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Mercados Hoje: Sem melhora no horizonte

tags Intermediário

Introdução:

Internacional
• Bolsas globais seguem sob pressão;
• Manifestações em Hong Kong se arrastam, levando ao cancelamento de voos pelo 2º dia consecutivo;
• A Argentina sente consequências antecipadas de uma provável derrota de Mauricio Macri;
• Saem os números de inflação ao consumidor americano de julho (9h30)
• A China divulga uma série de dados de atividade (23h)

Brasil
• Provável vitória de Fernandez na Argentina promete deteriorar relação do país com o Brasil;
• Texto da reforma da Previdência tramita no Senado;
• Agenda cheia no âmbito corporativo.


CENÁRIO EXTERNO: SEM MELHORA NO HORIZONTE

Mercados… Índices asiáticos encerraram em queda. Bolsas de Tóquio (-1,1%), Hong Kong (-2,1%) e Shanghai (0,6%) recuaram de forma mais acentuada na sessão. Na Europa, os mercados se movimentam com o mesmo viés negativo, e o índice pan-europeu, STOXX 600, cai 0,5% até o momento. Em NY, futuros operam no vermelho, sinalizando uma abertura também negativa para ativos de risco americanos, e o dólar (DXY) mantém a estabilidade. Em relação às commodities, ativos se movimentam mistos. O petróleo (Brent crude) cai 0,2%, negociado próximo aos US$ 58,00/barril.

Sem melhora no horizonte… As manifestações no aeroporto de Hong Kong continuam e já levaram as autoridades a cancelar voos pelo 2º dia consecutivo, com manifestantes impedindo passageiros de passar pelos portões de embarque. O porta-voz do Escritório de Assuntos sobre Macau e Hong Kong leu um comunicado na 2ªF que defendia o uso da força para a repressão dos atos “terroristas” pela polícia de Hong Kong, que deverá agir “sem hesitação ou piedade”. Da forma como a situação tem se desenrolado, a probabilidade de uma intervenção militar mais agressiva do governo se torna mais provável, o que potencialmente deve elevar o cenário para um patamar muito mais instável. Vamos acompanhar…

Sell-off histórico… Na Argentina o dia de ontem foi marcado por um dos maiores sell-offs de ativos de risco na história recente do país. O principal índice de mercado argentino despencou 37% na sessão, acompanhado por uma desvalorização de 17% do peso – movimento que impulsionou contribuiu para um pior desempenho de moedas emergentes de forma generalizada (o real e a lira turca estavam entre as divisas que mais recuaram).

Perspectiva (muito) negativa… O movimento ocorreu por uma mudança de perspectiva em relação ao país, que na situação atual, com economia em recessão, inflação forte, dívida externa elevada e um pacote de auxílio do FMI já em curso, a grande probabilidade da volta de um governo intervencionista – que teve grande participação em levar o país para onde está hoje – já leva o mercado a precificar um default com 80% de chance (cálculo baseado no CDS de 5 anos do país). Para o Brasil, o setor que mais deve sentir as consequências negativas é a indústria, que têm se deteriorado desde a entrada mais forte da Argentina nesta crise, principalmente pelo fato de o país vizinho ser o maior responsável pela importação de produtos manufaturados do Brasil.

Na agenda… Os destaques da agenda de indicadores nesta 3ªF serão a divulgação dos números de inflação ao consumidor de julho nos EUA (9h30). No fim do dia, às 23h, a China divulga uma série de dados de atividade de julho que incluem investimento, produção industrial, vendas no varejo e taxa de desemprego.


BRASIL: “VIRADA” ARGENTINA GERA ATRÍTO POLÍTICO

Bolsonaro reage à vitória Kirchnerista… Após a surpreendente vitória de Alberto Fernández nas eleições primarias da Argentina, o presidente Jair Bolsonaro demonstrou a sua preocupação com a provável eleição do governo de esquerda. O presidente citou a vontade do candidato argentino de rever o tratado do Mercosul e a possibilidade que o país entre em crise como a Venezuela, forçando o Brasil a aceitar refugiados entrando pela fronteira com o estado do Rio Grande do Sul. O presidente também abordou a visita de Fernández ao ex-presidente Lula da Silva. Após a visita do argentino à Curitiba, Fernández caracterizou a prisão de Lula como “mancha para o Brasil”. Apesar disso, Bolsonaro negou que deseja romper relações com o vizinho, caso a vitória Kirchnerista se concretize.

