Mercados Hoje: Um vice para chamar de seu

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Introdução: Prevalece a cautela no exterior. Investidores estão à espera de reunião entre Trump e líderes da Europa, abordando o tema “comércio”. Por enquanto, não há grandes novidades (e isto é “bom”, dizem vários analistas). Enquanto isso, a economia dos EUA segue mostrando bons números de atividade no curto prazo. O risco de eventos “extremos” parece aumentar, em nossa opinião. O dólar opera mais fraco no exterior; e as commodities se recuperam. No Brasil, o “centrão” segue à procura de um vice para compor a chapa com Alckmin (PSDB). Além de Josué Gomes (PR), da Coteminas, há outras 4 opções. Marina (Rede) também procura um vice, e cogitaria o economista Ricardo Paes de Barros. No front macro, inflação segue dando sinais de “normalização”. No front micro, Santander e Fibria divulgaram resultados fortes sobre o 2T18; Vale divulga após o mercado. Temer está na África do Sul, para reunião dos Brics.


CENÁRIO EXTERNO: ATENÇÃO AO COMÉRCIO, AINDA.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas operam num “modo-cautela”, à espera de definições sobre o comércio internacional. Por enquanto, não há grandes novidades. Na Europa, as bolsas recuam; na Ásia, a sessão foi mista (o índice de Xangai caiu 0,07%, enquanto o índice Nikkei subiu 0,46%). Nos EUA, o S&P futuro opera próximo à estabilidade nesta manhã (algum viés baixista). O dólar opera em ligeira queda no exterior; e commodities mostram alguma recuperação. O minério de ferro subiu 0,70% na China, cotado a US$66,03/tonelada. O petróleo (brent ) sobe mais de 0,5% (~8h45), e oscila por volta de US$73,8/barril.

EUA em ritmo forte… O índice gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) desacelerou em julho, segundo dados preliminares. Este passou de 56,2 em junho para 55,9. Enquanto o setor de serviços desacelerou (foi de 56,5 para 56,2), o setor industrial registrou leve melhora (de 55,4 para 55,5). Seja como for, o ritmo de atividade segue forte por lá. Acima de 50 pontos, os índices PMI apontam para crescimento à frente.

Mais sobre o aquecimento americano… Também saiu ontem o índice de atividade do Fed de Richmond, referente a julho. Foi para 20, contra 21 pontos do mês anterior. Praticamente estável, e bem acima do zero, mostra que os EUA estão crescendo forte neste início do 3º trimestre. Vale notar: vemos indícios de pressões de preços à frente, diante de um mercado de trabalho mais aquecido.

Nos EUA, desequilíbrios são mais prováveis? Parece-nos que sim. Isto ainda é uma conversa prematura, talvez se olho nos próximos 12 ou 24 meses, mas, ainda assim, é algo que vale monitorar. Eventos “extremos” – seja uma economia superaquecida ou até uma recessão – têm hoje uma maior probabilidade do que há meses atrás. Na semana passada, escrevemos um texto no blog da Guide sobre isto (“Recessão americana: desta vez é diferente?”).

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, saem as vendas de moradias novas de junho (11h), e os estoques de petróleo bruto (11h30). No front micro, 24 empresas listadas no S&P 500 divulgam seus números hoje. No front geopolítico, o encontro do presidente dos EUA, Donald Trump, com o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com a comissária de comércio da União Europeia, Cecilia Malmstrom, mantém investidores em alerta (~14h, horário de Brasília).

“Ou o país que tratou os EUA de forma injusta no comércio negocia um acordo justo, ou este será atingido por tarifas”, Trump, via Twitter.


BRASIL: CENTRÃO À PROCURA DO VICE.

Se não vai Josué, vai… Além de Josué Gomes (PR), presidente da Coteminas, há outras possibilidades para que Geraldo Alckmin (PSDB) componha a sua chapa – embora não sejam consensuais entre as siglas. O DRIVE (newsletter do Poder 360) citou 4: (1) senadora Ana Amélia (PP-RS); (2) deputado Mendonça Filho (DEM-PE); (3) empresário Flávio Rocha (PRB) ou (4) ex-deputado Aldo Rebelo (Solidariedade). Espera-se que Josué tome uma decisão até esta 5ª (26), quando o “centrão” pode oficializar o seu apoio aos tucanos. Hoje, após encontros cancelados, deve se encontrar com o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT).

