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Mercados Hoje: Superando arestas

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Introdução: Tensão entre EUA e Irã mantém a questão “comercial” como pano de fundo no exterior. As bolsas recuam na Europa; o dólar opera sem direção muito clara. Reunião do G-2- na Argentina termina com comunicado destacando o risco de menor comércio sobre o crescimento global. No Brasil, espera-se confirmação de apoio do “centrão” a Alckmin até 5ª (dia 26). Estes estão “superando arestas”. Além disso, já temos 5 candidatos à Presidência confirmados. Segue o período das convenções. Josué Gomes é o “forte candidato a vice”, mas ainda precisa “tomar decisão”. O fiscal deste ano tem “folga” estreita, em meio à deterioração macro. Temer tem 2 viagens internacionais nesta semana.


CENÁRIO EXTERNO: COMÉRCIO É RISCO GLOBAL, ALERTA G-20.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas recuam na Europa, após sessão mista na Ásia (a bolsa japonesa recuou, mas a chinesa subiu). Nos EUA, S&P futuro opera em ligeira queda. O dólar opera estável frente a seus principais pares, e sem direção clara frente aos emergentes. Commodities tem viés mais positivo. O petróleo (brent ) é cotado por volta de US$74/barril. Na China, o minério de ferro subiu 0,94%, cotado a US$65,75/tonelada. Os juros das Treasuries tem quedas leves (10 anos ~2,88%). Vemos um ligeiro aumento da volatilidade nos mercados (índice VIX sobe 3,8%, às 8h30, horário de Brasília). Temores de “guerra comercial” seguem como pano de fundo.

Tensões comerciais persistem… Desta vez, vemos reações dos mercados diante da tensão EUA-Irã (o petróleo, por exemplo, opera em alta nesta sessã). O líder Hassan Rouhani mandou um “recado” ao presidente americano, tentando diminuir suas ameaças às exportações iranianas. A “guerra comercial” é algo que segue no radar dos investidores. Aliás, após o encontro de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G-20 – realizado na Argentina –, um comunicado oficial de 4 páginas destacou o risco da desaceleração do comércio para o crescimento global.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, 2 números sobre junho: (1) índice de atividade do Fed de Chicago (9h30); e (2) venda de casas novas (11h). No front micro, 7 empresas listadas no S&P 500 divulgam seus números, incluindo o Google, pós-mercado.


BRASIL: FISCAL SEM “FOLGA”; PRIMEIRAS DEFINIÇÕES ELEITORAIS.

Eleições: já temos 5 nomes… 5 candidatos à Presidência já foram definidos até aqui: Jair Bolsonaro (PSL), Ciro Gomes (PDT), Paulo Rabello de Castro (PSC), Guilherme Boulos (Psol) e Vera Lúcia (PSTU), de acordo com as convenções nacionais. De qualquer forma, ainda há muitas dúvidas no ar. No próximo sábado (dia 28), Solidariedade, Democracia Cristã, PSD, PTB e PV realizam as suas convenções. Sobre os últimos dias: (1) Bolsonaro ainda não anunciou seu vice (Janaina Paschoal é opção); e (2) Alckmin precisa contornar 1ª “crise” com o “centrão”, envolvendo a questão da contribuição sindical.

Se for, para onde irá Josué? Importante: o “centrão” deve confirmar nesta 5ª (dia 26) o apoio a Alckmin (PSDB). Estes estão “superando arestas”, diz o Valor. Ao contar com 7 partidos do chamado “centro”, aumenta a probabilidade de termos, mais 1 vez, a tradicional polarização PT-PSDB. Até lá, Josué Alencar (PR) – “o mais forte candidato a vice na eleição”, segundo o Valor – terá várias reuniões. Hoje, aliás, encontra-se separadamente com Alckmin, Valdemar Costa Neto (PR) e Fernando Pimentel (PT). Na 4ª (dia 25), tem jantar com líderes do “centrão”. Vale lembrar: na última 6ª (dia 20), Josué soltou uma nota, dizendo que ainda vai “tomar decisão” sobre ser ou não candidato a vice.

E o Alvaro nisso tudo? O pré-candidato Alvaro Dias (Podemos) tem 9 partidos – além do dele, é claro – que poderiam ajuda-lo a ganhar tração na corrida eleitoral. São estes: Avante, DC, Patriota, PSC, Pros, PRP, PRTB, PTC. Vale lembra: Dias é um dos empecilhos para o crescimento de Alckmin nas pesquisas, especialmente na região Sul do país.

