Introdução: As bolsas da Europa encerraram o dia em baixa. Nos EUA, as bolsas seguem a mesma direção. As atenções se voltam ao risco de emergentes e aos impasses em relação a nova rodada de 200 bilhões de sensações para a China, além de um possível acordo com o Canada. Quanto às commodities, o dia segue misto, com leva alta de 0,30% do barril do WTI. Por aqui, o Ibovespa opera, mais um dia, em queda de -1,16% aos 75365,59 pontos. Dólar mantém viés de alta frente ao Real; e DIs operam em alta, mantendo tendência de abertura da curva. Do lado político, o mercado espera ansiosamente pelo resultado da pesquisa IBOPE, a primeira pós início do horário eleitoral.


CENÁRIO EXTERNO: ARGENTINA, OU VAI OU RACHA.

Mercados… As bolsas da Europa encerraram o dia em queda. O índice Stoxx 600, recuou ao redor de 0,7%. Nos EUA, o dia também é mais negativo, seguindo outras praças internacionais. A volatilidade, medida pelo índice VIX, segue em elevação (sobe mais de 9%). Algumas commodities se recuperaram, mas o viés segue sendo baixista. O brent , por exemplo, tem queda de 0,45%, ao redor das 14h, horário de Brasília. Oscila próximo dos US$78,23 barril.

O tango e o choro do vinho derramado… Na Argentina o peso continua a sua debacle, desvalorizando mais 2,23% e se aproximando dos 40 pesos por dólar. Importante notar que esse é o primeiro dia, pós anúncio de Macri e pós feriado nos Estados Unidos, logo a dinâmica da moeda argentina mostra como o mercado está digerindo o anúncio de medidas emergências, que aumentem o imposto de exportação sobre produtos agrícolas (principal item da pauta de exportações), redução pela metade do número de ministérios, de 22 para 11, teto para o reajuste do salário do funcionalismo público (não poderá mais superar a inflação). Porém analistas dizem que as medidas ainda são insuficientes e que nenhum delas traz alívio imediato.

Promessas não enchem barriga… Macri também prometeu zerar o déficit primário para 2019, o que envolve um esforço fiscal de 2,7% do PIB, porém não cortou gastos, apenas atuou pelo lado das receitas, e mesmo assim não precisou de onde virá o esforço fiscal adicional.

#ChamaOFMI… Após a aprovação de um empréstimo de US$50 bilhões, o maior da história do FMI, a Argentina talvez precise de mais. Uma parcela de US$15bi já foi desembolsada, porém com a intensificação do movimento de depreciação do peso, as necessidades de financiamento do país só aumentam, uma vez que 70% do estoque de dívida Argentina (privado + público) são em dólar, logo um adiamento do FMI se faz necessário no momento. Mas por enquanto o FMI não se pronunciou sobre o adiantamento e muito menos a respeito de um aumento do pacote.

#TalvezChameOFMI… O BC turco também anunciou novas medidas para combater “riscos significativos” para a estabilidade de preços na próxima reunião de política monetária da entidade (marcada 13 de setembro). No ano, entretanto, a lira já recua mais de 43,33% em relação ao dólar, apenas em 2018. Muitos dizem que um acordo com o FMI seja a última esperança turca, caso não exista um estanque na fuga de capitais e na fragilidade da lira.


BRASIL: A ESPERA DO POR DO SOL: PESQUISA IBOPE SAI A NOITE.

Mercados… O Ibovespa dá sequencia ao início mais negativo desta sessão, e permanece em baixa. Bancos, e Vale são as maiores contribuições negativas para o índice. Na outra ponta, o Ibovespa limita as perdas com Suzano e Fibria, em dia de dólar mais forte, e BRF. O cenário doméstico também é de cautela. Investidores, além do quadro externo, aguardam a pesquisa de intenção de votos para presidente do Ibope (prevista para esta noite). Vale notar: a pesquisa mostra a reação dos eleitores após decisão do TSE (que rejeitou a candidatura de Lula) e início da propaganda eleitoral gratuita.

Mais denúncias… O Ministério Público do Estado (MPE) de São Paulo apresentou denúncia contra Fernando Haddad, candidato ao vice do PT, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A denúncia é reflexo das investigações envolvendo a UTC Engenharia, de Ricardo Pessoa. A empresa teria pago uma dívida de R$ 2,6 milhões da campanha de 2012 à Prefeitura com recursos de caixa 2.

Do lado macro: dados da indústria… Segundo IBGE, a produção industrial brasileira registrou queda de 0,2% m/m em julho. Foi o resultado mais fraco para julho desde 2015; mas acima da expectativa de uma desaceleração de -1,5%, segundo a Bloomberg. Frente ao mesmo período de 2017, cresceu 4,0% a/a, também acima dos 3,9% esperados pelo consenso. Dentre as atividades, a maior contribuição negativa veio da fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, bem como da fabricação de produtos alimentícios. Em suma: a atividade segue em ritmo de retomada lento, principalmente, pós paralizações de maio. Nos próximos meses, em ambiente de maior incerteza e fraca confiança dos agentes, não há expectativa de retomada mais expressiva.

Mais sobre os mercados… O dólar ainda avança por aqui. Pouco após às 14h, horário de Brasília, operava na casa dos R$4,17, segundo a Bloomberg. A maioria das moedas dos emergentes hoje perde forças, diga-se de passagem. Afinal, a situação da Argentina, e Turquia, pressionam os mercados internacionais. No mercado de juros, os DIs avançam, em linha com alta do dólar. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, também tem alta: 1,5%, por volta de 310 pontos base.

Guerra é guerra… Ontem, a propaganda de Alckmin na TV veio com a mensagem: “o Brasil de Dilma e Temer é assim”. Mostrou cenas de crianças e adolescentes vendendo balas em semáforos, trabalhando na lavoura e aparentemente consumindo drogas . Mas Temer e seus amigos não deixaram barato. Carlos Marun disse ao poder 360 que Alckmin é um hipócrita quando faz essas críticas, uma vez que a saúde do governo Temer é do PP, partido de Ana Amélia, vice do tucano e a educação é do DEM, importante integrante da coligação que Alckmin costurou.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,29 %, aos 75.365 pontos;
Real/Dólar: +0,21%, cotado a R$ 4,1651;
Dólar Index: +0,31%, 95,529;
DI Jan/21: +4 pontos base; 10,07%;
S&P 500: -0,37%, aos 2.889 pontos..

*Por volta das 14h11, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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