Fernández opina sobre Lula e Bolsonaro… Segundo o provável futuro presidente da Argentina, Alberto Fernández, o ex-presidente Lula deveria estar livre para concorrer em uma futura eleição contra Bolsonaro. O candidato Argentino comentou a situação do condenado brasileiro em participação ao programa de TV argentino Corea del Centro. Durante a entrevista, Fernández também chamou Bolsonaro de racista, misógino e favorável à tortura.

Fernández ameaça exportações Brasileiras… A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil. Em 2018, o vizinho e integrante do Mercosul foi o destino para 8% das exportações brasileiras. A Argentina recebe muitos dos bens manufaturados que saem do país, como no caso dos automóveis e autopeças, além de importar petróleo brasileiro. Caso a economia Argentina entre em uma nova crise, o Brasil deve sofrer graves consequências. A eleição do Kirchnerista também ameaça dois tratados de livre comercio em desenvolvimento com a União Europeia e com Estados Unidos, que são negociados em bloco junto aos outros integrantes do Mercosul.

Tratado com União Europeia… Especificamente em relação ao tratado com a União Europeia (UE), que está em fase mais avançada, um acordo foi assinado com o atual governo Argentino, permitindo que o Brasil reduza suas tarifas antes que o congresso vizinho de seu aval ao tratado. O mecanismo foi introduzido como precaução caso a chapa Fernández-Kirchner fosse vitoriosa. Albert Fernández opinou durante a sua campanha que o tratado precisa ser revisto e que a intenção da UE é desindustrializar a Argentina. Não está claro como um tratado de livre comércio pode ser firmado sem o aval de um vizinho que integra o bloco do Mercosul. Também não está claro como Fernández reagiria ao Brasil caso o mesmo ignore a rejeição do tratado pelo Congresso Argentino.

Na agenda… Não existem indicadores econômicos relevantes a serem divulgados no dia de hoje. No cenário corporativo, BR Malls, Bradespar, Banrisul, BTG Pactual e CPFL Energia estão entre as empresas que divulgam resultados nesta 3ªF.

E os mercados hoje? No exterior, bolsas seguem sob pressão, com tensões comerciais, Hong Kong e Argentina ainda em foco. Aqui, o mercado acompanha mais uma rodada de divulgação de resultados corporativos, além do início trâmite da reforma da Previdência no Senado. Com isso, esperamos mais um dia de viés negativo para ativos de risco locais, que devem seguir sendo contaminados pela onda de aversão ao risco verificada no exterior.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -2,00%, aos 101.915 pontos;
Real/Dólar: +1,10%, cotado a R$ 3,98;
Dólar Index: -0,07%, cotado a 97.423;
DI Jan/21: +01 pontos base, 5.45%;
S&P 500: -1,23% aos 2883 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

Folha de São Paulo
– Imposto sobre transações financeiras reduz crescimento, apontam estudos
– Protecionismo kirchnerista afetará comércio com Brasil, dizem especialistas
– Dodge segurou investigações sobre Bolsonaro enquanto articulava recondução
– Moro orientou Deltan a não apreender celular de Cunha, sugere mensagem

O Estado de São Paulo
– Governo estuda transformar Receita Federal em uma agência independente
– ‘PEC paralela deve ter poucos ajustes’, diz líder do governo no Senado
– Megaconjunto vira alvo de batalha judicial na Raposo Tavares
– Após polêmicas, Planalto ganha R$ 2 bi de banco dos Brics para tratar lixo

Valor Econômico
– Eleição põe em pânico mercado argentino
– Empresas investem mais em 2019, apesar de revisões
– Brasil passa a controlar mais de 50% da exportação de soja
– Lucro da Eletrobras cresce quatro vezes e vai a R$ 5,5 bi

O Globo
– Câmara vota hoje MP da Liberdade Econômica; veja o que está em jogo
– Bolsonaro deve priorizar perfil mais conservador em indicação para a PGR
– Polícia investiga casal acusado de dar golpe em nome do governo
– Raquel Dodge prorroga prazo de atuação da Lava-Jato em Curitiba

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Equipe Econômica

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