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Mercados Hoje: Um impasse a menos

Introdução: Na Ásia, o ambiente foi bastante favorável para ativos de risco. O anúncio de que os EUA suspenderam a imposição de tarifas sobre produtos mexicanos contribuiu para manutenção do bom desempenho dos mercados, que já se beneficiam de uma aposta maior em cortes de juros por BCs ao redor do globo. Na Europa, os principais índices de mercado operam com ganhos. Os futuros em NY seguem na mesma direção, indicando uma abertura positiva para ativos de risco americanos, e o dólar (DXY) avança contra seus principais pares. Aqui, desenvolvimentos negativos na cena política jogam contra os mercados domésticos nesta 2ªF, mas estes deverão seguir se beneficiando do bom desempenho dos ativos no exterior.


CENÁRIO EXTERNO: UM IMPASSE A MENOS

Mercados… Na Ásia, seguiu o ambiente favorável para ativos de risco. As bolsas de Tóquio e de Shanghai avançaram 1,2% e 1,3%, respectivamente. O anúncio de que os EUA suspenderam a imposição de tarifas sobre produtos mexicanos contribuiu para manutenção do bom desempenho dos mercados, que já se beneficiam de uma aposta maior em cortes de juros por BCs ao redor do globo. Na Europa, os principais índices de mercado operam com ganhos, com exceção do DAX (Frankfurt), que não abriu para negociações por conta de feriado. Os futuros de NY seguem na mesma direção, indicando uma abertura de negociações positiva para ativos de risco americanos, e o dólar (DXY) avança contra seus principais pares.

Um impasse a menos… Os Estados Unidos anunciou que chegou a um acordo com o governo mexicano e uma trégua foi estabelecida antes mesmo de que as tarifas começassem. Um alívio gigantesco ao mercados globais, e traz mais um alívio ao cenário global. Além de aumentar a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e China.

Um impacto a mais… A economia americana é extremamente integrada com a mexicana, uma escalada tarifária de grandes proporções entre os dois países traria impactos bem mais profundos a economia americana do que aqueles já sentidos pelas tensões com a China.

Um momento mais tranquilo… A notícia da trégua entre as economias da américa norte, já são sentidas nos mercados globais, com o início da semana na Ásia já mostrando que podemos ter mais uma semana de diminuição no sentimento global de aversão ao risco. Traduzindo em números os futuros do S&P subiam e o peso mexicano ganhava mais de 2%. O iene começou a semana caindo -0,4%, o que confirma que a semana começará com uma menor aversão ao risco global.

Semana cheia no exterior (agenda da semana)… Terça-feira (11) saem os dados da inflação ao produtor nos Estados Unidos, o PPI (na sigla em inglês), além dos dados da inflação ao consumidor na China; Quarta-feira (12) teremos a divulgação da inflação ao consumidor americano, o CPI (na sigla em inglês); Na quinta-feira (13) teremos os dados da produção industrial europeia e os dados da indústria chinesa; Por fim na sexta-feira serão divulgados os dados da produção industrial americana pelo FED e os dados da confiança do consumidor, medidos pela Universidade de Michigan.

 


BRASIL: COLABORAÇÃO INDEVIDA

#VazaJato… O site Intercept Brasil publicou matéria, domingo (09), alegando ter acesso a mensagens de texto que comprovam colusão entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, durante a operação Lava Jato.

#LulaLivre… O Partido dos Trabalhadores deve utilizar as conversas, de fonte anônima, para dar sustentar as acusações que Sérgio Moro é um juiz parcial e que o ex-presidente Lula foi injustamente condenado. Entretanto, apesar das manchetes dramáticas, as revelações mais bombásticas entre as comunicações incluem o ministro Moro cobrando celeridade de Dallagnol, além de cateterizar o Supremo Tribunal Federal como “mafiosos”.
Durante a semana, a oposição – principalmente o Partido dos Trabalhadores – deve divulgar a matéria para minar a imagem do ministro mais popular do governo. Vale ressaltar que Moro já sofreu acusações que questionaram a sua atuação na operação Lava Jato, quando divulgou grampo com áudios contendo conversa entre o investigado Lula e a então presidente Dilma. Na ocasião, a popularidade do ministro só foi reforçada.

Bolsa Família… A Comissão Mista do Orçamento (CMO) deve votar, terça-feira (11), o projeto de lei que disponibiliza $ 248,9 bilhões em créditos suplementares ao governo. O executivo requer o financiamento para dar continuidade a programas como o Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada e o Plano Safra. A permissão do Congresso é necessária para evitar a quebra da regra de ouro, que impede o governo de se endividar para pagar despesas correntes, sem autorização prévia.

Twitter… No domingo, o presidente Jair Bolsonaro criticou a oposição, que celebrava a obstrução (não realização) da reunião que disponibilizaria o financiamento aos programas. O presidente pretende constranger as lideranças da oposição, que bloqueiam o financiamento de programas populares, entre as suas próprias bases eleitorais, para atingirem o presidente.

Oposição… Alguns oponentes da medida esperam cortar o montante disponível ao presidente pela metade, além de garantir financiamento ao programa Minha Casa Minha Vida, e a tentativa de reverterem cortes orçamentários feitos aos Ministérios da Saúde e Educação.

