Mercados Hoje: Todas as peças no tabuleiro

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Introdução: Os mercados asiáticos operaram com viés mais positivo nesta 5ª feira. Na Zona do Euro, os principais índices de mercados se mantêm majoritariamente no vermelho. Em NY, apesar da postura mais “dovish” que vem sendo sinalizada pelo Fed, o futuro do S&P opera em terreno negativo pela manhã, indicando uma abertura de negociações mais fraca em Wall Street. O dólar (DXY) ganha força contra seus principais pares, se recuperando da desvalorização mais acentuada registrada ontem. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés misto. O petróleo (brent) se mantém acima dos US$ 68/barril. Aqui, ruído político seguiu prejudicando o desempenho do índice.


CENÁRIO EXTERNO: ANO DA POMBA

Mercados… Os mercados asiáticos operaram com viés mais positivo nesta 5ª feira. As bolsas de Tóquio e Shanghai registraram altas de 0,2% e 0,4%, respectivamente. Na Zona do Euro, os principais índices de mercados se mantêm majoritariamente no vermelho. Em NY, o futuro do S&P opera em terreno negativo pela manhã, sinalizando uma abertura de negociações mais fraca em Wall Street. O dólar (DXY) ganha força contra seus principais pares, se recuperando da desvalorização mais acentuada registrada ontem.

Ano da pomba… Confirmando expectativas, o Federal Reserve decidiu pela manutenção do teto da taxa de juros em 2,5% a.a. na última reunião do FOMC. No entanto, a grande surpresa veio da postura mais “dovish”, com os membros votantes do comitê sinalizando que a taxa de juros deverá permanecer no patamar atual ao longo de todo o ano de 2019 e que a redução do balanço do BC americano deve cessar já em setembro (a partir deste ponto, o BC investirá em treasuries, com o limite mensal de US$ 20 bilhões). Essa posição do Fed reflete a preocupação em torno da queda de ritmo do crescimento da atividade econômica, da dinâmica baixista dos preços do setor energético – que tem pesado sobre a inflação – e dos riscos externos, que incluem o arrefecimento econômico na China e na Europa e os respaldos do divórcio do Reino Unido com a UE. Disponibilizamos as projeções na íntegra no nosso Flash Macro.

Na agenda… As divulgações do índice de atividade do Fed/Filadélfia (9h30) e do índice de indicadores antecedentes de fevereiro da Conference Board (11h) devem servir como mais um termômetro para a economia americana. Na Zona do Euro, o BoE (BC inglês) divulga a sua decisão sobre política monetária às 9h e em seguida, às 12h, sai o índice de confiança do consumidor (resultado preliminar de março).

 


BRASIL: TODAS AS PEÇAS SOBRE O TABULEIRO

Todas as peças sobre o tabuleiro… Ontem o governo entregou ao congresso o projeto de lei que legisla sobre a previdência dos militares. Era o último pedaço que faltava para que a câmara desse o start de fato a apreciação da reforma da previdência.

Militares fora da trincheira… O plano previdenciário proposto pelos militares gerará em 10 anos uma economia de R$96 bilhões, porém, como contrapartida o governo decidiu ouvir velhas reivindicações dos militares e em conjunto com a reforma, apresentou um plano de reestruturação da carreira militar. Tal reestruturação terá um custo de mais de R$85 bilhões em 10 anos.

Aritmética de pouco resultado… No final das contas o que o governo apresentou foram mudanças que integralizam uma economia de pouco mais de R$10 bilhões em 10 anos, para o sistema de previdência dos militares. Grupo que tem o maior déficit previdenciário dos regimes próprios de previdência – RPPS, com um déficit atuarial anual rodando na casa de R$43 bilhões.

Uma peça que bagunça o intrincado quebra cabeça… O mercado viu como negativo o plano para os militares, uma vez que ele trouxe uma série de benesses para uma categoria do serviço público. Além, do maior grupo político que ocupa o governo federal ser praticamente todo (nos altos escalões) composto por militares ou ex-militares.

