Introdução: As bolsas da Europa encerram a sessão sem direções claras; enquanto as bolsas de NY ampliam os ganhos. O dólar perde forças frente aos principais pares; e as commodities operam em baixa. Por aqui, os mercados locais reagem de forma negativa nesta sessão. Dólar e DIs mantém viés altista, reagindo às incertezas locais; a bolsa recua, e o Ibovespa opera abaixo dos 75 mil pontos.


CENÁRIO EXTERNO: ATENTOS À DRAGHI.

Mercados… As bolsas da Europa encerram a sessão sem direções claras, em dia de discurso de Draghi, presidente do BCE. Em NY, as bolsas operam com ganhos, após dados de inflação dos EUA mais fracos que o esperado. O dólar ainda fraco no exterior, e os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,95%). As commodities também operam no negativo. O brent tem baixa próxima de 1,5%; e oscila ao redor de US$78-79/barril.

Nos EUA: dados de inflação… A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) está em 2,7% no acumulado em 12 meses, até agosto. Ficou marginalmente abaixo do esperado pelo mercado. Considerando o “núcleo” da inflação – ou seja, desconsiderando preços de energia e alimentação, que detêm maior volatilidade –, a inflação está em 2,2%, também abaixo do esperado pelo mercado (2,4%). Segue, portanto, a sinalização de uma economia americana forte, mas sem pressões inflacionárias. Algo que indica a perspectiva de uma gradual aceleração da inflação americana.

Sobre a reunião do ECB… O destaque da sessão era a reunião do BC Europeu. De forma geral, os juros foram mantidos inalterados, em linha com o esperado pelo mercado. O BCE também espera que os juros continuem estáveis, nestes níveis, ao menos até o “verão de 2019”. A compra de ativos mensais – o “QE” – segue no patamar atual de 30 bi de euros até o final de setembro; e de 15 bi de euros até o final de dezembro. A partir daí, as compras terminam.

Um pouco mais do BCE… Draghi, em sua fala inicial, voltou a destacar as incertezas relacionadas ao comércio global. Fato este revisou para baixo as projeções do crescimento para este ano: passou de 2,1% para 2,0%. Mas, da última reunião do BCE até aqui, argumentou que os dados mostram que a Zona do Euro continua numa trajetória sólida e de abrangente crescimento. Algo que sinaliza que a inflação deverá convergir em direção à sua meta. Ou seja: em nossa visão, não houve muita novidade nas sinalizações do BCE, mas tudo indica que estamos cada vez mais próximos da “normalização” monetária. O euro, por sinal, se fortaleceu frente ao dólar após discurso de Draghi.


BRASIL: MERCADOS REAGEM ÀS INCERTEZAS LOCAIS, E DÓLAR SEGUE EM ALTA.

Mercados… A bolsa recua, e pressões de alta são registradas nos mercados de câmbio e juros. O Ibovespa intensifica as perdas, e oscila abaixo dos 75 mil pontos. O CDS de 5 anos, que mede a percepção de risco país, também recua (e oscila ao redor de 288 pontos base, por volta das 15h). O quadro externo, ainda misto para ativos de riscos e cenário eleitoral (hoje, em especial, sem surpresas) fazem “preços”, por aqui.

Destaques da bolsa… Via Varejo é destaque de alta na sessão. O fluxo de notícias mais positivos para a empresa influencia no papel. Veja mais no Guide Empresas . Na outra ponta, os papéis de Fibria e Suzano operam em queda, com investidores atentos à assembleia sobre a transação envolvendo ambas as companhias. Em nossa visão, esperamos que o negócio seja aprovado pelos acionistas minoritários sem restrições.

Na política: Bolsonaro… Sem novidades no quadro eleitoral, investidores acompanham a situação de Jair Bolsonaro (PSL), que segue internado em UTI. Após recente intervenção cirúrgica, o candidato do PSL deverá ficar fora da “agenda de ruas” , pelo menos, no 1º turno da campanha. O fato trouxe uma cautela adicional ao ativos de riscos, somado à expectativa das novas pesquisas de intenção de voto. É algo que deve continuar a “mexer” com os mercados locais…

Do lado macro: vendas no varejo… Segundos os dados do IBGE, as vendas do varejo restrito recuaram 0,5% m/m em julho na série com ajuste sazonal. O resultado veio abaixo das projeções de mercado (0,3% m/m), segundo a Bloomberg. Em 12 meses, a queda atingiu 1,0% das vendas. No conceito restrito, o recuo foi puxado em maior parte por Móveis e Eletrodomésticos (-4,8% m/m). Também tiveram contribuições negativas: Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-2,5% m/m); Tecidos, Vestuário e Calçados (-1,0% m/m); Equipamentos e Material para Escritório e Informática (-2,7% m/m); e Livros, Jornais e Revistas (-0,9% m/m).

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,31%, aos 74.890 pontos;
Real/Dólar: +0,16%, cotado a R$ 4,1668;
Dólar Index: -0,26%, 94,555;
DI Jan/21: +11 pontos base, 9,880%;
S&P 500: +0,47% aos 2.902 pontos.

*Por volta das 14h37, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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Graduado em Administração de Empresas na ESPM. Possui certificação de Mercado de Ações (BMF&Bovespa). Possui experiência na área de análise do Banco Bradesco Investimentos e atualmente faz parte da equipe de Research da Guide Investimentos, com foco nas empresas do Ibovespa.

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