Mercados Hoje: Tic tac, tic tac…

tags Intermediário

Introdução: Os mercados asiáticos iniciam a semana em tom positivo. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado abriram as negociações em terreno positivo. Em NY, o futuro do S&P opera sem direções claras e o dólar (DXY) segue se desvalorizando contra os seus principais pares. Na frente das commodities, ativos se movimentam com viés de alta, sem grandes destaques. Para emergentes, dia tem início positivo, com as divisas de México, Argentina e África do Sul se valorizando frente ao dólar. Aqui, investidores seguem de olho no trâmite da reforma da Previdência na Câmara, a bola da vez é o envio do projeto de lei que altera as regras de aposentadoria para militares, uma vez que os deputados defenderam que só irão discutir a PEC quando tiverem o texto dos militares em mãos. Paralelamente, o mercado acompanhará de perto o primeiro Copom presidido pelo novo presidente do BC, Roberto Campos Neto, que deve anunciar sua decisão de taxa de juros nesta 4ª feira.


CENÁRIO EXTERNO: SEMANA DE FOMC

Mercados… Os mercados asiáticos iniciam a semana em tom positivo. As bolsas de Tóquio e Shanghai avançaram 0,6% e 2,5%, respectivamente. Na Zona do Euro, os principais índices de mercado abriram as negociações em terreno positivo, com exceção do DAX, em Franfurt, que recua 0,2%. Em NY, o futuro do S&P opera sem direções claras e o dólar (DXY) segue se desvalorizando contra os seus principais pares.

Longe do fim… Apesar da informação de que houve “progresso concreto” no front da guerra comercial, após uma nova ligação entre o vice-premiê chinês, Liu He, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, a notícia deste domingo à noite, de que uma reunião entre Trump e Xi Jingping deve ser adiada para junho, tende a frustrar as expectativas sobre o firmamento de um acordo.

Opep + posterga decisão por novos cortes… Neste domingo, a Opep e seus aliados (Opep +) cumpriram o primeiro dia da reunião de dois dias, no Azerbaijão, para discutir políticas de preços do barril para abril. O grupo continua comprometido com os cortes na produção, mas defendeu adiar a decisão pela extensão da política de cortes até junto, que estava agendada para acontecer em uma reunião extraordinária em Abril. Segundo o Ministro da Eneriga da Russia, Alexander Novak, as incertezas que acompanham as situações de Venezuela e Iran dificultam um parecer definitivo antes de Maio ou Junho. Repercutido esta indefinição, o preço do petróleo recuou e voltou a operar próximo dos US$ 67/barril.

Semana de FOMC… O destaque da agenda internacional será a definição da taxa de juros pelo Fed nos Estados Unidos (4ª feira). A expectativa é de que o BC americano mantenha sua política de “esperara para ver”, principalmente diante da desaceleração global mais forte que vem sendo evidenciada pelas últimas leituras de indicadores de atividade econômica. Com isso, o foco dos investidores deve se voltar ao gráfico de pontos, para verificar se o FOMC revisará sua projeção atual de duas elevações do juro este ano para apenas uma ou até mesmo nenhuma.

Na agenda… Lá fora, na 6ª feira, a divulgação dos PMIs da Alemanha, da Zona do Euro e dos EUA deve servir como mais um termômetro da desaceleração da atividade econômica global.


BRASIL: TIC TAC, TIC TAC…

O relógio está correndo… O tempo está andando contra a reforma da previdência que ainda não começou a tramitar na CCJ. Os parlamentares esperam o envio completo do projeto de lei da previdência dos militares para começarem de fato os trabalhos.

Apesar do atraso, a situação é confortável (pelo menos na CCJ)… Dos 66 deputados que irão compor a comissão, 41 são aliados ao governo. 22 são oposição declarada e apenas 3 são independentes. Lembrando que é preciso apenas 34 votos para o texto ser aprovado na comissão. Conforto de sobra.

Tic tac pode ser da bomba relógio… O governo ainda não fechou questão acerca do texto dos militares. Essa é uma parte que não existe espaço para erros, uma vez que os militares são maioria no governo, ao mesmo tempo que possuem privilégios acima do setor público e privado. Em 2018 o déficit previdenciário da categoria custou R$43 bilhões. Se o governo errar a mão poderá pôr em jogo toda a reforma, principalmente se manter privilégios ou insular a categoria de ajustes mais fortes. Definitivamente um grande ponto a ser monitorado ao longo desta semana.

