Mercados Hoje: Vai chegando a hora…

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Introdução: Continua o movimento de baixa aversão ao risco de emergentes lá fora; Prêmio de risco turco opera próximo dos 400 pontos, o nível mais baixo desde julho. Bolsas asiáticas tiveram pregões mistos. Nos Estados Unidos, destaque para a reunião de quarta-feira do FOMC, que deve subir os juros em mais 0,25p.p. No Brasil, semana de agenda carregada de indicadores, destaque para a divulgação do relatório de inflação na quinta e para a pesquisa Ibope que deve sair hoje; Bolsonaro é rei no feudo dos outros, ampliando sua margem em estados como SC e RS; Haddad cresce e Bolsonaro fica estagnado em pesquisa da FSB; Em quem os eleitores já decididos poderiam votar caso mudassem de ideia?


CENÁRIO EXTERNO: SEM GRANDES NOVIDADES. 

Toma lá da cá… A tensão entre a China e os Estados Unidos segue crescendo. Neste fim de semana, os chineses recusaram um convite dos americanos para negociarem uma possível trégua na guerra comercial. O encontro, que deveria ter ocorrido em Washington dia 20 de Setembro, já havia sido adiado, após o anúncio da imposição de novas tarifas por Trump e agora não deverá acontecer. Esta reação foi desencadeada pela imposição de novas sanções americanas sobre um oficial militar chinês, responsável pela unidade de desenvolvimento de armamentos do exército.

Segue o jogo… Nos Estados Unidos, os mais novos acontecimentos da guerra comercial não devem interferir nos planos do Fed de aumento nas taxas de juros. Na nova reunião do FOMC nesta quarta-feria, em que será decidida a nova meta para a taxa de juros americana, o esperado é um aumento de 0,25% para 2,25%.

Nada feito… Outro destaque deste fim de semana foi a reunião da OPEC, que ocorreu na Argélia neste domingo, em que os produtores globais decidiram por não acatar as demandas de Donald Trump sobre o aumento de produção do insumo. Em consequência disso, o preço do barril se elevou mais de 2% para $81/barril e o Irã segue sofrendo com a queda da sua exportação.

Enquanto isso… Na Europa, as bolsas operam com leve baixa. Para os emergentes, a situação segue sendo de melhora, com valorização das principais moedas frente ao dólar, destaque para a lira turca que tem seu valor acrescido de 1,50%. O prêmio de risco turco medido pelo CDS está de volta aos 400 pontos, caindo 4,7%.

Agenda… Semana importante para acompanhar efeitos da guerra comercial tanto na China, quanto nos EUA. Quarta feira temos a reunião do FOMC, em que será decidida a nova meta da taxa de juros americana. Quinta-feira temos a divulgação do PMI chinês, onde será possível observar os efeitos das tarifas sobre a indústria. Por fim, na sexta-feira sai o deflator do PCE americano.


BRASIL: VAI CHEGANDO A HORA…

Vai chegando a hora… Estamos a menos de 14 dias das eleições, 13 para ser mais exato, mas, calma que na quinta passada estávamos a 17 dias, para não favorecer nenhuma numerologia eleitoreira. Inexoravelmente rumamos para decidir, ou pelo menos começar a decidir o futuro país no dia 7 de outubro.

Bem na foto… O grande destaque da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) foi a foto tirada no sábado com seu assessor, o economista Paulo Guedes. A foto é resultado do filme que todos conhecemos, o casal briga durante a semana (Guedes e Bolsonaro discordaram publicamente sobre a criação de um imposto único sobre transações financeiras, uma espécie de CPMF que substituiria uma série de outros impostos) e no fim de semana, posta uma foto para dizer que “estamos bem e seguimos deeply in love”, pelo menos na superfície.

No feudo dos outros Bolsonaro é Rei… Ao longo do fim de semana saíram algumas pesquisas regionais e impressiona a força de Jair Bolsonaro (PSL) em regiões onde seus adversários, em teoria, são muito fortes. Pesquisa Ibope para presidente em Santa Catarina (SC) mostra Jair Bolsonaro (PSL) na liderança com 40% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, divulgada em 17 de agosto, ele liderava com 28%. Em segundo lugar está Fernando Haddad (PT) com 12%. A pesquisa foi feita de 18 a 20 de setembro. No Rio Grande do Sul, reduto de Ana Amélia (PP e vice de Geraldo Alckmin), o Capitão lidera a tropa gaúcha com 35% (ante 29% no levantamento anterior). Haddad também mostra bom desempenho e sai de 11% para 18%.

Na alta frequência seria o fim do crescimento do Capitão? Saiu nessa madrugada a pesquisa BTG/FSB, levantamento de alta frequência, semanal, que faz a pesquisa via ligações telefônicas. Bolsonaro ficou estagnado pela primeira vez, em 33%, e Haddad avançou 6p.p, de 16% para 23%. Ciro caiu de 14% para 10%. Pelo menos em alguma pesquisa um alívio para o Tucano Alckmin, que subiu 2p.p, de 6% para 8%. Desta vez, Haddad tirou votos de Ciro Gomes, principalmente na região Nordeste, onde atingiu a marca de 39%. Por sua vez, Bolsonaro ficou estável após várias semanas de alta. As declarações polêmicas de seus assessores e a campanha agressiva de Alckmin contra ele contribuíram para esse movimento. Estes fatores podem explicar também a piora de seu desempenho no segundo turno, onde ele perdeu margem para todos os candidatos. Antes Bolsonaro tinha 8p.p de vantagem sobre Haddad no confronto direto, agora tem apenas 4p.p. (dentro da margem de erro).

