Mercados Hoje: Uma “carreira solo”

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Introdução: O dólar segue forte lá fora, diante de moedas de desenvolvidos e emergentes. As commodities recuam. As bolsas também mantêm viés mais negativo, em dia de aumento da volatilidade. Atenção à temporada de balanços. Nos EUA, as avaliações sobre a economia seguem fortes. No Brasil, é mais um dia de agenda macro esvaziada. Após o mercado, TIM divulga seu balanço. No campo político, mais movimentações: o PSDB fechou aliança com o PTB; Bolsonaro fica isolado, e deve seguir “carreira solo”; e PT ainda está dividido entre Haddad e Jaques Wagner. A decisão do “centrão” (sobre quem apoiar na corrida presidencial) deve ficar para a semana que vem. Mas já há um acordo: o vice da chapa composta por este grupo terá Josué Gomes, do PR.


CENÁRIO EXTERNO: DÓLAR SEGUE FORTE.

O “básico” sobre os mercados… O dólar se valoriza no exterior, frente a desenvolvidos e emergentes. Aliás, a sua apreciação frente à moeda da China chamou a atenção (+0,88%). As commodities operam em baixa. O petróleo (brent ) oscila na casa dos US$72/barril. O cobre recua mais de 2,5% nesta manhã, e acumula queda de quase 20% no ano. O minério de ferro manteve-se estável na China (+0,02%), cotado a US$65,25/tonelada. As bolsas também seguem com viés negativo: recuam na Europa, após sessão de perdas na Ásia. Nos EUA, o S&P futuro também recua. Ainda assim, os juros dos títulos americanos sobem, diante de uma economia aquecida (e perspectiva de alta de juros à frente). Os juros dos papéis de 10 anos oscilam próximos de 2,88%. Mercado muito atento aos balanços por lá.

Economia dos EUA segue forte… O relatório de avaliações qualitativas da economia americana (o chamado de “Livro Bege”), divulgado ontem pelo Fed, mostrou uma economia que segue aquecida. Em 10 dos 12 distritos, esta se expandiu a taxas que vão de “moderadas” a “modestas”. Em todas as regiões, o mercado de trabalho se mostra aquecido, com dificuldade de contratações de novos funcionários. Os salários ainda crescem de forma modesta; mas vale notar: em todos os distritos, há preocupações em relação às políticas comerciais do país. Estas políticas, aliás, já contribuíram para a elevação de preços, reduzindo margens de empresas, por exemplo. Em suma: o Livro Bege sugere que a normalização de juros deve continuar à frente.

Economia do Reino Unido mostra fraquezas… As vendas no varejo decepcionaram. Cresceram 3,0% a/a em junho, abaixo dos 3,7% esperados. Isto soma-se aos dados de inflação que vieram ligeiramente abaixo do esperado nos últimos dias. Com isso, coloca-se à prova a expectativa de elevação de juros no próximo mês. Isto, portanto, faz a libra perder forças frente ao dólar (ficou abaixo de US$1,30; algo que não acontece desde o início de setembro de 2017). Até para quem pensa em reais ficou mais “barato” visitar Londres: a libra oscila próximo de R$5,0, após bater R$5,2 no início do mês.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro: (1) pedidos de auxílio desemprego (9h30); (2) sondagem industrial do Fed da Filadélfia (9h30); e (3) indicadores antecedentes (11h). Além disto, R. Quarles, do Fed, faz discurso (10h). Após Powell nos últimos dias, não deve mexer muito com os mercados. No front micro, 21 empresas listadas no S&P 500 divulgam balanços hoje, incluindo a Microsoft. Ontem, números do Morgan Stanley foram fortes – mais um grande banco que reportou um resultado sólido.


BRASIL: “CENTRÃO” PODE DECIDIR ALIANÇAS NA PRÓXIMA SEMANA.

O candidato petista… O partido ainda está dividido entre aqueles que apoiam Fernando Haddad e Jaques Wagner. Haddad encontra resistências, e confirmou que retomará as suas atividades no Insper, a partir do dia 6 de agosto. Wagner, por outro lado, ainda mostra resistências em se tornar o “escolhido”. Afinal, é grande a chance de vitória caso concorra ao Senado pela Bahia. Seja como for, o tal “plano de governo” do partido já estaria pronto. O documento, com menos de 40 páginas, não deve ser divulgado antes da convenção do partido, marcada para o dia 4 de agosto.

