Mercados Hoje: vírus sem fronteiras

Introdução:

Internacional

• A disseminação do novo coronavírus fora da China continua promovendo uma maior aversão ao risco no exterior;
• Bolsas ensaiam encerrar a semana em tom negativo, com agentes reavaliando os impactos da doença sobre o crescimento econômico;
• A corrida por proteção nos mercados se intensifica, evidenciada pelo desempenho de ativos de segurança;
• PMIs preliminares de fevereiro na Europa e nos Estados Unidos são destaque da agenda econômica.

Brasil

Mercado local deve ser contaminado pela piora no exterior enquanto dólar segue testando novas máximas;
• Protestos de policiais se alastram por vários estados brasileiros;
• Bolsonaro terá de escolher entre representar os interesses do seu eleitorado, os profissionais de seguranças, ou a pauta do seu governo de contenção de gastos com a folha de pagamento dos servidores;
• Conta corrente de janeiro é destaque na agenda doméstica.


CENÁRIO EXTERNO: VÍRUS SEM FRONTEIRAS

Mercados… Índices asiáticos encerraram a semana sem direção única, com leve viés negativo. Na zona do euro, bolsas caminham para mais uma sessão de perdas, com o STOXX600, índice que abrange ativos de diversos países do bloco, caindo 0,2% até o momento. Em NY, futuros operam no vermelho, com baixas na ordem de 0,4%, ensaiando uma abertura desfavorável também para bolas americanas. O dólar (DXY), por sua vez, continua ganhando força no mercado internacional, com destaque para a alta frente o iene japonês, que perdeu força após resultado fraco da economia no 4T19. No plano das commodities, ativos seguem em queda livre. O petróleo (Brent crude) recua 2,0%, voltando a ser negociado mais próximo dos US$ 58,00/barril.

Vírus sem fronteiras…  Bolsas globais caminham para encerrar a semana em tom negativo, com novos casos do coronavírus (2019-nCoV) fora da China intensificando preocupações de que o surto se espalhe pelo mundo. De maior destaque, foram registradas 2 novas mortes no Japão (3 no total até o momento), o 1º óbito na Coréia do Sul e mais 2 fatalidades no Irã (4 no total até o momento). Ao todo, já são pouco mais de 1.300 infecções e 13 mortes fora das fronteiras chinesas.

OMS em alerta… Apesar do número relativamente baixo de casos fora do lócus principal da doença, um novo alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que esse quadro pode se agravar em pouco reforçou o receio sobre o tema.

Mercados reagem… O mais novo fluxo de informações sobre o vírus já tem reflexo direto sobre o movimento dos mercados, com investidores reavaliando os possíveis impactos da doença sobre o crescimento econômico e sobre os resultados das empresas neste 1º semestre. Nesta frente, cresce o medo de que o efeito do coronavírus sobre os lucros esteja subestimado nos preços das ações que estão sendo praticados nos mercados atualmente. A corrida por proteção se intensifica, fato ilustrado pelo forte desempenho do dólar no mercado internacional (DXY) e do ouro na frente das commodities. Outro grande sinal de alerta tem vindo do mercado de títulos dos EUA, cujas taxas voltaram a cair de forma brusca ao ponto de inverter a curva de juros: o T-Bill de 3 meses fechou a sessão de ontem pagando mais que a Treasury de 10 anos.

Na agenda…  Como principais destaques da agenda desta 6ªF estão as leituras preliminares dos Índices de Gerentes de Compra (PMIs, na sigla em inglês) compostos de fevereiro para as economias americana (11h45) e europeia (7h). No velho continente, é esperada uma piora das expectativas por parte dos agentes econômicos, que passam a avaliar os impactos do novo coronavírus sobre sua já fragilizada economia. Por outro lado, nos EUA, o indicador deve voltar a indicar estabilidade ou até uma ligeira melhora, refletindo a divulgação de indicadores fortes ao longo da semana.


BRASIL: REAL SOB PRESSÃO

Real sob pressão… Ao longo da semana como um todo, a divisa brasileira esteve em constante pressão no mercado cambial. O surto do Covid-19, que ainda ocasiona uma corrida a ativos de segurança como dólares e títulos americanos, conjugado aos juros baixos aqui no brasil, depreciaram o real continuamente. No pano de fundo, investidores, ao observar que a divisa se desvalorizou de forma constante ao longo dos últimos dias, interpretam a formação de uma tendência depreciativa e alimentam o movimento ao vender reais e comprar dólares com maior intensidade. Por ora, enquanto o Brasil continue praticando juros baixos acoplado ao ajuste fiscal, a única direção lógica para o dólar é para cima. É importante frisar que a alta do dólar, ao contrário de episódios anteriores, não reflete fatores ligados ao risco-brasil, mas sim fundamentos econômicos sólidos em formação.

