Mercados Hoje: Turbulência pontual

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Introdução: Prevalece a cautela no exterior, depois de um ensaio de recuperação ontem. Investidores estão à espera do início do simpósio de Jackson Hole e acompanham as novidades da relação entre EUA e China. Hoje entra em vigor a entrada de tarifas mútuas de importação entre China e EUA de 25% sobre US$ 16 bilhões em produtos. Nesse contexto que os dois países tentam encontrar acordos para arrefecer a escalada protecionista. Ata do FOMC não trouxe muitas novidades. O dólar se fortalece no exterior. Moedas de emergentes voltam a se desvalorizar. O viés para as commodities é de baixa. No Brasil, incerteza política persiste. Bolsonaro sinaliza que pode não participar mais de debates. Haddad tenta ficar mais conhecido no Nordeste e se aproxima também do mercado. No front Macro, Inflação deve ceder em agosto e BC realiza reunião com economistas.


CENÁRIO EXTERNO: ATA DO FOMC.

O “básico” sobre os mercados… A Ata do comitê de política monetária do Fed de 01 de agosto divulgada ontem manteve o cenário apesar dos riscos da guerra comercial. Os diretores do Comitê apostam que a economia continuará a crescer num ritmo acima do potencial da economia americana neste semestre. O maior risco para este cenário de crescimento decorre da disputa sobre a política de comércio exterior. Um forte aumento das tarifas de importação e que afete vários produtos terá efeitos negativos sobre o poder de compra das famílias e sobre a confiança dos empresários. Além disso, tarifas de importação elevadas podem prejudicar a produtividade daquelas empresas que dependem de fornecedores externos. Quanto à inflação, o cenário básico continua sendo de que a inflação ficará em torno de 2,0%, por conta da elevada utilização dos fatores de produção e das expectativas de inflação ancoradas no objetivo do Fed. Por fim, os diretores do Fed concordaram com a continuidade da elevação gradual dos juros. Assim, se consolida o cenário de que o Fed elevará o juro básico para 2%/2,25% em setembro, em linha com as projeções majoritárias do mercado.

Europa nem tanto… Na Zona do euro, a indústria não dá sinais de estabilização em agosto, segundo PMI. O indicador apresentou leve recuo e o PMI composto da região ficou levemente abaixo das projeções de 54,5 em 54,4.

Sem provas… Ontem ainda pela manhã, Lanny Davis, integrante da equipe de defesa de Michael Cohen, admitiu não haver provas físicas contra Trump. As declarações melhoraram o humor das bolsas globais, e deram fôlego ao dólar no exterior. Os julgamentos de Cohen e Manafort seguem “mexendo” com os mercados. Afinal, aumenta a pressão política contra Trump nas vésperas das eleições de novembro (onde os democratas buscam recuperar o controle do Congresso).

Relembrando o caso… Michael Cohen, ex advogado pessoal de Trump, se declarou culpado das acusações de sonegação fiscal, fraude bancária e violações de financiamento de campanha, afirmando que agiu sob orientação de Donald. Cohen admitiu ainda ter realizado pagamentos para silenciar 2 mulheres com informações que poderiam prejudicar a campanha eleitoral de Donald. A confissão de Cohen coincidiu com a condenação de Paul Manafort, ex-gerente de campanha de Trump, acusado também de fraudes financeiras.

“Se alguém está procurando um bom advogado, eu sugiro fortemente que não contrate os serviços de Michael Cohen”, escreveu Donald Trump em seu Twitter.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, saem as vendas de residências novas (11h), referentes a julho e a preliminar do PMI de agosto (10h45). O simpósio de Jackson Hole também deve concentrar a atenção do mercado. Amanhã o presidente do Fed, Jerome Powell, discursa no evento.


BRASIL: BOLSONARO FORA DE “UM OU OUTRO” DEBATE; DESAFIO FISCAL; HADDAD E O MERCADO.

Farsa… De acordo com o presidente do PSL, Gustavo Bebianno, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) não deve participar mais dos debates da campanha à Presidência, mesmo depois de ter assegurado, em junho, que estaria presente em todos os eventos. Segundo Bebianno, os debates se transformaram em uma “farsa”, na qual é impossível aprofundar qualquer proposta. A direção da rádio Jovem Pan, emissora onde ocorrerá o próximo debate, na segunda-feira, já foi informada da decisão. O presidente do PSL, contudo, deixou uma porta aberta para, eventualmente, participar de “um ou outro” debate. O presidente do PSL negou que o o confronto direto entre Bolsonaro e Marina Silva (Rede), no último debate, realizado pela Rede TV! na sexta-feira passada, tenha pesado na decisão. No embate com Marina, ele foi questionado sobre a diferença salarial entre homens e mulheres. Paulo Guedes também não deve participar de programa na Globonews na noite de hoje.