“Ainda não li tá ok?” O Presidente Jair Bolsonaro, que está em viagem nos Estados Unidos, disse que ainda não teve contato com o projeto de lei para os militares. O prazo conversado com a CCJ é dia 20, quarta. Tic tac tic tac…

Um ponto complicado… A área econômica já percebe que o tema da capitalização na reforma da Previdência será um dos flancos de importante resistência na área política. Embora seja um dos principais objetivos do ministro Paulo Guedes, a questão já causa preocupações de diversas naturezas em interlocutores do governo. A principal foi a sinalização que teria sido dada por Guedes a políticos de que não haverá contribuição patronal para as contas individuais dos trabalhadores. Procurado por meio da assessoria da pasta, o ministro não comentou sobre essa sinalização nem a respeito da reação que ela causou no meio político.

Subiu, mas está tranquilo… O relatório Focus divulgado a pouco (vide tabela abaixo), mostra que o mercado subiu a expectativa em relação ao IPCA de 2019, na mediana das expectativas, o número saiu de 3,87% para 3,89%. A leve correção se deve aos números do IPCA de fevereiro que vieram acima do esperado, porém, os núcleos de inflação, principalmente serviços, ainda continuam extremamente comportados, o que indica tranquilidade em relação aos preços em 2019.

A grande correção… Ainda no tocante ao Focus, o PIB de 2019 sofreu a maior correção, de 2,28% para 2,01%. Após os dados da indústria, comércio e serviços, divulgados na semana passada mostraram que a atividade econômica continua patinando.

O PIB pode vir fraco… Caso a economia não mostre em fevereiro e março uma aceleração, prevemos um PIB praticamente estável na margem para o primeiro trimestre de 2019.

Falando em atividade… Foi divulgado a pouco os números do IBC-Br, indicador de atividade econômica do Banco Central. O dado veio abaixo das expectativas (-0,21%), com um recuo de -0.41% em relação a dezembro. E um avanço interanual anêmico de 0,79%.Confirmando o quadro anêmico na atividade econômico de curto prazo.

Lá fora pressiona o real… Ainda vemos os fatores externos como os principais drivers de pressão sobre o real. Nossos modelos apontam que caso fosse possível expurgar os fatores domésticos da cotação do real/dólar, a nossa moeda estaria ao redor de R$3,94, isto é, o modelo indica que o doméstico tem segurado a barra.

Na agenda… O destaque da agenda doméstica será a decisão da taxa de juros pelo BC, agendada para esta 4ª feira. Este será o primeiro Copom presidido pelo novo presidente do BC, Robert Campos Neto, e deve confirmar expectativas com mais uma decisão pela manutenção da taxa de juros em 6,5%.

E os mercados hoje? O sentimento de aversão ao risco parece predominar lá fora, e as principais economias emergentes vêm suas moedas valorizando. O prêmio de risco brasileiro recua -0,43% aos 155 pontos. Os futuros locais já mostram um dia de bolsa subindo e dólar caindo, tendência que deve permanecer por toda essa segunda feira.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,54%, aos 99.136 pontos;
Real/Dólar: -0,81%, cotado a R$ 3,815;
Dólar Index: -0,20%, 96.595;
DI Jan/21: +0,00 pontos base, 6,970%;
S&P 500: +0,50% aos 2.822 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
–  É preciso foco em reforma, diz presidente do Bradesco
– EUA querem fim de vantagens para não desenvolvidos
– Na Crimeia, Putin se vale de catedral contra a Ucrânia
– Cadastro positivo deve demorar a ter efeito sobre juros

O Estado de São Paulo
– Múltis trazem R$ 120 bi em crédito para filiais no país
– Bolsonaro ataca ‘antigo comunismo’ nos EUA
– Estudos ligam ação de atirador a traumas
– Novos rumos para o Museu do Ipiranga

Valor Econômico
– Proposta para desvincular gasto prejudica a reforma
– Os robôs começam a mudar a Justiça
– 5G da Huawei é tema de Trump com Bolsonaro
– Múltis falham na promoção de negócios sustentáveis

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
[email protected]

Equipe Econômica

Lucas Stefanini
[email protected]

Rafael Gad
[email protected]

Julia Carrera Bludeni
[email protected]

Victor Candido
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

Luca de Toledo Gloeden Soares
[email protected]

 

*A área de Renda Variável é a responsável por todas as recomendações de valores mobiliários contidas neste relatório.
“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução CVM nº.598/2018, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“
Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

126 visualizações

relacionados

Bitnami