Mercados Hoje: Soprando as velinhas & keeping up with Bolsonaro’s

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Introdução: A semana começa com um tweet azedo de Trump, que pode por tudo a perder, em relação a uma trégua na guerra comercial sino-americana. Aversão ao risco deve dominar a semana. Bolsas asiáticas fecharam em queda e os principais índices europeus também estão em moderada baixa. A crise de 2008 faz 10 anos e suas sequelas ainda estão entre nós, sopre as velinhas conosco hoje. No front doméstico, pesquisa, pesquisa e mais um episódio de keeping up with bolsonaro’s. O capitão lidera absoluto no Datafolha com 26% das intenções de voto, Haddad e Ciro seguem empatados com 13% cada um. Alckmin e Marina abraçados na lanterna dos afogados. E Bolsonaro próximo de passar a faca no segundo turno.


CENÁRIO EXTERNO: MUITAS FELICIDADES, POUCOS ANOS DE VIDA…

Um tweet para começar a semana… As bolsas asiáticas tiveram uma seção negativa, o destaque foram as duas principais bolsas chinesas, Shangai e Hang Seng, ambas perderam mais de 1%. O resultado negativo tem haver com o fato de Trump ter tweetado que quer continuar a implantar mais US$200 bilhões em tarifas. O anúncio pegou Pequim de surpresa, uma vez que ambos os lados tinham iniciado conversas para um possível acordo sobre a guerra comercial. Oficiais do governo chinês já indicaram que as tais conversas talvez nem aconteçam.

Um dia misto lá fora… As três principais bolsas europeias operam em moderada baixa. O dólar (DXY) opera em baixa de -0,35% em relação aos seus principais pares. A semana começa com um sentimento maior de aversão ao risco.

A grande crise financeira de 2008 está fazendo 10 anos… Crianças da mesma idade já estão no começo daquele fase da aborrecência, onde se consideram nem crianças e nem adultos. A crise, em sua primeira década, está se tornando uma aborrecente. Fato é, que só agora 10 anos depois o mundo começa a voltar a normalidade pré-crise. A economia americana está bastante aquecida e com robustez, operando em pleno emprego e com os mercados financeiros em seus highs históricos. Do outro lado do atlântico a coisa ainda é feia, o continente quase rachou-se ao meio, com casos dramáticos como o Grego, que viu seu PIB encolher mais de 15% e quase pediu para sair da união do Euro. Além de sequelas graves que afetam hoje nações como a Itália que possui elevado déficit fiscal e grande dívida interna. Além de ser um dos fatos geradores de raiva, que levaram os britânicos a decidirem pelo Brexit.

But the money still flowing… Mesmo após tanto tempo as políticas monetárias ao redor do mundo, ainda continuam distorcidas. A crise foi tamanha e sua ameaça aos sistemas financeiros globais foi tamanha, que precisou-se pensar fora da caixinha em termos de política monetária. Quase todos os Bancos Centrais dos países desenvolvidos tiveram que sanear centenas de bancos e também compraram ativos nos mercados primário e secundário. Apenas para ilustrar, o balanço do FED, em 2008 antes da crise, girava entre US$800 e US$900 bilhões de dólares, desde que o quantitativing easing foi iniciado, o número cresceu para US$4,2 trilhões. Toda essa grana foi usada para comprar títulos públicos e imobiliários, de forma a reduzir o yield, principalmente das pontas mais longas, para que as taxas de juros ficassem bastante baixas (próximas de zero) e isso permitisse o aquecimento da economia, uma vez que o dinheiro estaria virtualmente de graça por um prazo bastante longo. Muito se fala de enxugamento de liquidez, porém o FED só retirou US$200 bilhões dos US$4,2 trilhões da máxima. E o ECB, outro que usou a mesma bazooka, ainda nem deu sinais de parar de crescer seu balanço. Esse é de longe o maior efeito colateral da crise que ainda persiste.


BRASIL: KEEPING UP WITH BOLSONARO’S.

Bolsonaro anda… A grande notícia que envolve o estado de saúde do deputado foi o vídeo divulgado por seus filhos, onde o capitão se levanta da cadeira de rodas, conversa e brinca com as enfermeiras. Muita gente respirou aliviada em ver o deputado acordado e falante. Fato é que não haverá a menor chance de Bolsonaro fazer campanha no primeiro turno. Mas, o nevoeiro sobre a sua saúde começa a se dissipar.

