Segundo Tempo: A espera do Ibope, e dinheiro que dá e sobra (as boas contas externas)

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Introdução: Bolsas europeias operam em moderada baixa; Americanas seguem a mesma tendência e também operam no vermelho; Destaque positivo para o petróleo que opera no nível mais alto em 4 anos, acima de US$81,00 o barril; Turquia continua convencendo de que irá fazer os ajustes necessários na sua economia; No Brasil, à espera do Ibope que deve sair à noite; Dinheiro que dá e sobra, as boas contas externas em agosto; E expectativas de inflação voltam a ficar pressionadas.


CENÁRIO EXTERNO: UM DIA VERMELHO APÓS UMA SEMANA VERDE.

Mercados… As bolsas globais operam predominantemente em baixa. O dólar, medido pelo DXY, também apresenta variação negativa, de -0,12%. As commodities operam com viés misto, destaque negativo para o açúcar que cai cerca de 4,50% até o momento. O petróleo (brent ), reagindo à decisão da OPEC de não aumentar sua produção, avança 2,80% a US$81/barril. O índice VIX, que mede a volatilidade do mercado, registra alta de 0,71pts. Os mercados devolvem um pouco do ótimo desempenho da semana passada.

Mais do mesmo… Na agenda internacional de hoje, observamos um aumento na tensão Sino-Americana, tendo em foco a recusa dos chineses a participar de uma próxima reunião com sua contraparte, frente as novas sanções impostas pelo governo Trump. Apesar disso, o resultado da reunião do FOMC nesta quarta-feira não deve divergir do esperado: um aumento de 25bps na taxa de juros americana. A publicação dos indicadores do PMI chinês e do Deflator do PCE Americano ao longo desta semana devem refletir os impactos da guerra nas economias dos países participantes.

No caminho certo… Dentre os países emergentes, o destaque de hoje é da Turquia, que segue apresentando uma queda no seu risco-país e até o momento tem sua moeda valorizada cerca de 3,50% frente ao dólar. Para os outros, o cenário segue positivo, com exceção da Argentina, que continua a dura negociação com o FMI sobre aumentar o tamanho do pacote de resgate.

 


BRASIL: A ESPERA DO IBOPE, E DINHEIRO QUE DÁ E SOBRA (AS BOAS CONTAS EXTERNAS).

A pesquisa do BTG/FSB reverbera… O mercado espera ansiosamente pelo Ibope que deve sair no início da noite. Fato é que a pesquisa do BTG/FSB acendeu uma luz amarela nas expectativas do mercado, será que Bolsonaro parou mesmo de crescer? Alckmin parou de cair? Haddad está mesmo com todo esse momentum? Estamos a menos de 15 dias das eleições. Toda pesquisa é de extrema importância.

O setor externo vai muito bem obrigado… Déficit em transações correntes ficou em US$ 717 milhões, bem abaixo da mediana das expectativas do mercado, segundo levantamento da Agência Estado, em -US$ 1,4 bilhões. Com esse resultado, o saldo em transações correntes atingiu déficit de US$ 8,9 bilhões no acumulado do ano, ante -US$ 3,2 bilhões no mesmo período de 2017.

Dinheiro que dá e sobra… Como recomendado pela teoria econômica, o déficit em transações correntes, que nada mais é que a quantidade de recursos que o país precisa para financiar a diferença entre a poupança interna e o investimento, deve ser coberta por alguma outra fonte de recursos externos. Tal necessidade tem sido sistematicamente suprida pelo IED – Investimento Externo Direto. O IED veio em US$10 bilhões, acima da mediana das expectativas do mercado (US$9,5bi). Note que o IED supre a necessidade gerada pelo déficit em transações correntes. A foto das contas externas brasileiras, em agosto, mostra um país muito saudável, pelo menos no setor externo.

O rio volta a correr para o mar… O relatório focus de hoje, mostra que as expectativas de inflação para o final do ano já estão próximas de 4,3% (4,28% na mediana das expectativas), enquanto as de 2019 estão em 4,18%, o que já é bastante próximas da meta de inflação que será de 4,25% em 2019. Logo, o conforto inflacionário que o país viveu desde o final de 2016, está acabando. Caso o dólar mantenha-se acima dos R$4,00, a inflação continuará pressionada, principalmente os preços administrados que já estão rodando acima de 9% ao ano. Infelizmente a inflação volta a correr para o mar. A expectativa de crescimento para 2018 também sofreu e agora se encontra em 1,35%. Para 2019, o crescimento esperado está firme em 2,50% a mais de 12 semanas.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,24%, aos 78.456 pontos;
Real/Dólar: 0,63%, cotado a R$ 4,07;
Dólar Index: -0,12%, 94,09;
DI Jan/21: +5 pontos base, 9,66%;
S&P 500: -0,43% aos 2,917 pontos.

*Por volta das 13h30, horário de Brasília. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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