PSDB faz alianças; PSL fica isolado… Segundo o próprio Alckmin, não devem sair outras alianças nesta semana. “Talvez na semana que vem” , afirmou ao Poder360. De qualquer forma, vale ressaltar: o PSDB se aliou ao PTB (algo já esperado, mas que vale comemorar). E os tucanos já fecharam também com o PSD e o PPS. Ou seja: até aqui, já tem aproximados 20% do tempo de TV, em cada um dos blocos de 25 minutos. Agora, Alckmin busca conquistar o apoio de outros partidos do “centrão”, incluindo o PR, que desistiu de se aliar a Bolsonaro. Aliás, Bolsonaro não conseguiu nem mesmo o apoio do nanico PRP. A tendência de Bolsonaro é seguir uma “carreira solo” (sem alianças, terá menos de 10 segundos de TV).

Mais sobre o “centrão”… O comandante do PR, Valdemar Costa Neto, jantou ontem com líderes de partidos do “centrão”, incluindo DEM, PP, PRB e SD. Tentam costurar uma aliança única neste momento. A despeito da indefinição, o presidente do PP, Ciro Nogueira, afirmou que o anúncio sobre quem receberá o apoio será feito até meados da próxima semana. As opções? Alckmin (PSDB), ou Ciro (PDT). Para vice, já há uma decisão: Josué Alencar. Líderes destes partidos se reunião hoje pela manhã (9h30) na casa de Rodrigo Maia (DEM).

Inflação: IGP-M deve ceder em julho… O índice de inflação desacelerou na 2ª prévia de julho (+0,53%, após +1,75% em junho), diante de queda dos preços dos produtos agropecuários (IPA-M subiu 0,52%, após 2,24% em junho). Afinal, estes devolveram parte das elevações recentes, por conta das paralizações dos caminhoneiros. Até o final do mês, esperamos que esta tendência de desaceleração se mantenha.

Agenda de hoje… No front macro, não há grandes destaques. É mais um dia de agenda esvaziada. O BC mantém a oferta de até 14 mil contratos de swap para rolagem. No front micro, TIM divulga balanço, após-mercado. A Weg tem teleconferência às 11h.

E os mercados hoje? O viés para os ativos locais não é muito favorável. A bolsa deve manter viés baixista, assim como ontem; o dólar tende a continuar em alta; e os DIs pressionados para cima. O “alívio” recente foi interrompido; e não nos surpreende que este tenha sido passageiro, diante de tamanha incerteza local, ainda. Soma-se a isso o cenário internacional, que se mostra menos favorável para ativos de risco. De qualquer forma, vale notar que a percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, opera relativamente estável nesta manhã (ao redor de 243-244 pontos base).

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,98%, aos 77.362 pontos;
Real/Dólar: +0,26%, cotado a R$3,848;
Dólar Index: +0,11%, 95,085;
DI Jan/21: +11 pontos base, 9,160%;
S&P 500: +0,22% aos 2.816 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Setor de Telecom: Claro analisa ativos da Cemig Telecom
Impacto: Neutro.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Indústria não teme Bolsonaro, afirma CNI
– Problema do prés-candidato do PSL é civilizatório, diz Lafer Piva
– Nicaraguenses relatam torturas e desaparecimentos
– Lula: Querem me derrotar? Que o façam nas urnas

O Estado de São Paulo
– Partidos rejeitam Bolsonaro às vésperas da convenção
– Multa de R$ 19 bi leva Google a rever estratégia
– Técnica reduz tempo para tratar câncer de próstata
– Ortega ignora pressão contra massacres na Nicarágua

O Globo
– Busca de proteção das empresas contra alta do dólar quase triplica
– Bolsonaro é rejeitado por partido de general
– UE multa Google em R$ 19 bilhões
– Na caverna, 9 dias à base de água

Valor Econômico
– Justiça adota IPCA-E para corrigir dívida trabalhista
– Escolas vão ao Cade contra o “Sistema S”
– Alckmin quer Petrobras com foco no pré-sal
– Jovens superqualificados gostariam de deixar o país

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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