Mercados Hoje: Tumulto vermelho

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Introdução: Prevalece o bom humor no cenário internacional. As bolsas sobem, após boa sessão nesta 2ª (ontem). Não há fatos novos sobre a “guerra comercial”; e investidores monitoram a viagem de Donald Trump pela Europa nos próximos dias. Hoje, é dia de agenda esvaziada (a despeito de França x Bélgica). No Brasil, o mercado volta a revisar a inflação deste ano para cima; mas mantém projeções de câmbio (R$3,70) e Selic (6,50%). O “centrão” está bastante dividido. Por fim, vale dizer: o “tumulto vermelho” não parece fazer preço nos mercados, embora a imagem do país fique arranhada, é claro. O ambiente ainda é de elevadas incertezas.


CENÁRIO EXTERNO: BOM HUMOR PREVALECE.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa operam em alta, após sessão de ganhos na China e no Japão. Nos EUA, a sessão de ontem foi positiva (S&P 500 +0,88%). Hoje, o S&P futuro também sobe nesta manhã. As commodities opera com viés mais negativo, em dia de dólar forte. Ainda assim, o petróleo (brent ) sobe, e opera na casa dos US$78-79/barril; e o minério de ferro subiu 0,13% na China, cotado a US$63,92/tonelada. Os juros das Treasuries também sobem (10 anos ~2,86%).

Na agenda de hoje… Dia mais fraco. Os investidores, ainda assim, monitoram os próximos passos de Donald Trump, que estará na Europa nos próximos dias.

Sobre Copa do Mundo… Segundo o blog FiveThirtyEight, do estatístico Nate Silver, o jogo França x Bélgica (15h) não tem grande favorito. A probabilidade de o 1º vencer é de 52% (a do 2º vencer, portanto, é de 48%). Já amanhã, no Inglaterra x Croácia, as probabilidades são ligeiramente favoráveis ao 1º: 57% a 43%.


BRASIL: UM “CENTRÃO” NADA CENTRALIZADO.

O tumulto vermelho (petista): vida que segue… A despeito do acontecido no último domingo (dia 8), o ex-presidente Lula segue preso, em Curitiba, e a perspectiva de participar das eleições de outubro continua baixíssima, para dizer o mínimo. A imagem do país, no entanto, sai arranhada. A insegurança permanece elevada. De tudo isto, vale destacar: ontem, enquanto os mercados permaneciam fechados (feriado em SP), os ativos locais reagiram bem ao exterior. As ADR’s subiram, e a percepção de risco país recuou. Ou seja: o “sai, não sai” não chegou a contaminar os mercados.

E se Temer viaja? O presidente Temer tem 3 viagens internacionais previstas para este mês: Cabo Verde (17 e 18), México (23 e 24) e África do Sul (25 a 27). Com isto, Cármen Lúcia, a presidente do STF, é quem assumiria a Presidência (dado que os presidentes da Câmara e Senado, antes dela na linha sucessora, não o farão, por conta das eleições do Legislativo). A preocupação é a seguinte: se ela abre mão da presidência do Supremo (não é certo que fará isto), o PT poderia tentar alguma manobra durante plantão do ministro Dias Toffoli, para tentar soltar Lula.

Nova cara do Trabalho… O advogado Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello tomará posse do cargo hoje (dia 10), às 15h, no Planalto. Ele é desembargador aposentado e ex-vice-presidente do TRT-3. Segundo o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo), a nomeação foi uma “escolha pessoal” do presidente Temer. Antes, as indicações eram feitas pelo PTB.

Na Câmara, os destaques… O governo corre contra o tempo, e tenta aprovar, de uma vez por todas, o projeto que viabiliza a venda das distribuidoras de energia da Eletrobras. A ideia seria fazê-lo antes do dia 17 de julho (próxima 3ª), quando começa o recesso parlamentar. A probabilidade disto acontecer? Baixíssima. Ainda assim, vale dizer: na pauta do plenário de hoje, os destaques que ainda precisam ser avaliados podem ser votados…

DEM, Datena, e o que fica de tudo isso… O apresentador José Luiz Datena, filiado ao DEM, desistiu de sua candidatura ao Senado por SP. É algo que enfraquece o PSDB, na opinião dos jornalistas do Poder360. “Revela o quanto PSDB e DEM estão perdidos” , afirmam. Afinal, poderia participar de uma coligação com Dória (PSDB), pré-candidato ao governo de SP. Ainda com relação ao DEM: ao menos 20 dos 43 deputados consideram apoiar Jair Bolsonaro (PSL) – outro indício de que, no “centrão”, há pouco controle. Na semana passada, dissemos que o DEM deve definir suas alianças entre 18 e 20 deste mês.