Desafio Fiscal… Paulo Guedes, que assessora Jair Bolsonaro (PSL), líder das pesquisas de intenção de voto no cenário sem Lula (PT) foi recebido ontem nos ministérios da Fazenda e do Planejamento para falar sobre as finanças públicas. Na equipe do candidato a percepção que ficou é de que não vai ser fácil equilibrar as contas públicas e que o mais urgente é reduzir despesas. A equipe econômica traçou um quadro dramático sobre a situação frágil das contas e forneceu dados sobre as projeções de déficits, o engessamento do Orçamento, a folha de pagamento da União e a necessidades de reformas. Os atuais ministros têm buscado se reunir também com os coordenadores econômicos de outras campanhas, com o objetivo de preparar o terreno para a transição, seja quem for o eleito em outubro. Por enquanto, o desafio fiscal persiste e ainda não existe uma definição de quem será o condutor desses ajustes.

    Reaproximação… Após ser confirmado como vice da chapa presidencial petista e se tornar a opção preferencial para substituir o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato ao Planalto, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad entrou de forma mais enfática no foco de interesse do mercado financeiro. A campanha presidencial do partido intensificou nas últimas semanas o diálogo com representantes de grandes bancos, instituições financeiras e corretoras de investimentos. Uma pergunta ouvida frequentemente pelo ex-prefeito, conforme relatos, é quem seria a alternativa do PT para comandar o Ministério da Fazenda caso o partido voltasse ao Planalto. Haddad considera adequado: um quadro conhecido do mercado, com credenciais fortes, afinado ao projeto petista e dono de uma biografia que remeta ao pragmatismo. O petista se empenha em apresentar um discurso sustentado no rigor fiscal com compromisso social, combinado ao pragmatismo na economia.

    Discreto… A equipe econômica continua acompanhando a valorização do dólar, mas avalia que ainda não é o caso de intervir no mercado. Para eles, a turbulência é pontual. Segundo interlocutores do governo, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e o presidente do BC, Ilan Goldfajn, não intensificaram as conversas nos últimos dias, o que sinaliza que estão tranquilos com o quadro no câmbio. Mas isso não impede que o BC venha a atuar futuramente caso a moeda continue a subir. Ilan viaja hoje ao simpósio de Jackson Hole.

    Agenda de hoje… Inicia a contagem de 7 dias para que candidatos que tiveram o registro questionado na Justiça Eleitoral apresentem defesa. O prazo vale para o ex-presidente, alvo de 15 contestações no TSE. No front macro, arrecadação, inflação e reunião do BC. A Receita Federal divulga o resultado da arrecadação de tributos federais e contribuições previdenciárias de julho. Em junho, foram R$ 110,86 bilhões, alta real de 2% em relação ao mesmo mês do ano passado. O IBGE divulga o IPCA-15 de agosto (09h). A taxa ficou em 0,64% em julho. A expectativa é que o IPCA-15 deve ceder para 0,10% em agosto. A desaceleração na margem será propiciada pelos recuos dos grupos Alimentação, Habitação e Transportes. Diretores do BC realizam esta manhã (10h30) reunião trimestral com economistas em São Paulo.

    E os mercados hoje? Sem grandes novidades no front doméstico, e diante de cautela do investidor estrangeiro, o viés para os ativos locais não nos parece muito favorável para hoje. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, apresenta leve alta nesta manhã (~267 pontos base). A bolsa, após subir forte ontem, pode acabar corrigindo ganhos. Já o dólar, pode testar novos patamares, com as incertezas políticas prevalecendo.

     

    Sobre o fechamento do último pregão:

    Ibovespa: +2,29%, aos 76.902 pontos;
    Real/Dólar: -0,14%, cotado a R$ 4,043;
    Dólar Index: -0,12%, 95,146;
    DI Jan/21: -10 pontos base, 9,560%;
    S&P 500: -0,04% aos 2.862 pontos.

    Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


    EMPRESAS:

    Klabin: Cia planeja expansão e reforça foco em embalagem.
    Impacto: Neutro.

    Luis Gustavo Pereira – Estrategista


    Jornais:

    Folha de São Paulo
    –  Apoio à presença do Exército no Rio cai 17 pontos em 10 meses
    – Por unanimidade, mandato de Maluf é cassado na Câmara
    – Ex-dirigente da CBF, Marin é condenado a 4 anos de prisão
    – Impeachment passa a rondar Donald Trump

    O Estado de São Paulo
    – 27% dos investigados na Lava-Jato declaram patrimônio menor
    – Câmara cassa mandato de Maluf
    – Ampliação dos saques do PIS/Pasep dá alento à economia
    – País cria 47,3 mil vagas em julho

    O Globo
    – Eleitor despreza alianças e cria “frankensteins”
    – Alerj põe em risco socorro ao Rio
    – Dólar alto deixa indústria em compasso de espera
    – Tráfico contou com reforço para enfrentar militares

    Valor Econômico
    – Custo do “frete de retorno” preocupa o setor agrícola
    – BP diz que pré-sal é de “baixo custo”
    – Sem Lula, Marina é a preferida no Nordeste
    – Situação está pior que em 2002, diz Arminio

    Contatos

    Renda Variável*


    Luis Gustavo Pereira – CNPI
    [email protected]

    Equipe Econômica

    Lucas Stefanini
    [email protected]

    Rafael Gad
    [email protected]

    Julia Carrera Bludeni
    [email protected]

    *A área de Renda Variável é a responsável por todas as recomendações de valores mobiliários contidas neste relatório.
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    Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

    Estrategista

    Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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