Mercados Hoje: Ventos melhores

tags Intermediário

Introdução: Bolsas asiáticas operaram no vermelho; Na Europa dia positivo com menor aversão ao risco; EUA seguem a tônica do velho continente e futuros do S&P indicam dia positivo por lá também; PMI`s e ISM revelam estado preocupante da atividade manufatureira nas principais economia do mundo; Mercado de treasuries começa a colocar o FED num corner pelo corte de juros. No Brasil, governo avança com a MP 871 no Senado e mostra que tem sim articulação; Numa espécie de balão de ensaio da previdência o governo conseguiu isolar o PT na oposição; Bons ventos começam a emanar da articulação política.


CENÁRIO EXTERNO: NO CORNER…

Mercados… Bolsas asiáticas tiveram uma noite predominantemente negativa, Tóquio, Shanghai e Hong Kong recuaram respectivamente -0,01%, -0,49% e -0,92%. Na Europa o dia começa melhor, o DAX avança +0,95% e o FTSE +0,26%. Futuros do S&P avançam +0,48%, o que indica um dia mais positivo nos mercados americanos. Na seara das commodities , o petróleo WTI recua -1,15%, cotado a US$52,64/barril.

Nada animadores… Foram divulgados ontem os números da sondagem da indústria americana, o ISM. O número recuou de 52,8 para 52,1 a pior média desde outubro de 2016. Três dos cinco componentes diminuíram, incluindo produção, estoques e entregas de fornecedores. Esses dados não nada animadores e já mostram os efeitos adversos da escalada das tensões comerciais de Trump.

Não é só na América… A coisa está azeda para praticamente todas as grandes economias globais. O índice de manufatura do Reino Unido diminuiu pela primeira vez em quase três anos, enquanto os indicadores para a China e a Coréia do Sul caíram abaixo do nível de 50 (abaixo dessa marca quer dizer que está havendo uma retração).

Pode piorar… Ainda é difícil dizer se esses dados são o fundo do poço ou simplesmente um caminho para indicadores ainda mais complicados para a indústria global. Enquanto a poeira não abaixar na cena geopolítica, será difícil ver uma estabilização da atividade industrial nas principais economias do globo.

Mercados colocando no corner… As tensões comerciais elevam o risco potencial de recessão nos EUA (prenunciado pela inversão da curva dos Treasuries) e amplia a pressão por uma flexibilização do juro pelo FED. As apostas entre os investidores de, pelo menos, um corte este ano beiram 100% (estão em 98,3%). Chama atenção o salto de 19% para 34,4% na chance de três cortes até dezembro.

Lenha na fogueira… Esta perspectiva foi potencializada pelo comentário do diretor do FED, James Bullard, que é membro votante do FOMC. Segundo ele: um corte de juros pode vir “em breve” para trazer o “desejado impulso à inflação” e que “os mercados estão dizendo ao FED que os juros atuais são altos”.

Agenda… O grande destaque da cena externa é a divulgação dos dados de emprego e inflação da Zona do Euro.


BRASIL: VENTOS MELHORES

Senado salva MP 871… Durante seu último dia de vigência, o Senado aprovou a Medida Provisória 871/19, que altera a Previdência Social para coibir fraudes, garantindo uma economia R$9,8 bilhões para o governo, nos próximos 12 meses.

Mudanças… As alterações incluem a criação de dois programas que analisam benefícios com indícios de fraudes, além de adicionar uma série de exigências novas para os beneficiados pelo auxílio-reclusão, pensão por morte, aposentadoria rural, entre outras. As modificações feitas ao programa devem gerar economia de R$ 100 bilhões nos próximos dez anos.

55 votos a 12… A aprovação da MP foi tardia, porém decisiva. O Senado raramente vota projetos em Plenário na segunda-feira – as sessões deliberativas geralmente ocorrem entre terça e quinta – mas um acordo entre lideranças garantiu amplo quórum, possibilitando a votação em dia atípico.