Bolsonaro voa e Haddad corre atrás… No último Datafolha, divulgado na sexta feira (14), mostrou que o capitão ainda está subindo consistentemente, cristalizando 26% (ante 24% do último Datafolha) das intenções de voto. No quesito rejeição, alcançou 44%, o avanço foi de apenas 1%, o que indica que o pico está próximo nesse quesito. O segundo lugar começa a ficar menos embolado, Ciro (PDT) e Haddad (PT) dividem o segundo lugar, ambos com 13%, a foto é boa, mas o filme é ruim para Ciro que ficou estagnado em 13%, falando em 13, Haddad saiu de 9% e alcançou os 13%, o grande ganhador deste levantamento.

Eu tô na lanterna dos afogados, eu tô te esperando, vê se não vai demorar… Com menos indefinição no segundo lugar, e um segundo pelotão que parece estar se consolidado, a lanterna dos afogados é que está ficando cheia. Marina (REDE) perdeu mais uma vez, caindo de 11% para 8%, em boa parte ela perde eleitores para Haddad (PT). O destaque negativo é para Geraldo Alckmin (PSDB), que perdeu pela primeira vez, recuando de 10% para 9%. De resto, os habitues [Amoedo (NOVO), Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (PODEMOS)] da lanterna dos afogados continuam todos estáveis.

Te vejo no segundo turno… Com essa definição que vem se desenhando no primeiro turno, começa a ficar mais fácil projetar cenários possíveis de segundo turno. E é exatamente no segundo round, digo turno, que o capitão mostra um crescimento robusto. Bolsonaro se consolidou como o principal candidato anti-petista. Seus eleitores são os mais convictos, pois 75% dos que afirmaram que votarão no capitão não mudarão o seu voto. E com isso, ele ganha muito mais força, no último levantamento ele perdia para Marina (REDE) com uma diferença de 6%, agora perde com 4%. Perdia para Ciro (PDT) com 10%, agora reduziu para 7%, de Alckmin (PSDB) com 9% e agora 4%. E vence Haddad com 1%, porém ambos seguem empatados pela margem de erro.

Mais uma pesquisa e a gente começa a semana… Saiu ontem a noite o levantamento de alta frequência do BTG/FSB, feito por telefone. Bolsonaro aparece com 33%. No segundo lugar aparece o candidato petista, Fernando Haddad, que deu o maior salto no levantamento BTG/FSB: de 8% para 16%. Haddad dobra sua participação após ter sido formalizado como candidato a presidente pelo PT, acabando com a indefinição sobre a participação do ex-presidente Lula na disputa. Em terceiro lugar vem Ciro (PDT) com 14%. Tanto Alckmin (6%) quanto Marina (5%) tiveram recuos importantes. Combinando essa pesquisa com o Datafolha, fica claro que existe uma tendência de Ciro e Haddad se consolidarem na disputa pelo segundo lugar. Enquanto os demais candidatos estão cada vez mais distante de uma chance de irem ao segundo turno.

Surpresas de uma segunda cedo… Saiu a pouco o índice de atividade econômica do Banco Central, referente ao mês de julho. O índice avançou 0,6% na margem, após subir 3,4% no mês anterior, na série com ajuste sazonal. O resultado surpreendeu mediana das expectativas de mercado, segundo a Bloomberg (0,2%). Em relação ao mesmo mês de 2017, houve elevação de 2,6, ante 1,9% há um mês. O número indica que a economia brasileira expurgou o efeito negativo da greve dos caminhoneiros e confirma que a economia está crescendo, de forma errática, porém ascendente.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,99%, aos 75.429 pontos;
Real/Dólar: -0,81%, cotado a R$ 4,173;
Dólar Index: +0,43%, 94,927;
DI Jan/21: -08 pontos base, 9,920%;
S&P 500: +0,03% aos 2.905 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Alpargatas: Carlos Wizard compra fatia da Topper na Argentina
Impacto: Marginalmente Positivo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Saúde é alvo de propostas genéricas dos candidatos
– Eleição tende a pressionar mais o dólar, diz mercado
– Degradado, casarão abandonado vai a leilão em SP com lance inicial de R$ 3,18 mi
– Exportação de gado vivo tem operação milionária

O Estado de São Paulo
– Fundos têm R$ 36 bilhões à espera de definição eleitoral
– Lula, Alckmin e Temer viram alvo de debate em São Paulo
– Em vídeo, Bolsonaro ataca PT e pesquisas
– PF apura a origem de US$ 16 mi apreendidos

O Globo
– Estados têm dívida recorde de R$ 827 bi
– A fé inabalável das campanhas nos “santinhos”
– Lula define da cela cada passo de Haddad
– Candidatos à Presidência atacam o PT

Valor Econômico
– Royalties do petróleo sobem 62% e alcançam R$ 34,8 bi
– Pesquisa traz instabilidade ao mercado
– Empresas cortam custos de saúde
– Gleisi diz que Lula será solto após a eleição

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Equipe Econômica

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Julia Carrera Bludeni
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Victor Candido
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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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