Véspera da divulgação… O relator da Comissão Especial da proposta de Emenda à Constituição da Previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP), deveria divulgar o relatório amanhã (terça-feira 11/06) , porém já anunciou uma nova data: quinta-feira (13/06).

Relevância… O parecer do relator é relevante porque representa a primeira resposta oficial do Congresso à proposta governista. Enquanto o parecer proferido na Comissão de Constituição e Justiça tinha seu escopo limitado a constitucionalidade da PEC 06/19, o que será divulgado no início desta semana trata do mérito da propositura. No documento, Samuel Moreira opinará sobre o projeto e recomendar alterações, criando um novo ponto de partida para discussões, agora com contribuições do Congresso.

Principal determinação… O principal ponto de interesse é o tamanho da economia gerada pelo governo como resultado do projeto. O ideal seria economia próxima de um trilhão. A Câmara certamente irá se empenhar para reduzir a severidade e intensidade da reforma, o parecer do relator deve refletir essa realidade política e apresentar um montante que permite que os parlamentares façam cortes, sem que a quantia caia abaixo de R$ 800 bilhões, a meta estabelecida pelo ministro Paulo Guedes.

Holofotes sob o relator… Samuel Morreria é o homem mais pretendido do momento. Todo tipo de representante de classe busca garantir a manutenção das características favoráveis do atual regime previdenciário, através do parecer do relator. A equipe econômica do governo; outros deputados; representantes estaduais e municipais; além de líderes sindicais monitoram cada passo do tucano. O deputado tem feito inúmeras reuniões nos últimos dias, mas mantém os detalhes da proposta sobre sigilo.

Estados e municípios… Entre as questões mais impactantes que ainda devem ser definidas pelo relator, está a manutenção dos estados e municípios na PEC. Muitos parlamentares resistem a inclusão dos entes na proposta federal. Esses parlamentares entendem que o desgaste resultante das alterações austeras deve incidir sobre os próprios representantes do Executivo, em suas respectivas assembleias e câmaras.

Deputado Marcelo Ramos… O presidente da Comissão Especial tem atuado como defensor do Congresso em tudo relacionado a Previdência. Durante a semana passada, o parlamentar do PL direcionou sua atenção ao grupo e governadores que buscavam incluir seus estados na reforma da Previdência. Ramos criticou a tentativa dos chefes estaduais de constranger o Congresso, demandando que os governadores garantam apoio, na futura votação que ocorrerá na Câmara, através de articulação com bancadas partidárias e estaduais. A inclusão dos estados e municípios na reforma da Previdência geraria economia superior a R$ 300 bilhões para os vários estados e municípios brasileiros.

Desfecho… O parecer do relator será apresentado esta semana, as alterações feitas por Samuel Moreira não devem desidratar as economias do governo, muito além do chão – para esta etapa – de um trilhão de reais. É mais provável que os estados e municípios sejam mantidos do que excluídos da reforma. Também existe a possibilidade de manter municípios e excluir estados. O plano de contingência incluiria algum mecanismo legislativo que facilita reformas que feitas em colegiados estaduais e municipais.

Agenda carrega por aqui também… Na terça-feira (11), o IBGE divulga os dados do levantamento sistemático da produção agrícola; Quarta-feira (12) conheceremos os dados do comércio em abril, na PMC, também divulgada pelo IBGE; Quinta-feira (13) outro dado importantíssimo de atividade, a PMS que trará o desempenho do setor de serviços em abril; Por fim, fechando a semana carrega de dados de atividade, na sexta (14) teremos os dados do IBC-Br, calculados pelo Banco Central.

E os Mercados Hoje? O bom desempenho dos ativos no exterior deverá fornecer fôlego extra para o mercado doméstico, que teve a cena política jogando contra no fim de semana. Tendo isso em vista, esperamos um dia neutro/positivo para ativos de risco brasileiros, que terão seus desempenhos ainda condicionados aos inúmeros desenvolvimentos da agenda política doméstica.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,63%, aos 97.821brl pontos;
Real/Dólar: +0,01%, cotado a R$ 3,8810;
Dólar Index: +0,297%, 96,840;
DI Jan/21: -12 pontos base, 6,270%;
S&P 500: +0,82% aos 2.826 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Mensagens mostram colaboração entre Moro e Dallagnol na Lava Jato, diz site
– Doria diz que momento é de paz pela Previdência
– Revelações comprometem chance de indicação de Moro ao Supremo
– Bolsonaro terá de nos aturar por dois anos e vice-versa, dizem Maia e Alcolumbre

O Estado de São Paulo
– Estados enfrentam crise, mas sobram recursos no Judiciário e no Legislativo
– PF apura invasão de telefones de Moro e de procuradores
– Relator da reforma pode criar nova regra de transição
– Furtos custam R$ 150 mi por ano à Petrobras

Valor Econômico
– G20 quer acordo até 2020 para taxar gigantes digitais
– Futuro do BNDESpar vira alvo de debate no governo
– Renault vai mudar governança da Nissan
– Trump quer mais compras do México após acordo

O Globo
– Com novo regra, quase todas as MPs dos últimos 4 anos teriam perdido a validade
– Moro e Deltan combinavam atuações no âmbito da Lava-Jato, diz site
– Prevista para hoje, assinatura de pacto entre Poderes é adiada
– Julgamentos virtuais avançam no Supremo Tribunal Federal

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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