Segundo Tempo: em modo “espera”

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Introdução: No exterior, o ambiente segue favorável para ativos de risco. As bolsas dos EUA sobem, enquanto os mercados na Europa encerraram com ganhos. Lá fora, o dólar perde forças; e commodities operam com viés altista. Aqui, no Brasil, o Ibovespa não acompanha a melhora de humor dos mercados externos. O índice recua, e o dólar avança neste início de tarde. Investidores locais digerem as pesquisas eleitorais.


CENÁRIO EXTERNO: DIA POSITIVO PARA AS BOLSAS GLOBAIS.

Mercados… As bolsas da Europa têm boa sessão, e sobem. O dólar perde forças no exterior; e commodities seguem reportando alguma melhora. O brent tem alta de 0,5%, com o barril ao redor de US$72,7. Os juros das Treasuries também avançam: os papéis de 10 anos oscilam ao redor de 2,85%. Nos EUA, Dow Jones e S&P 500 sobem. O índice VIX, um termômetro da aversão a risco, recua mais de 2% nesta tarde.

Em modo “espera”… Lá fora, é dia de agenda fraca, e investidores ficam de olho – e à espera – do evento de Jackson Hole (EUA). A conferência acontece desde 1978, organizado pelo Fed de Kansas. Embora o mercado financeiro não participe em peso deste evento (costuma ter maior presença de acadêmicos e dirigentes de BCs), todos estarão atentos — de uma forma ou de outra — às possíveis sinalizações referentes à trajetória da redução dos balanços dos BC’s e trajetória dos juros nos EUA. Por sinal, esta será a 1ª conferência liderada pelo novo presidente do Fed, Jerome Powell, que discursa na 6ª feira (24).

Um pouco mais sobre o Jackson Hole… Historicamente, o evento tem antecipado grandes tendências, e — em alguns casos — influenciando nos movimentos dos mercados emergentes. Vale recordar: em 2012, Ben Bernanke, presidente do Fed na época, antecipou o anúncio de uma nova rodada de estímulos monetários; em 2014, foi Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE), que antecipou novos estímulos para o bloco europeu. Este ano, em especial, marca os 10 anos pós crise de 2008. Esperamos alguma novidade…

 


BRASIL: FRONT POLÍTICO SE SOBREPÕE.

Um dia menos positivo… O real se deprecia frente ao dólar, em dia mais fraco para as divisas dos emergentes. O real tem, diga-se de passagem, a pior performance frente à moeda dos EUA (considerando este grupo de países). O Ibovespa, intensifica as perdas nesta tarde, e não acompanha o bom humor das bolsas globais. No mercado de juros, a maioria dos DIs apresenta pressão altista. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, também avança (~2%, ao redor das 13h30); e opera por volta dos 248 pontos base. Não nos surpreende o desempenho menos positivo, diante do noticiário local…

Sobre o Ibovespa… O índice oscilava abaixo dos 76 mil pontos no início dessa tarde. Os papéis do setor financeiro figuram entre as maiores perdas, pressionados pelo avanço do prêmio de risco país (CDS). Do lado positivo, Vale e JBS limitam as perdas do Ibovespa. Minerva também é destaque de alta nesta sessão. Os papéis ordinários avançavam mais de 10%, reflexo das notícias corporativas em torno da possibilidade de fechamento de capital da companhia. Confira mais no Guide Empresas.

No front político… Aqui, o dia também é fraco em termos de agenda macro. Assim, Investidores digerem os dados da pesquisa eleitoral CNT/MDA e Ibope (falamos disto no Mercados Hoje). Em suma, os resultados não trouxeram grandes surpresas: ambas as pesquisas mostraram a estagnação de Alckmin (PSDB); e a potencial transferência de votos de Lula para Haddad (PT). Conforme temos comentado em nossos últimos relatórios, aumentam as chances de Haddad (PT) avançar nas eleições na medida em que for apresentado como o candidato do PT. As notícias não agradam o mercado. Afinal, Haddad poderá ainda atrair — nas próximas pesquisas — votos de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e de outros candidatos considerados como de esquerda.

Mais pesquisas… Amanhã (4ª feira, dia 22) será divulgado a pesquisa Datafolha, encomendada pelo Grupo Globo e jornal Folha de S. Paulo. Serão mais de 8 mil entrevistados em todo o Brasil. O questionário testará 2 cenários: um com Lula como candidato do PT; e outro com Hadddad em seu lugar. O levantamento ainda fará 10 simulações para o 2º turno. Vale a pena acompanhar a medição do poder de transferência de votos de Lula; além das rejeições dos candidatos a presidência.

Alckmin ou Meirelles… Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo, disse que Temer deverá desistir das reformas se Geraldo Alckmin (PSDB) ou Henrique Meirelles (MDB) não forem eleitos. A declaração do ministro chama atenção: é mais uma sinalização de proximidade do governo em direção aos seus aliados. O recado também é destinado aos membros do partido que preferem fazer campanha junto ao PT (como é o caso do presidente do Senado, Eunício Oliveira, CE).

“Só tentaremos avançar nas reformas, especialmente a da Previdência, se for vencedor nas eleições um projeto reformista”, disse Carlos Marun.


    Sobre as oscilações do pregão:

    SOBRE O FECHAMENTO DO ÚLTIMO PREGÃO:

    Ibovespa: : -0,62%, aos 75.853 pontos;
    Real/Dólar: : +0,57%, cotado a R$3,992;
    Dólar Index: -0,61%, 95,316;
    DI Jan/21: +15 pontos base; 9,520%;
    S&P 500: +0,47%, aos 2.870 pontos.

    *Por volta das 14h23, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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