Segundo Tempo: espere mais juros neste ano

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Introdução: Os juros subiram nos EUA, em linha com o esperado pelo mercado. Esta foi a 2ª elevação de 2018. O Fed, agora, espera mais 2 elevações neste ano. Ou seja: serão 4 ao todo, e não 3, como o Fed previa até março. As atenções dos investidores agora se voltam à fala/sinalizações de Jay Powell, o presidente do Fed (15h30). No Brasil, seguem os rumores sobre possíveis alianças entre os partidos. No front macro, vendas no varejo surpreendem positivamente, mas maio deve ser fraco. O mercado reage ao exterior; e o BC fez preço, após novo dia de intervenções no mercado cambial. Após o Fed, o dólar passou a subir, revertendo a queda.


CENÁRIO EXTERNO: FED, FED, FED.

O “básico” sobre os mercados… As variações nos mercados internacionais, pré-decisão do Fed, eram pouco expressivas. As bolsas da Europa apresentaram hoje um viés pouco claro; após sessão também mista na Ásia. Nos EUA, Dow Jones e S&P 500 oscilavam próximos do zero a zero. O dólar se enfraquecia, e os juros das Treasuries caíam. 

Sobre as decisões do Fed… O BC dos EUA elevou os juros de 1,50-1,75% a 1,75-2,00% ao ano, em linha com o esperado. Para este ano, ainda prevê 2 elevações adicionais. Isto deverá levar os juros para 2,25-2,50% ao ano. Para 2019, espera 3 elevações; para 2020, mais 1. No longo prazo, o Fed prevê uma taxa de juros de 2,75-3,00% ao ano. Além disso, o Fed agora prevê um crescimento de 2,8% neste ano; uma taxa de desemprego de 3,6% e uma inflação (índice PCE) de 2,1%. Em março, o Fed previa 2,7%, 3,8% e 1,9%, respectivamente.

À espera de Powell… Na sequência (15h30), falará Jay Powell, o presidente do Fed. Suas sinalizações podem fazer preço nos mercados. Será importante acompanhar sua fala, e sessão de perguntas e respostas. Em nossa opinião, elevação de juros e expectativa por uma economia ainda bastante aquecida à frente manterão o ambiente menos propício para os mercados dos emergentes.

Fitch revisa o seu cenário… A agência de classificação de riscos Fitch Ratings divulgou a atualização de seu “Global Economic Outlook (GEO)”. Neste documento, diz que espera 4 elevações de juros neste ano nos EUA. Para 2019, prevê outros 3 aumentos.


BRASIL: BC FAZ PREÇO NO DÓLAR..

Lula & Josué… Uma dobradinha entre Josué Gomes, da Coteminas e filiado ao PR, com Lula, do PT, parece ser uma chapa possível para concorrer ao Planalto. Ao menos, é uma alternativa que, aos olhos do PT, faria algum sentido. Que Lula não concorrerá é quase certo, mas, o discurso, seria outro: Josué apareceria primeiramente como candidato a vice e, quando ficar claro que Lula não tem condições, se tornaria o cabeça de chapa.

Faz sentido? Segundo a newsletter Drive, do jornalista Fernando Rodrigues, esta é uma dobradinha que há algum tempo tem sido cogitada, embora não faltem empecilhos. Caso vingue, a chapa seria competitiva, afirma. Mas vale notar: como falamos pela manhã (veja o Mercados Hoje ), alianças, neste momento, nos parecem muito pouco prováveis.

BC volta ao mercado…  Foi mais um dia de intervenções do mercado cambial. O BC ofertou 40 mil contratos de swap cambial, contribuindo para a queda do dólar por aqui. O movimento está em linha com o observado no exterior, à espera da decisão do BC americano.

Sobre as vendas no varejo… Segundo dados divulgados nesta manhã, as vendas no varejo (restrito) surpreenderam positivamente em abril. Frente a março, cresceram 1,0%, acima dos 0,6% esperados. O número anterior foi revisado para cima, de 0,3% para 1,1%. Frente a abril de 2017, as vendas subiram 0,6%, contra expectativa de queda de 0,5%. Considerando o varejo ampliado – que incorpora veículos e materiais de construções –, o varejo avançou 1,3% em abril frente a março, após 1,1%; e cresceu 8,7% frente a abril de 2016, após 8,8% em março.

E aí? Apesar dos bons dados de atividade em abril, os números de maio devem ser fracos, em reflexo às paralisações dos caminhoneiros. À frente, a piora da confiança pode deteriorar o crescimento esperado da atividade. No atual momento, o varejo restrito, com base nos dados disponíveis, deve recuar 4,0% frente a abril, e 0,6% frente a maio de 2017.

E os mercados hoje? Em linha com o esperado, o Ibovespa mantém viés baixista nesta sessão. Pouco antes da decisão do Fed, oscilava ao redor de 71,4 mil pontos. O Real se valoriza, em linha com o ambiente externo. Os DIs, por outro lado, apresentam viés altista. O mercado ainda mantém nos preços a possibilidade de o BC, no Copom deste mês (dias 19 e 20), subir os juros para 7,00%. Aqui, após o Fed, o dólar ganhou forças; os DIs seguiam com viés altista, e o Ibovespa segue no vermelho.

 


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : -1,40%, aos 71.738 pontos;
    Real/Dólar: +0,07%, cotado a R$3,722;
    Dólar Index: -0,06%, 93,761;
    DI Jan/21: +17 pontos base; 9,920%;
    S&P 500: +0,01%, aos 2.787 pontos.

    *Por volta das 15h14, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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