa do leilão das distribuidoras. Do lado positivo, CSN avançava nesta sessão, reflexo das notícias corporativas após cancelamento da distribuição de dividendos. Confira mais no Guide Empresas.

Eleições… Por aqui, as atenções seguem voltadas à política. O mercado digere o desempenho de Alckmin em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, ontem à noite. Falamos disto no Mercados Hoje. O resultado da Pesquisa DataPoder360 de agosto também é destaque. Segue mostrando um Bolsonaro (PSL) consolidado; e possibilidade de uma tranferência de votos intensa de Lula para Haddad.

“Já tínhamos detectado nas nossas pesquisas. Ele tem chance, sim, de ir ao 2º turno. Na minha avaliação, o potencial do Geraldo garante que também estaremos lá”, disse Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, comentando sobre o desempenho de Haddad.

Desemprego… A taxa de desemprego do trimestre encerrado em julho, segundo a pesquisa PNAD Contínua do IBGE, passou de 12,4% para 12,3%, em linha com o esperados pelo mercado, segundo dados da Bloomberg. Na série com ajuste sazonal, a taxa permaneceu em 12,3%. Houve ligeiro aumento da população ocupada (0,3% m/m), compensada por um aumento de 0,2% da força de trabalho. A taxa de participação com ajuste sazonal avançou de 61,3% para 61,4%. Resumindo: os números trouxeram sinais mais positivos no último mês. Ainda assim, a recuperação do mercado de trabalho segue em ritmo (muito) gradual.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -2,03%, aos 76.799 pontos;
Real/Dólar: +1,39%, cotado a R$4,162;
Dólar Index: +0,11%, 94,710;
DI Jan/21: +03 pontos base, 9,910%;
S&P 500: -0,50% aos 2.899 pontos.

*Por volta das 15h14, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

Equipe Econômica

Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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