Mercados Hoje: Uma visita nada agradável

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Introdução: Os mercados asiáticos operaram mistos. O Nikkei, em Tóquio, recuou 1,5%, na volta de um feriado nacional de 10 dias, e o índice de Shanghai avançou 0,7%, repercutindo sinalizações de que as negociações entre China e EUA seguirão em frente. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado seguem operando com viés negativo. Em NY, o futuro do S&P opera no vermelho, enquanto o dólar se mantém próximo à estabilidade. Na frente das commodities, ativos apresentam movimentos majoritariamente negativos. O petróleo (Brent) recua 1,2%, e é negociado abaixo dos US$ 70,50/barril. Para emergentes, dia tem início de viés mais neutro, com divisas de México, Turquia e África do Sul operando sem direções claras contra o dólar. Aqui, o mercado aguarda ansiosamente o início do trâmite da reforma da Previdência na comissão especial. Enquanto isso, a falta de articulação do governo segue sendo posta em xeque após mais uma rodada de conflitos internos no governo Bolsonaro.


CENÁRIO EXTERNO: VISITA MARCADA SOB PRESSÃO

Mercados… Os mercados asiáticos operaram mistos. O Nikkei, em Tóquio, recuou 1,5%, na volta de um feriado nacional de 10 dias, e o índice de Shanghai avançou 0,7%, repercutindo sinalizações de que as negociações entre China e EUA continuarão. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado operam com viés negativo. As bolsas de Londres e de Frankfurt caem 1,0% e 0,6%, respectivamente. Em NY, o futuro do S&P opera no vermelho e o dólar se mantém próximo à estabilidade. Na frente das commodities, ativos apresentam movimentos majoritariamente negativos. O petróleo (Brent) recua 1,2%, e é negociado abaixo dos US$ 70,50/barril. Para emergentes, dia tem início de viés mais neutro, com divisas de México, Turquia e África do Sul operando sem direções claras contra o dólar.

Uma visita nada agradável… O vice-premiê chinês, Liu He, irá viajar a Washington para mais uma rodada de negociações comerciais nos dias 9 e 10 de maio, de acordo com uma declaração do Ministério do Comércio da China. A ida de Liu He sinaliza que Pequim tem interesse em continuar as conversas, mesmo após Donald Trump ameaçar um aumento de tarifas sobre US$ 200 bilhões de produtos chineses com início já nesta 6ªF. Apesar disso, segundo fontes da Bloomberg, a China esta se preparando para impor tarifas retaliatórias aos EUA caso a ameaça do presidente americano se concretize. Em suma, a continuidade das conversas é vista com bons olhos pelo mercado, mas a cautela em torno do assunto segue se intensificando, uma vez que fica claro o atrito entre os dois países.

Sua palavra contra a minha… Segundo fontes da Bloomberg, a ameaça de elevar tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses, feita pelo presidente americano, Donald Trump, através de seu Twitter, teria sido motivada pela declaração de oficiais chineses de que não estariam dispostos a firmar um acordo que implique mudanças na legislação do seu país. O depoimento foi passado a Trump pelo Representante Comercial dos EUA, Robert Lighthizer, que teria se irritado com a posição dos chineses, uma vez que eles já haviam concordado em fazer mudanças na lei na linha do acordo que vinha sendo costurado. Esta mudança de posição da China gera as maiores implicações sobre o ponto do acordo que visa acabar com a prática chinesa de obrigar companhias americanas a abrirem informações sobre suas propriedades intelectuais, um dos principais temas levantados pelos EUA durante as negociações.

Na agenda… Em dia de agenda mais morna, os destaques são as divulgações do relatório de emprego (Jolts) de março nos EUA, às 11h, e dos números de encomendas à indústria de março, na Alemanha.


BRASIL: BATALHAS PARALELAS NO GOVERNO

Pequenas batalhas… O governo parece mais preocupado em lidar com conflitos internos, de origem ideológica do que com o macro ambiente político. A briga pública entre militares e olavistas parece estar consumido capital político e atenção do núcleo duro do governo.

Hoje começa… De fato é hoje que se inicia a tramitação da previdência na comissão especial da câmara. O governo precisa estar completamente focado em lidar com a desidratação do texto, bem como lidar com os complicadíssimos arranjos políticos que precisarão serem feitos para preservar o mínimo de potência fiscal no texto.

Na comissão… O presidente da comissão especial da Reforma da Previdência (PEC 6/19), deputado Marcelo Ramos (PR-AM), pretende definir hoje o calendário de audiências públicas. Ele espera que o ministro da Economia, Paulo Guedes, compareça ao colegiado amanhã para apresentar e discutir a proposta de mudança nas aposentadorias. Para Ramos, a presença de Guedes e de técnicos envolvidos com a elaboração do texto é importante para o convencimento dos parlamentares e da população sobre a necessidade da reforma. O tal roteiro de trabalhos da comissão especial será submetido nesta terça-feira ao colegiado, em reunião marcada para às 14h30.

A falta de foco… A mídia traz hoje que a base do governo ainda não foi instruída de como proceder com uma eventual ida de Paulo Guedes, amanhã na comissão especial. Basta lembrar do circo que foi criado pela oposição, em parte pela falta de ação do PSL e partidos aliados, na comissão de constituição e justiça, quando o ministro apareceu para prestar esclarecimentos.

Problemas na reorganização da esplanada… O relator, Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), incluiu ao menos duas importantes alterações na MP 870 que criou a organização administrativa do governo de Jair Bolsonaro. Seu relatório prevê o retorno da Fundação Nacional do Índio (Funai) ao Ministério da Justiça e a atribuição de cuidar de registros sindicais ao Ministério da Economia. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) permanecerá vinculado ao Ministério da Justiça, como deseja o ministro Sérgio Moro. O governo está tendo dificuldades até no remanejamento ministerial feito no começo do mandato de Bolsonaro.

Agenda… Não existem indicadores econômicos relevantes a serem divulgados hoje.

E os mercados hoje? Tensão e ansiedade devem predominar na cena local e internacional, os investidores esperam sinais de paz do tiroteio entre Estados Unidos e China, ao mesmo tempo que esperam os sinais vindos do primeiro dia da comissão especial na Câmara. O prêmio de risco brasileiro sobe 0,81%, cotado aos 173,5 pontos.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,04%, aos 95.008 pontos;
Real/Dólar: +0,74%, cotado a R$ 3,9675;
Dólar Index: -0,01%, 97.515;
DI Jan/21: -2 pontos base, 7,040%;
S&P 500: -0,45% aos 2.932 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– STF pode aumentar gastos do governo em R$ 147 bilhões
– Um milhão de espécies estão em risco de extinção
– Olavo age como Trótski de direita, diz general
– Ameaça de Trump contra produtos chineses derruba bolsas pelo mundo

O Estado de São Paulo
– ‘Olavo presta desserviço ao país’, afirma general Villas Boas
– Tabata Amaral contraria PDT e apoia reforma da Previdência
– Plano contra aquecimento global perde 96% da verba
– Witzel causa polêmica ao participar de operação policial

Valor Econômico
– Gasto com pessoal nos Estados deverá ter regra única na LRF
– Disputa entre EUA e China afeta mercados
– Kraft admite problemas em balanços
– Bradesco compra banco nos EUA

O Globo
– Gasto com aposentados no país é o maior da América Latina
– Diretor de pesquisas do IBGE é exonerado
– Governo vai bancar que Coaf fique na Justiça
– Clima de incerteza ameaça leilão da Avianca

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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