Ainda sobre o “centrão”… Segundo a Folha, o grupo que era até há pouco composto por 5 partidos — DEM, PP, SD, PRB e PSC — começa a dar “sinais de rachadura”, a poucos dias do início das convenções partidárias (de 20 de julho a 5 de agosto). Não está nada claro se o bloco apoiará a um único candidato. Aliás, DEM, PP, SD estariam próximos de Ciro Gomes (PDT), diz a matéria. O PSC mal participa das reuniões. Por fim, o PR, que também faz parte do “grande centrão”, estaria próximo de Bolsonaro (PSL).

Anfavea: em junho, boa recuperação… Segundo os dados divulgados na 6ª (dia 9), a produção nacional de veículos avançou 20,8% a/a, após recuar 15,4% a/a em maio. Em 12 meses, cresceu 18,5%, ante 17,9% há um mês. Na série com ajuste sazonal, vimos um avanço de 37,0% m/m em junho, após queda de 27,8% no mês anterior. Neste contexto, a produção industrial tende a recuperar-se no mês (10% m/m), após queda de maio.

Boletim Focus… O mercado revisou o IPCA esperado para 2018 para cima, de 4,03% para 4,17%. Para 2019, manteve os 4,10%. O PIB deste ano deve crescer 1,53% (esperava 1,55% há 1 semana); e 2,50% em 2019 (projeção inalterada). O câmbio também ficou na mesma: R$3,70 para o final deste ano, e R$3,60 para o final do próximo. O mesmo para a Selic: deve encerrar 2018 em 6,50%; e 2019 em 8,00%.

Agenda de hoje… No front macro, é dia fraco. O IBGE divulga o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (9h), referente a junho.

E os mercados hoje? O viés para os ativos locais é mais positivo hoje, após feriado em SP (viés de alta em bolsa, e de baixa em DIs e dólar). Ontem, a sessão foi positiva para os ativos locais, e a percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, recuou 2,3% (de 254 para 248 pontos base). No exterior, o clima é mais positivo, sem fatos novos envolvendo EUA e China. Somado a isto, a agenda macro, aqui e lá fora, é esvaziada hoje.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,61%, aos 75.010 pontos;
Real/Dólar: -1,74%, cotado a 3,862;
Dólar Index: -0,46%, 93,963;
DI Jan/21: -16 pontos base; 9,25%;
S&P 500: +0,85% aos 2.759 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Braskem: Venda da Braskem deve ser assinada com LyondellBasell até outubro
Impacto: Marginalmente Positivo.

Cesp:Governo paulista marca leilão da Cesp para início de outubro
Impacto: Marginalmente Positivo.

Petrobras:Cia está perto de concluir venda de sua fatia na PetroÁfrica
Impacto:Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Estados compensam baixa no óleo diesel com alta na gasolina
– Procuradoria diz que STJ deve julgar Lula
– Contra lotação nas emergências, SUS se inspira em montadora
– Odebrecht chega a acordo e pode fazer contrato com União

O Estado de São Paulo
– Após manobra, PGR quer que só STJ avalie recursos de Lula
– Odebrecht firma acordo de leniência de R$ 2,7 bilhões
– Previsão de chuva acelera resgate na Tailândia
– Datena desiste de candidatura ao Senado

O Globo
– Previsão para crescimento do PIB tem “teto” de 1,5%
– Saída de Boris Johnson abala governo britânico
– Crivella articula sua defesa na Câmara
– Equipe resgata mais quatro garotos

Valor Econômico
– Fundos de participações têm maior captação desde 2014
– Subsídios do Rota 2030 vão a R$ 3,7 bi
– ONU cobra mais ação dos “atores da economia”
– Valor da Braskem pode ir a R$ 55 bi

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Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Ignácio Crespo Rey
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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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