Introdução: No exterior, o quadro é mais positivo para ativos de risco. As bolsas globais avançam, e o dólar se valoriza frente aos principais pares. As commodities, por sua vez, operam em baixa (em sua maioria). Investidores digerem as falas de Jay Powell. Por aqui, os mercados locais também reagem de forma positiva, em linha com o quadro externo. Dólar e DIs mantém viés baixista. A bolsa avança, e o Ibovespa opera acima dos 77 mil pontos.


CENÁRIO EXTERNO: ATENTOS À JAY POWELL.

Mercados… As bolsas da Europa se recuperam do início mais negativo desta sessão, e sobem. O movimento de alta é acompanhado pelas bolsas dos EUA. O dólar se mantém forte no exterior, enquanto os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,85%). As commodities seguem mistas. O petróleo (brent) opera próximo da estabilidade, cotado ao redor de US$72/barril. O dia tornou-se mais positivo para ativos de riscos globais após discurso de Jay Powell, presidente do Fed, no Senado (11h) dos EUA. Afinal, tudo indica que os juros continuarão a subir por lá, de forma “gradual”.

Powell, no Senado… O presidente do Fed fez uma boa avaliação da economia dos EUA. Desde fevereiro (a última vez que Powell esteve no Senado), “o mercado de trabalho continuou a se fortalecer, e a inflação subiu” . Aliás, dados recentes mostram que o 2º tri fora mais forte que o 1º. Até maio, a inflação é de 2,0% (considerando o “núcleo” do PCE). Espera-se que a normalização gradual da política monetária permita que o mercado de trabalho aqueça ainda mais (segundo Powell, a taxa de desemprego atual é baixa, e espera-se que recue ainda mais), e que a inflação fique próxima de 2,0% nos próximos anos. Com os riscos ao cenário “balanceados”, o Fed acredita, hoje, que o melhor é continuar subindo juros de forma gradual. Porém, como de costume, o Fed afirma que os próximos passos continuarão dependentes dos dados, e da conjuntura.

Dúvidas permanecem… Powell, diante da tensão comercial e da reforma tributária – 2 temas que foram comentados pelos senadores, e citados por ele em seu discurso inicial –, afirma que “é difícil prever o efeito final” sobre a economia. Mas chama a atenção que, em sua avaliação, os riscos de a economia desacelerar estão hoje “balanceados”. Contrasta com a visão do FMI que, ontem (dia 16), em relatório, destacou que os riscos estavam crescendo na economia internacional. A visão de Powell segue, em sua essência, positiva sobre a economia dos EUA. Mas tem feito ponderações sobre a dificuldade de medir algumas variáveis, e compreender os efeitos de determinadas políticas sobre a economia.


BRASIL: IBOVESPA AVANÇA; DÓLAR E DIS COM VIÉS DE BAIXA.

Mercados… Ao contrário do que esperávamos pela manhã, a bolsa avança, e pressões de baixa são registradas nos mercados de juros e câmbio. O Ibovespa amplia os ganhos, e opera acima dos 77 mil pontos. O dólar tem ligeira baixa, e oscila próximo de R$3,86. O CDS de 5 anos, que mede a percepção de risco país, opera próximo da estabilidade (ao redor de 246 pontos base, por volta das 14h). Os ativos de risco doméstico mantiveram o movimento de recuperação, beneficiados pelo quadro mais positivo no exterior.

Sobre o Ibovespa… O índice é impulsionado pelos ganhos de Vale e Petrobras. Gol também é destaque nesta sessão. Os papéis preferenciais da Gol avançam mais de 5%, reflexo do fluxo de notícias corporativas mais positivas. Ainda ontem, a Gol anunciou a aquisição de novos jatos da Boeing (falamos disto no Guide Empresas). Na outra ponta, Cielo e Pão de Açúcar recuam, em um movimento de realização.

Embraer… A fabricante de aeronaves também é destaque nesta sessão. Os papéis operam com ganhos, reflexo dos contratos fechados na feira de aviação Farnborough Air Show. A empresa anunciou potencial de negócios para 300 aeronaves no valor de US$ 15 bi. Dentre os clientes: Republic Airways, Wataniya Airways, do Kuwait, Helvetic Airways e Mauritania. Os novos pedidos devem impulsionar o backlog da companhia; e assim, minimizar o receio dos investidores sobre quadro desafiador para sua carteira de pedidos nos próximos anos.

Marcio França e o PSB… No front político, as atenções se voltam às possíveis alianças partidárias para as eleições de outubro. Hoje, Márcio França (PSB-SP), governador de São Paulo, disse que seu partido deverá oficializar o apoio ao seu candidato à Presidência próximo do dia 5 de agosto (data final das convenções). Para França, uma aliança com o PDT (de Ciro Gomes) seria estratégico. Afinal, aumentaria seu tempo de TV, subindo de 20 para 22 inserções de TV no horário eleitoral gratuito.

Mais sobre o PSB… O quadro, entretanto, permanece incerto. Isto, porque Paulo Câmara (PSB-PE), governador do Pernambuco, defende apoio nacional do seu partido ao PT. Já Júlio Delgado, líder do PSB na Câmara dos Deputados, passou a defender — nos bastidores — uma candidatura própria do partido à presidente. Vamos acompanhar. As alianças partidárias é algo que deve contribuir para aumentar a volatilidade dos ativos de riscos domésticos, no curto prazo.


    Sobre as oscilações do pregão:

    Ibovespa: : +2,22%, aos 78.353 pontos;
    Real/Dólar: -0,10%, cotado a R$3,856;
    Dólar Index: +0,53%, 95,012;
    DI Jan/21: -08 pontos base; 9,100%;
    S&P 500: +0,48%, aos 2.812 pontos.

    *Por volta das 14h24, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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    Rafael Gad Passos Rafael Gad Passos

    Equipe Econômica

    Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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