Mercados Hoje: Um relacionamento regido por respeito (à previdência)

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Introdução: Os mercados asiáticos tiveram desempenhos mistos. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado operam no vermelho. Em NY, o futuro do S&P opera em terreno neutro, com investidores à espera dos resultados de Google, Apple e GM na semana. O dólar, medido pelo DXY, se mantém próximo da estabilidade, aos 98,027 pts. Na frente das commodities, ativos seguem se movimentando com viés mais negativo. Para mercados emergentes, o dia se inicia em tom de neutralidade, sem grandes destaques. Aqui, mudança de postura da família Bolsonaro segue sinalizando uma melhora do relacionamento entre o governo e Rodrigo Maia, fato que contribui positivamente para o cenário da Reforma da Previdência na Câmara Federal.


CENÁRIO EXTERNO: E O POMBO VOA MAIS ALTO

Mercados… Os mercados asiáticos tiveram desempenhos mistos. O Nikkei japonês caiu 0,2% enquanto o Hang Seng, em Hong Kong, avançou 1,0% na sessão. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado operam no vermelho. As bolsas de Londres e de Frankfurt recuam 0,1% e 0,3%, respectivamente. Em NY, o futuro do S&P opera em terreno neutro, com investidores à espera dos resultados de Google, Apple e GM na semana. O dólar, medido pelo DXY, se mantém próximo da estabilidade, aos 98,027 pts. Na frente das commodities, ativos seguem se movimentando com viés mais negativo. O petróleo (Brent) cai 0,3%, negociado abaixo dos US$ 72/barril. Para mercados emergentes, o dia se inicia em tom de neutralidade, sem grandes destaques.

Números (não muito) fortes… A economia americana registrou a primeira aceleração desde a metade do ano passado, crescendo a 3,2% (anual.) no 1ºTRI/2019, segundo a leitura preliminar para o período. O dado superou a mediana das expectativas de mercado (+2,3%) e reforçou o otimismo em torno de uma estabilização do crescimento econômico após o receio que os dados de atividade vinham trazendo no início do ano. Vale ressaltar: o consumo, que representa a maior fatia da economia, subiu em um ritmo ligeiramente acima do esperado pelo mercado (+1,2%), e o investimento recuou no período – fato que ofusca o bom desempenho do dado.

E o pombo voa mais alto… Na contramão, o índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE, sigla em inglês) – medida de inflação preferida pelo Fed – recuou para de 1,8% para 1,3% no trimestre, ficando ainda mais distante da meta de 2% perseguida pelo BC americano. Com esses resultados, o mercado voltou a precificar de um corte na taxa de juros em 2019, apesar de a expectativa ainda ser da manutenção da taxa de juros pelo Fed na próxima reunião do FOMC, nesta 4ªF, onde o BC americano deve ajustar suas perspectivas para a economia americana em resposta aos dados desta última leitura.

Na agenda… Além da reunião do FOMC marcada nesta 4ªF, investidores acompanharão de perto as divulgações do PCE de março (Hoje, 9h30), das leituras do PMI industrial de abril (4ªF) e dos dados de emprego americanos (6ªF). Ainda, saem os dados de PIB para o 1ºTRI/19 na Zona do Euro (3ªF) e o BoE divulga sua decisão de política monetária (5ªF).


BRASIL: UM RELACIONAMENTO REGIDO POR RESPEITO (À PREVIDÊNCIA)

Namoro reformista… Neste sábado, Jair Bolsonaro almoçou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na casa do ministro do TCU, Walton Alencar Rodrigues, e saiu de lá dizendo que a conversa entre os dois for “maravilhosa” e que estava “namorando” Maia.

Um relacionamento regido por respeito (à Previdência)… O almoço aconteceu após entrevista de Maia ao BuzzFeed News, divulgada na 6ªF, onde o Presidente da Câmara chamou Eduardo Bolsonaro de “deslumbrado” e Carlos Bolsonaro de “radical”. A reação do Presidente, que disse não acreditar na notícia uma vez que “ele e Maia se respeitavam”, se somou a uma série de sinalizações que apontam para uma melhora de relacionamento entre os dois.

Família unida na causa… Apesar de terem sido os principais alvos das críticas de Maia, Carlos e Eduardo só publicaram pautas positivas em suas contas no Twitter, ambos assumindo a defesa da reforma da Previdência e da recuperação econômica, para o espanto dos seus seguidores.

Não é nada trivial… A reaproximação entre Maia e o governo, apesar de ter fabricado disputas não fora de contexto no passado, é de suma importância para um avanço mais tranquilo da PEC da Previdência, principalmente nesta nova fase, na Comissão Especial, que tem tudo para já ser muito complicada.

Sobre essa nova etapa… As 40 sessões do plenário da Câmara para a contagem do prazo regimental da comissão especial começam a correr hoje, com a primeira sessão marcada para 7 de Maio (esta semana o texto não avança).

Tem até o dia 15… No cenário mais otimista, Maia espera votar a reforma no plenário antes do recesso do meio de ano, até o dia 15 de junho, mas por conta do tempo limitado o mais provável é que fique para agosto.

Na agenda… Os principais destaques da agenda desta semana são as divulgações da Pnad Contínua e da produção industrial de Março, na 6ªF.

E os mercados hoje? Com viés mais neutro dos mercados externos, o novo tom eque tem levado as conversas entre Bolsonaro e Rodrigo Maia neste fim de semana e podem ser favoráveis para o desempenho dos ativos neste fim de mês, uma vez que promovem uma melhora de perspectiva para o andamento da PEC da Previdência na Câmara.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,33%, aos 96.236 pontos;
Real/Dólar: -0,49%, cotado a R$ 3,9321;
Dólar Index: +0,02%, 98.023;
DI Jan/21: +3 pontos base, 7,110%;
S&P 500: +0,47% aos 2.939 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Igreja deve pagar tributo novo, diz chefe da Receita
– Socialistas vencem na Espanha, mas sem maioria
– Frentes temáticas duplicam, mas pautas travam
– Êxodo de fábricas afeta o setor farmacêutico

O Estado de São Paulo
– Apoio a Bolsonaro diminui entre mais pobres e nas capitais
– Em SP, DEM apoia Covas e prega fusão com PSDB
– Espanha elege socialista e leva ultradireita ao Parlamento
– Juro baixo faz investidor fugir da renda fixa

Valor Econômico
– Lucro das grandes estatais cresce 132%, para R$ 74 bi
– Reforma prevê reajustes de 1% para servidor
– Investidores disputam debêntures com bancos
– Janguiê Diniz agora aceita vender a Ser Educacional

O Globo
– Disputa judicial com empresas pode custar R$ 229 bi à União
– Ala ideológica do governo mira ministro Santos Cruz
– Ventania e chuva causam estragos e falta de luz no Rio
– A nova onda de acidentes

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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