Embola o discurso…O governo tem se apoiado na estratégia de comunicação de que a previdência gera e perpetua desigualdades esdrúxulas no país, e que por isso a mesma precisa ser reformada. Porém, com esse projeto para os militares, o governo instalou um gigantesco telhado de vidro em cima da sua principal linha retórica.

O primeiro Copom foi parecido com o último… A primeira reunião do Copom presidida por Roberto Campos Neto, optou por deixar a taxa de juros em 6,5%a.a. No comunicado emitido, ressaltou que a atividade econômica ainda tem um ritmo gradual de recuperação e que as expectativas de inflação estão ancoradas em todo o horizonte relevante para a política monetária. O comunicado ressaltou que o comitê operará com calma e serenidade na avaliação dos próximos passos acerca do nível da taxa básica de juros. Nada de muito diferente em relação ao último Copom com Ilan Goldfajn no controle do BC.

O time mudou, alguns ficaram, porém a essência é mesma… Lembrando que dois diretores centrais na condução da política monetária na era Ilan, Tiago Couto Berriel e Carlos Viana, ainda permanecem no comitê, além de adições de novos diretores de perfil bastante similar daqueles que ficaram. A continuidade nas ações já era esperada.

Tudo sob controle… Olhando as projeções que o comitê liberou ontem temos o seguinte quadro: No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 6,5% a.a. e se eleva a 7,75% a.a. em 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,70 e 2020 em R$/US$ 3,75. No cenário com juros constantes a 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 3,85*, as projeções situam-se em torno de 4,1% para 2019 e 4,0% para 2020. Tudo dentro do “combinado”.

Assimetria que se tornou simetria. A grande diferença, talvez a única latente, entre os dois últimos comunicados do Copom, foi a troca da pala assimetria por simetria no balanço de riscos. O que significa que o BC agora enxerga que existem riscos iguais para ambos os lados na questão da inflação. Antes o BC julgava que existiam mais riscos negativos do que positivos.

Abrindo caminho… A sútil mudança, que em termos de política monetária significam dizer muito, abre caminho semântico para que o BC possa deixar em aberto a possibilidade de um corte de juros em 2019. Porém, como o próprio comunicado deixa claro, o principal risco ainda é a reforma da previdência.

Nosso pitaco… O time de economia da Guide, acredita que a Selic permanecerá estável em 6,5% pelo menos até a aprovação da reforma da previdência. Para cortar, precisaria haver amplo espaço na atividade econômica e uma reforma com economia (em 10 anos) de pelo menos R$700bilhões.

Agenda… Não existem indicadores relevantes a serem divulgados no dia de hoje.

E os mercados hoje? Uma piora aparente do cenário internacional e o ruído que os últimos desenvolvimentos políticos vêm fazendo, o mercado de ativos de riscos doméstico deve manter o viés negativo visto na sessão de ontem. O prêmio de risco brasileiro avança 1,3% pela manhã, operando por volta dos 162 pontos.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,55%, aos 98.041 pontos;
Real/Dólar: -0,31%, cotado a R$ 3,7773;
Dólar Index: -0,65%, 95.761;
DI Jan/21: -0,05 pontos base, 6,850%;
S&P 500: -0,29% aos 2.824 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Reforma dos militares desagrada a governistas
– Proposta de Moro é ‘copia e cola’, afirma Rodrigo Maia
– Inquérito do STF identifica suspeitos e prepara busca
– Gestão Doria usou carne de frigorífico suspenso em escola

O Estado de São Paulo
– Previdência tem apoio de 180 deputados, mas com alterações
– Após sofrer cobrança, Maia ataca Moro
– Brasil impõe condições para deixar OMC
– MEC monta comissão para ‘vigiar’ Enem

Valor Econômico
Mudança na carreira militar reduz economia com reforma
– Fazenda quer R$ 271 bi do BNDES até 2022
– Fed surpreende e indica que juro não subirá
– Indústria da moda polui mais que navios e aviões

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Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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