Marina também procura… A pré-candidata pelo Rede também está à procura de um vice. Segundo o jornal O Globo, cogita o economista Ricardo Paes de Barros (o “PB”, do Insper), também filiado ao Rede. O jornal também menciona Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo; e o deputado Miro Teixeira.

Confiança do consumidor se recupera… Após cair 5,5% em junho, o índice de confiança do consumidor subiu 2,6% em julho. Este foi puxado tanto pelo índice que avalia a situação atual (+3,2%) quanto pelo índice de expectativas (+2,1%).

Arrecadação avança… Totalizou R$110,86 bi no último mês, em linha com as estimativas do mercado (R$110,5 bi). Desta forma, avançou 2,0% a/a considerando a arrecadação total. No acumulado de 2018, cresce 6,9% a/a. Já totaliza R$725 bi, contra os R$679 bi em igual período do ano passado.

Inflação retorna ao “normal”… Mais um índice que mostra a inflação voltando um pouco, após altas recentes (provenientes do choque dos caminhoneiros). O IPC-Fipe da 3ª quadri subiu 0,26%, com a retração de preços de alimentos e combustíveis; após 0,37% na quadri anterior. A mediana do mercado era de 0,22%, segundo a Bloomberg.

Agenda de hoje… No front macro, fluxo cambial semanal (12h30); e relatório da dívida pública de junho (sem horário). No front micro, 5 balanços sairão, considerando empresas do Ibovespa. Pré-mercado, Telefônica Brasil, Santander e Fibria. Estes últimos 2, diga-se de passagem, foram bastante fortes. O Santander tem focado no crédito ao consumidor, e às pequenas e médias empresas. Pós-mercado, Vale e EDP. Por fim, na política, Temer chega hoje em Joanesburgo (África do Sul) para a 10ª Cúpula dos Brics (que vai até 6ª, dia 27).

E os mercados hoje? Sem grandes novidades no front doméstico, e diante de cautela do investidor estrangeiro, o viés para os ativos locais não nos parece muito favorável para hoje. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, recua 1% nesta manhã (~221 pontos base), mas não há garantias que este movimento continuará ao longo de toda a sessão de hoje. A bolsa, após subir 1,49% ontem, pode acabar corrigindo ganhos. Já o dólar, beneficiado pelo exterior, tende a continuar com viés baixista no curtíssimo prazo.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,49%, aos 79.155 pontos;
Real/Dólar: -0,91%, cotado a R$3,749;
Dólar Index: -0,02%, 94,613;
DI Jan/21: -06 pontos base, 9,050%;
S&P 500: +0,48% aos 2.820 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Santander: Números do 2º tri.
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Somadas, campanhas presidenciais custarão 45% de Dilma em 2014
– Estudante brasileira é morta a tiros na Nicarágua
– Em áudio, Trump discute compra de silêncio de modelo
– Previdência complementar não atrai servidores

O Estado de São Paulo
– Ciro fala em pôr Judiciário na “caixinha” e soltar Lula
– Josué Gomes diz não e vice de Alckmin pode ser do DEM
– MG e RS podem deixar “bomba” fiscal de R$ 13 bi
– Brasileira é assassinada na Nicarágua

O Globo
– China surpreende e anuncia pacote de estímulo à economia
– Estudante brasileira é assassinada a tiros na Nicarágua
– Preso suspeito de participação na morte de Marielle
– Evasão é menor em universidades de pequeno porte

Valor Econômico
– Aços têm alta no Brasil e mercado caótico nos EUA
– Leilão testará modelo para mineração
– Ciro promete zerar déficit em dois anos
– Itaú terá de ser minoritário na XP

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. Desde 2013, é o economista da Guide Investimentos, responsável pelas análises de economia nacional e internacional.

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