Policiais reivindicam salários… Em ao menos 12 estados brasileiros, profissionais da segurança buscam aumentos salariais. As reivindicações em Minas Gerais foram as primeiras a ganhar destaque nacional. Romeu Zema (Novo), governador do estado, sucumbiu a pressões da categoria e apresentou projeto que prevê aumento escalonado de 41,7% na remuneração dos profissionais de segurança até 2022. A Assembleia Legislativa do estado de MG aproveitou a proposta e, através de emendas, estendeu o aumento a outros servidores públicos. Agora, Zema é pressionado a vetar o seu próprio projeto para manter a aderência do seu estado ao plano de recuperação do Governo Federal que demanda do estado medidas para conter o crescimento dos gastos como contrapartida ao amparo fiscal.

Violência no Ceará…  No Ceará, onde policiais também buscam aumentos salarias, a situação é ainda mais tensa. Os PMs continuam a ocupar batalhões em ato de greve, um direito constitucional de outras categorias que não se estende aos profissionais de segurança. As inquietações no estado nordestino culminaram no conflito entre o senador Cid Gomes (PDT-CE) e policiais mascarados, quando o parlamentar foi baleado enquanto avançava com uma retroescavadeira sobre um grupo de policiais que realizavam um motim em um batalhão militar. Ontem, um grupo de senadores se reuniu com policiais insatisfeitos pelo aumento proposto pelo governo do estado, mas não teve êxito em sua tentativa de alcançar um acordo. O motim deve continuar em alguns batalhões do estado nordestino durante o fim de semana do Carnaval.

Bolsonaro entre a espada e a parede… O presidente da República terá dificuldades para contribuir para uma solução às tensões entre policiais e governos estaduais, logo que militares e profissionais de segurança estão entre os seus mais fieis eleitores e, simultaneamente, a sua equipe econômica defende politicas de austeridade que visam frear o custo gerado por servidores públicos, como foi feito na reforma da Previdência e como o governo ainda pretende fazer com a reforma administrativa e PEC emergencial. Durante a reforma previdenciária, após demonstrações de agentes da Polícia Federal, Bolsonaro foi na contramão do espírito da sua própria proposta e defendeu uma redução na idade mínima de aposentadoria para os profissionais de segurança, abrindo a porta para um efeito cascata de reivindicações que ameaçou a reforma como um todo.

Vínculo com milícias… Além disso, lideranças parlamentares da esquerda buscam usar a inquietação entre os policiais para fundamentar a tese que o governo mantinha no passado e continua a manter vínculos com milícias, que é como estão sendo caraterizados os policiais que realizam demonstrações mais vívidas, como no caso do Ceará, pela oposição no plano federal. Caso Bolsonaro, integrantes do governo ou os seus filhos defendam os interesses dos profissionais de segurança, parlamentares de esquerda devem usar o posicionamento do governo para dar sustento a tese que o Planalto foi tomado pelas milícias.

Agenda… Às 9h30, o BCB divulga sua nota imprensa sobre as transações correntes de janeiro. Nesta frente, o mercado prevê um déficit de US$ 11,0 bilhões (mediana). Mais cedo (8h), saem as sondagens do comércio e do setor de construção elaborados pela FGV.

E os mercados hoje? A disseminação do novo coronavírus além das fronteiras chinesas intensifica preocupações de que o surto se espalhe pelo mundo, derrubando ativos de risco e intensificando a busca por proteção nos mercados internacionais. No Brasil, a bolsa deve ser contaminada pela piora no exterior e o dólar deve testar novas máximas – o quadro de incerteza lá fora acompanhado de dados robustos da economia americana tem elevado a força do dólar (DXY) à patamares não vistos desde 2017 no mercado internacional – na falta de atuação do BCB. Em função disso, esperamos mais um dia de viés negativo para ativos de risco brasileiros.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,66% aos 114.586
Real/Dólar: +0,60% cotado a 4,38
DI Jan/21:  +9 bps cotado a 6,46%
S&P 500: -0,38% aos 3.373

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro cobra de Guedes crescimento de 2% no ano
– Alcolumbre quer convocar Heleno para explicar fala
– Choque entre Planalto e estados alerta outros Poderes
– Bloomberg sai como perdedor após 1º debate

O Estado de São Paulo
– Com apoio político, PMs pressionam por reajuste em 12 Estados
– Após Caixa,outros bancos estudam crédito prefixado
– BC destrava R$ 135 bilhões de bancos
– Heleno ganha apoio de ministros

Valor Econômico
– BC libera depósitos e põe R$ 135 bi na economia
– Conta de cartão no exterior fica mais previsível
– Real fraco é estímulo para carnaval do Rio
– Mansão de Edemar vai virar escola

O Globo
– Tensão entre estados e PM preocupa Congresso e STF
– Governo lança medidas para estimular a economia
– Alerj derruba isenção fiscal a termelétricas
– Vereador revela visitas de Flávio a Adriano na prisão

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