Front macro deteriorado… Na última 6ª, comentamos sobre a queda da confiança da indústria em julho. O 3º tri começa num tom “melancólico”, e com as atenções voltadas à política. Dados do CAGED, referentes a junho, mostraram uma destruição de 661 postos formais de trabalho. Na série com ajuste sazonal, o saldo passou de 6,2 mil em maio para -18,3 mil em junho. O ritmo das admissões (-9,1% m/m) foi ainda mais fraco que o de desligamentos (-7,2% m/m). Em suma: notícias no front macro nada animadoras. Aliás, as projeções sobre o PIB do 2º tri vão sendo revisadas para baixo.

Fiscal: déficit primário deve ser de R$157 bi… Segundo o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas (divulgado na última 6ª), o déficit primário deste ano deve ser de R$157,1 bi. A meta é de R$159. Ou seja: a “folga” é próxima de R$1,8 bi, apenas. Até o relatório anterior, esta “folga” era de R$6,2 bi. Apesar da revisão para cima das receitas totais (por conta de receitas não administradas como royalties e concessões), as despesas totais também subiram, refletindo a MP do diesel, que teve um custo de R$9,58 bi, de acordo com os cálculos do governo. Vale destacar: agora, o governo projeta um PIB de 1,6% para 2018, e não mais 2,5%, como no relatório anterior; um IPCA de 4,2%, contra 3,4%; e um câmbio médio de R$3,60, contra R$3,40.

Agenda de hoje… No front macro, além do Boletim Focus, sai a balança comercial semanal (15h). No front corporativo, Via Varejo divulga balanço, pós-mercado. No front político, Temer viaja ao México, para participar de reunião da Aliança do Pacífico. Na 4ª (dia 25), vai á África do Sul, para a cúpula dos Brics. Neste contexto, Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício Oliveira (Senado) também vão ao exterior (afinal, pela lei eleitoral, ficariam impedidos de concorrer às eleições deste ano, caso assumissem, ainda que de forma provisória, a Presidência do país). Por último, líderes do PSB reúnem-se em BH para debater quem será o candidato a vice de Ciro Gomes.

Boletim Focus… O mercado revisou a projeção para o IPCA deste ano, de 4,15% para 4,11%. Outras projeções para este ano foram mantidas: o PIB em 1,50%; o câmbio em R$3,70 e a Selic em 6,50%. Para 2019, o câmbio foi alterado, na margem, de R$3,68 para R$3,70. Demais projeções foram mantidas: o PIB em 2,50%; o IPCA em 4,10% e a Selic em 8,00%. Ou seja: de 1 semana pra cá, poucas alterações nas projeções macroeconômicas (ainda que possamos destacar novidades “positivas” sobre a inflação de curto prazo).

E os mercados hoje? Sem grande “ajuda” do exterior, e ainda com dúvidas sobre as perspectivas políticas por aqui, o viés para os ativos locais, nesta sessão, é mais negativo. Esperamos uma bolsa mais fraca, e um viés altista sobre DIs e dólar. Estes movimentos não devem ser expressivos, mas o investidor deve continuar cauteloso, num ambiente de tantas incertezas (e deterioração das perspectivas macroeconômicas).

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,40%, aos 78.571 pontos;
Real/Dólar: -1,61%, cotado a R$3,769;
Dólar Index: -0,72%, 94,476;
DI Jan/21: -10 pontos base, 9,070%;
S&P 500: -0,09% aos 2.802 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Petrobras: Cia informa o início da fase vinculante referente à cessão parcial nas concessões de Sergipe, em Alagoas.
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Candidato, Bolsonaro minimiza isolamento
– Separa dos filhos nos EUA, brasileira relata reencontro
– Nova Constituição de Cuba exclui o termo comunismo
– Elie Horn: Eu me sinto anão da filantropia perto de Bill Gates

O Estado de São Paulo
– Aumento do risco jurídico trava investimento no país
– Bolsonaro se diz “escolhido” e tem saia-justa com Janaína
– Reforma em Cuba propõe volta da propriedade
– Militares preparam plano de transição para saída do Rio

O Globo
– País só vai superar a recessão em 2020, prevê FGV
– Sob fogo amigo, Bolsonaro vira candidato
– Crivella corta em serviços básicos
– Josué Gomes, o vice dos sonhos gerais

Valor Econômico
– Taxação de dividendos é consenso entre candidatos
– “O “choque liberal” na visão petista
– Netshoes perde 86% do valor na Nyse
– Dispersão vai marcar os balanços

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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