Articulação de Alcolumbre… O empenho da casa para evitar que a medida expirasse demonstrou a articulação hábil do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM- AP), que formou consenso em torno de uma importante medida do governo. Após a confirmação do resultado, o líder da casa agradeceu a presença dos seus colegas, afirmou que o seu colegiado honrou mais um compromisso com os brasileiros e declarou que o diálogo e a compreensão venceram nesta noite no Plenário.

Discursos animadores… Durante o decorrer da sessão, a reforma da Previdência foi mencionada inúmeras vezes. De forma implícita, como no caso da senadora Rose de Freitas (Pode-ES), que determinou como responsabilidade do Senado a votação de propostas que podem ajudar a tirar o país da crise; E de forma explícita, como no caso do Senador Márcio Bittar (MDB-AC), que declarou em tribuna o início da reforma de Previdência.

Prévia da Previdência… O quórum, os discursos e o placar demonstraram que o Senado está disposto a tomar decisões difíceis para possibilitar a retomada da economia brasileira. O Senador Humberto Costa (PT-PE), líder do PT no Senado, ironizou a proposta à chamando a de minirreforma da Previdência e questionou se a medida não poderia ter sido feita através de força tarefa, sugerindo que a propositura era na verdade um termómetro que o governo utilizou para mensurar o apoio à reforma no Senado.

Isolado… O Partido dos Trabalhadores foi a única sigla que alinhou todos os votos contra a proposta do governo, concentrando quase metade (5/12) de todos os registros contrários às alterações.

Ventos melhores… Há 30 dias a articulação política do governo era vista como quase catastrófica, porém, uma melhora substancial foi vista e um ar de “já aprovou” começa a ser visto no congresso. Excessos de expectativa a parte, é inegável a melhora do relacionamento entre os habitantes da praça dos 3 Poderes.

Agenda… O IBGE divulga hoje (3ª) a Pesquisa Industrial Mensal da Produção Física de abril. Em março, a produção industrial brasileira caiu 1,3%. Esperamos um avanço de quase 1% em comparação com o março.

E os mercados hoje? Com a menor aversão ao risco lá fora e a contínua melhora da articulação política, acreditamos que o dia de hoje será mais um dia positivo para os ativos de risco locais.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,01%, aos 97.020 pontos;
Real/Dólar: -0,94%, cotado a R$ 3,886;
Dólar Index: -0,62%, 97,142;
DI Jan/21: -05 pontos base, 6,440%;
S&P 500: -0,28% aos 2.744 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Senado aprova, no último momento, MP do pente-fino
– Há 30 anos, massacre ditou repressão do regime chinês
– Após acusação, Neymar sofre pressão dos patrocinadores
– Doria esvazia Dersa à espera de sua extinção

O Estado de São Paulo
– Sem base no Congresso, Bolsonaro bate recorde de decretos desde Collor
– Senado aprova pente-fino em benefício pago pelo INSS
– Anvisa libera a venda de insulina inalável
– Troca de plano empresarial tem nova regra

Valor Econômico
– ‘A credibilidade é mais importante do que os juros’
– Previ perde R$ 5,8 bi com Brumadinho
– Chuvas podem trazer deflação
– Levy diz que quer ‘desmamar’ o BNDES

O Globo
– Reforma pode abranger só os 10 estados mais endividados
– Oferta de verba do Planalto em troca de apoio opõe bancadas
– MPF quer reaver R$ 4,1 bi de grupo de Cabral e empresas
– Investigação antitruste derruba gigantes ‘web’

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
[email protected]

Julia Carrera Bludeni
[email protected]

Victor Candido
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

Luca de Toledo Gloeden Soares
[email protected]

 

*A área de Renda Variável é a responsável por todas as recomendações de valores mobiliários contidas neste relatório.
“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução CVM nº.598/2018, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“
Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

197 visualizações

relacionados

Bitnami