Mercados Hoje: Um super ministro

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Introdução: Dia bom para os mercados globais. Números do PMI Chinês ficam abaixo do esperado pelo mercado, mas principais índices do país operam no verde. Na Europa, sessões já abrem com altas expressivas. Nos EUA, futuro do S&P indica mais um dia positivo para fechar mês em que baixas foram predominantes. No Brasil, o destaque fica para o super ministério de Paulo Guedes que irá concentrar Fazenda, Planejamento, e Indústria e Comércio Exterior; Menos ministérios é o plano de Jair Bolsonaro; Taxa de desemprego continua recuando; Copom irá optar pela estabilidade da Selic e comunicado não trará grandes pistas sobre o futuro.


CENÁRIO EXTERNO: UM CERTO ALÍVIO.

Mercados Globais… Bolsas asiáticas tem sessões de alta no dia, após um começo de semana conturbado. O Nikkei sobe +2,16% em Tóquio e o Hang Seng, +1,60% em Hong Kong. Na Europa, os principais índices começaram o dia em terreno positivo, com o FTSE de Londres subindo +1,50% e o Dax alemão, +1,29%. Nos Estado Unidos, o futuro do S&P 500 já tem alta de 0,63%, mesmo com receio de uma nova rodada de tarifas na guerra comercial com a China. O dólar, medido pelo DXY, opera na estabilidade.

Pode piorar… Os dados do PMI industrial Chinês divulgado na terça à noite vieram abaixo das expectativas de mercado, o que sinaliza que a economia está sob pressão. O índice caiu para 50,2 em outubro (ante 50,8 em setembro), o que caracteriza o menor nível desde Julho de 2016, ainda ficando acima dos 50 pontos – valor base que separa dados de uma indústria em expansão de uma indústria em contração. Apesar das tarifas não terem mostrado impactos significativos na exportação até o momento, dados de um sub índice do PMI que mede novos pedidos de exportações também atingiram o menor patamar desde janeiro de 2016.

Agenda… Lá fora a agenda é fraca, o maior destaque fica com o DOE, que informa a variação do estoque de petróleo bruto nos Estados Unidos. A expectativa é de uma alta de 2,9 milhões de barris.

 


BRASIL: UM SUPER MINISTRO

Um super ministério… Paulo Guedes é o novo super ministro do Brasil, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) decidiu criar ontem o superministério da Economia que irá abrigar sob o mesmo guarda chuva as pastas da Fazenda, Planejamento, e Indústria e Comércio Exterior. Guedes será literalmente um super ministro, todas essas pastas são enormes e possuem grandes atribuições burocráticas. Guedes comandará a programação e a execução orçamentária federal, a máquina arrecadatória da Secretaria da Receita Federal, o Banco do Brasil, CEF e BNDES. Além da secretaria de gestão das empresas estatais, bem como a política de comércio exterior e a interlocução com o empresariado. Mais uma vitória política de Guedes.

Menos ministérios… Além do super ministério da economia, que transformou 3 ministério em apenas 1, Bolsonaro quer continuar a enxugar ministérios. A meta do governo Bolsonaro é ter entre 15 e 16 ministérios.

Mudando a fórmula de cálculo… Na equipe econômica, duas propostas estão na pauta prioritária – a política do salário mínimo e a revisão de critérios para benefícios sociais. Hoje, o reajuste do salário mínimo obedece a uma fórmula que leva em consideração o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes e a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior. Mas isso só vale até 2019, para quando o mínimo está calculado em R$ 1.006 – de acordo com a proposta de Orçamento do governo. Por isso, uma nova fórmula deve ser discutida no ano que vem para determinar os valores a partir de 2020.

Um pouco mais de emprego… Segundo os dados da PNAD Contínua, no trimestre móvel encerrado em setembro, a taxa de desemprego passou para 11,9%, ante 12,1% no trimestre móvel anterior. Na série com ajuste sazonal, a taxa recuou de 12,2% para 12,0%. Por detrás dessa redução, a elevação de 0,3% MoM da força de trabalho foi superada pelo crescimento de 0,5% MoM da população ocupada. O emprego formal, no entanto, permaneceu praticamente estável. A taxa de participação com ajuste sazonal se elevou de 61,6% para 61,7%. Um bom sinal para a atividade econômica.

Dia de Copom… Hoje a noite o Copom deverá manter a taxa Selic em 6,5% e deverá deixar o comunicado sem sinalização para os próximos passos. Embora a inflação tenha subido mais rápido que o esperado pelo BC. A atividade tem avançado mais do que o antecipado, sendo que o PIB pode crescer mais no terceiro trimestre em parte por conta dos efeitos da flexibilização do PIS/Pasep, mas o nível de ociosidade permanece alto. Por fim, os modelos de projeção do BC indicam que o IPCA subirá apenas 4% em 2019, considerando-se taxas constantes de Selic e câmbio. Ou seja, a inflação segue apresentando um comportamento razoavelmente tranquilo e a recente apreciação do Real está trazendo a projeção do BC para a inflação em 2019 novamente para um nível um pouco inferior à meta, o que deverá atrasar a chegada da Selic ao seu nível de equilíbrio, de médio prazo, que é próximo de 8%a.a segundo projeções do BC que estavam no último relatório de inflação.

E os mercados hoje? O risco Brasil medido pelo CDS continua recuando 1%, agora cotado aos 203 pontos. Com o bom momento dos mercados lá fora e possibilidade de votarem a questão da cessão onerosa ainda essa semana, o dia de hoje deve ser positivo para os ativos de risco aqui no Brasil.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +3,69%, aos 86.886 pontos;
Real/Dólar: -0,57%, cotado a R$3,698;
Dólar Index: +0,45%, 97,011;
DI Jan/21: -10 pontos base, 8,120%;
S&P 500: +1,57% aos 2.683 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

Santander: Números do 3º tri.
Impacto: Marginalmente Positivo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro juntará 3 pastas e país terá superministério
– Ciro Gomes: “Nós fomos miseravelmente tráidos por Lula e seus asseclas”
– Entidades relatam preocupação com fala sobre a Folha
– Reforma previdenciária em 2018 esbarra em discordâncias

O Estado de São Paulo
– Moro admite que pode aceitar convite para integrar governo
– Novo desenho da Esplanada inclui apenas 16 ministérios
– Guedes anuncia superministéiro e quer acabar com “lobby da indústria”
– Trump quer mudar regra para cidadania

O Globo
– Paulo Guedes será superministro da área econômica
– Moro diz estar honrado com o convite de Bolsonaro
– CCJ discute ampliação da Lei Antiterrorismo
– Witzel quer atiradores para abater bandidos

Valor Econômico
– Mercado mostra dúvidas sobre a venda de reservas
– Plano para a Infraestrutura prevê R$ 180 bi
– Guedes quer duas reformas da Previdência
– João Doria rejeita a ideia de privatização da Sabesp

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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