Hoje é dia de Ibope… Deve sair à noite o levantamento Ibope, muito provavelmente próximo ao horário dos telejornais noturnos. Todos atentos para ver se a dinâmica está mudando, como indicam as pesquisas de alta frequência. Bolsonaro continuará a crescer? Qual a real capacidade de Haddad continuar a sangrar a esquerda e ir capturando votos de Ciro e Marina? E como ficarão os cenários de segundo turno?

Menos é mais… Conforme a eleição se aproxima, as pesquisas, em teoria, começam a ficar mais acuradas. Sua capacidade e de refletir a realidade aumenta, em grande parte pois as pessoas estão de fato mais decididas em quem de fato irão votar.

Falando em quem votar, quando se olha os micro dados do Datafolha, coisas interessantes emergem… Para onde vão os votos caso o eleitor mude sua primeira opção? 9% do eleitorado de Bolsonaro disse que pode votar em Haddad, 16% votaria em Ciro, 21% em Alckmin e 13% em Marina. Já o eleitorado de Haddad, 12% disse que poderia voltar em Bolsonaro, 34% em Ciro, 12% em Alckmin e 13% em Marina. Enquanto o de Alckmin, 17% diz que poderia voltar em Bolsonaro, 8% em Haddad, 18% em Ciro e 19% em Marina. O eleitorado de Marina é aquele com a distribuição de votos mais uniforme possível, indicando o quanto Marina tem a perder, 18% dizem que poderiam votar em Bolsonaro, 12% em Haddad, 18% em Ciro e 17% em Alckmin.

Receitas do governo geral mostram um quadro mais saudável… Na última sexta-feira, foi divulgado o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas do 4º bimestre trouxeram as novas projeções do governo para o resultado primário de 2018. Com aumento da projeção de receita total e redução da despesa total esperada, o resultado primário do governo central deve ser deficitário em R$ 150,8 bilhões, abaixo, portanto da meta fiscal estabelecida de déficit de R$ 159 bilhões.

Agenda, semana carregada no front doméstico… No Brasil, o destaque começa hoje (24/09) com a divulgação dos dados do setor externo por parte do Banco Central, referentes ao mês de agosto. Esses dados devem continuar mostrando uma dinâmica muito positiva: a expectativa do mercado é de um déficit US$1,3 bilhões em transações correntes e de um superávit próximo de US$9,5 bilhões no IED – investimento externo direto. Logo, apenas o IED está cobrindo em algumas vezes a necessidade de financiamento externo da economia brasileira. Amanhã (25) sai a ata da reunião do Copom da semana passada, que deve trazer o mesmo tom da nota e abrir em mais detalhes a visão dos membros do comitê sobre o balanço de risco para os cenários de inflação e dar pistas mais detalhadas do que poderá levar ao início de um ciclo de alta de juros já na próxima reunião ao final de outubro. Na quarta (26) destaque para o debate presidencial no SBT as 18h, sem Bolsonaro. Também na quarta teremos outro Ibope. Na quinta-feira (27) sai os dados do IGP-M que segundo as expectativas do mercado, deve encontrar em 9,98% no acumulado em 12 meses. Também na quinta sai o Relatório Trimestral de Inflação, esse sim, a estrela da semana, que deve fazer preço, principalmente, nos vértices mais curtos da curva de juros, uma vez que nele devem sair as primeiras previsões de inflação e cenários que o BC está esperando para 2020 e que deve guiar as expectativas de mercado em relação as medidas que a autoridade monetária deverá tomar ao longo de 2019. Por fim, para fechar a semana, na sexta-feira sai a taxa de desemprego medida pela PNAD-Contínua do IBGE, o mercado espera leve redução de 12,3% para 12,2%. E a cereja da semana será mais um levantamento Datafolha.

E os mercados hoje? Os mercados internacionais enviam sinais mistos, porém, sinal positivo para emergentes como Turquia e África do Sul. O risco Brasil, medido pelo CDS, continua a recuar e opera próximo aos 240 pontos. O dia hoje deve ser dominado pela digestão da pesquisa da FSB em conjunto com a expectativa do Ibope que deve sair à noite. Acreditamos que o dia hoje deve ser neutro e com leve aversão ao risco doméstico (eleitoral). Olho na Petrobrás que deve reagir a forte subida do preço do petróleo.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,70%, aos 79.444 pontos;
Real/Dólar: -0,65%, cotado a R$4,050;
Dólar Index: +0,33%, 94,222;
DI Jan/21: -11 pontos base, 9,610%;
S&P 500: -0,04% aos 2.930 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Embraer: Cia e Boeing tentam fechar acordo antes de 2019
Impacto: Marginalmente Positivo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– – Quem ganhar a eleição deve ser respeitado, afirma Toffoli
– Marcus Melo: Temos equilíbrio de uma corrida armamentista
– Vinicius Mota: Bravatas não determinam risco à democracia
– No sertão, Haddad é Adraike, Alade, Adauto, Radarde

O Estado de São Paulo
– Alta de preços regulados corrói renda das famílias
– Centrão já discute segundo turno sem Alckmin
– Paulo Hartung: “Agenda reformista será decisiva”
– Bolsonaro quer fazer manifesto para combater fama de radical

O Globo
– Mulheres sem candidato são o dobro de homens
– Reeleição fica mais difícil para governadores
– Leilão de áreas do pré-sal deve ter disputa acirrada
– MP investiga ação de milícia contra pescadores no Rio

Valor Econômico
– Concorrência obriga bancos a dar prioridade a tecnologia
– Carrefour sugere fusão, Casino rejeita
– No Google, trabalho não é diversão
– Schalka vê omissão de empresários na disputa

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Julia Carrera Bludeni
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Victor Candido
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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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