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Mercados Hoje: Sem conversas

Introdução: A maior aversão a risco predomina no exterior, diante de retaliações comerciais entre EUA e China. O dólar se valoriza frente aos emergentes. As bolsas recuam. No Brasil, o destaque segue nas relações envolvendo Bolsonaro-Maia. Os mercados locais devem seguir o exterior, e a cautela por conta do front político doméstico.


CENÁRIO EXTERNO: SEM CONVERSAS

Mercados… As bolsas recuam na Europa, após quedas na maioria dos mercados asiáticos. Nos EUA, S&P futuro também opera no vermelho. O dólar se valoriza frente aos principais pares e emergentes. A falta de interesse da China em retomar as negociações com os EUA, e suspense em relação ao Brexit, influenciam nos movimentos dos mercados internacionais. Para as commodities, o dia é de forte alta para o minério de ferro, reagindo aos dados de produção na China mais fortes, além dos cortes na oferta no Brasil. O brent também avança à casa dos US$73/barril.

Sem conversas… Segundo a Xinhua News, agência de notícias chinesa, a China não tem mais o interesse em prosseguir com as conversas junto aos EUA. A ameaça americana de imposição de novas tarifas é algo que influencia nos rumos das negociações comerciais. Ainda assim, autoridades chinesas sinalizaram maiores disposições para adotar novos estímulos econômicos, mitigando os efeitos negativos que devem ser causados pela política protecionista americana contrária à China.

Mas, e ai? As atenções se voltam para a reunião do G20 (entre 28-29 de junho), no Japão. Afinal, pode ser uma nova oportunidade para ambos os presidentes retomarem as negociações. Vale relembrar: foi na última reunião do G20, na argentina, que as negociações entre China e Estados Unidos voltaram a avançar de forma mais significativa. De qualquer forma, os mercados já reagem de forma negativa nesta sessão. 

Afroxando tarifas… Por outro lado, o governo dos EUA anunciou uma redução das tarifas especiais sobre importações de aço da Turquia (de 50% para 25%). A medida será valida a partir da próxima 3ª feira (21), igualando-a ao encargo imposto a outras economias, incluindo a União Europeia. A elevação destas tarifas ocorreu em agosto de 2018, após os EUA entrarem em conflito com o regime da Turquia. Na época, a detenção de um pastor evangélico americano no país, que foi libertado em outubro, era o estopim dos conflitos entre ambos os países.

Afroxando tarifas… Por outro lado, o governo dos EUA anunciou uma redução das tarifas especiais sobre importações de aço da Turquia (de 50% para 25%). A medida será valida a partir da próxima 3ª feira (21), igualando-a ao encargo imposto a outras economias, incluindo a União Europeia. A elevação destas tarifas ocorreu em agosto de 2018, após os EUA entrarem em conflito com o regime da Turquia. Na época, a detenção de um pastor evangélico americano no país, que foi libertado em outubro, era o estopim dos conflitos entre ambos os países.

Na Zona do Euro: Brexit… O mercado segue atento as negociações do Brexit (como é conhecida a saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Afinal, está cada vez mais próxima a data de saída de Theresa May, primeira-ministra britânica, para deixar seu cargo. A possibilidade de um divórcio sem acordo volta a ser considerada. Por ora, os esforços de Theresa May para formular uma proposta de acordo para a separação em parceria com o Partido Trabalhista não vão surtir efeito. May e o líder da principal legenda da oposição, Jeremy Corbyn, chegaram a mais um novo impasse, e Theresa aceitou estabelecer um cronograma para deixar o cargo no início do mês que vem. Vamos acompanhar. 

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, saem os dados de confiança do consumidor (11h).


BRASIL: DE VOLTA AO BRASIL 

Voltando para casa… Bolsonaro chega a Brasília nesta 6ª feira (6h). Passou 2 dias em Dallas (EUA). Na 4ª feira, encontrou-se com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush. E ontem (16) recebeu prêmio de “Personalidade do Ano”.

Reagindo as manifestações… Em live no Facebook, Bolsonaro disse que deve destinar R$ 2,5 bilhões de multas da Petrobras para a Educação. O número supera o contingenciamento sinalizado pelo MEC às universidades públicas (~R$ 1,7 bilhão). Essa possibilidade já havia sido mencionada também por Paulo Guedes, atual ministro da Economia. Em nossa visão, o anúncio seria mais um desejo de Bolsonaro do que alguma realizada. Ainda assim, a medida deve ganhar novas discussões. Isto porque o dinheiro recuperado pela Lava Jato permanece preso na Justiça, e não há definição formal sobre o destino dos recursos.

Reformas ministeriais… Ainda ontem (16), Bolsonaro ressaltou que o Congresso deve aprovar a medida provisória da reforma administrativa (MP 870) sem alterações, inclusive, mantendo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sob a tutela do ministério da Justiça. Na semana passada, a Câmara já tinha imposto uma derrota ao governo ao aprovar, na comissão mista, a retirada do Coaf do ministério da Justiça, devolvendo-o ao Ministério da Economia. Seja como for, os atritos entre Governo e as duas Casas segue latente…

No front macro: Recuperação gradual… Roberto Campos, presidente do BC, participou da Comissão Mista do Orçamento. Campos defendeu a manutenção das reservas internacionais do Brasil e falou sobre a importância de uma trajetória estável da inflação. Mais: Roberto também enfatizou a relevância da aprovação de reformas para que retomar os investimentos no país. Segundo Campos, a incerteza em torno da aprovação de reformas relevantes para a sustentabilidade fiscal são os principais fatores para o fraco desempenho econômico. Não há, por ora, nenhuma disposição em adotar novos estímulos monetários. 

E os mercados hoje? Apesar do movimento ter sido explorado pela oposição, a grande maioria dos participantes era formada por estudantes, professores e pais de alunos. A boa capacidade de mobilização dos estudantes é algo que o governo não devia ter subestimado, e com um novo protesto sendo organizado pela UNE (União Nacional dos Estudantes) para o dia 30 deste mês, o governo deve se mobilizar para que ele não tome as mesmas proporções.

Na agenda… O destaque da agenda doméstica será a divulgação dos dados de emprego do 1ºTRI/19 (PNAD Contínua) pelo IBGE. A expectativa do mercado é por uma abertura de 46.846 vagas no período.

E os mercados hoje? Em linha com o quadro externo mais negativo, e conflitos políticos internos, temos um viés mais negativo para os mercados locais, com bolsa em baixa e pressões de alta sobre dólar e DIs. A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, já sobe pela manhã (+0,8%, aos 183 pontos base, ao redor das 9h, horário de Brasília).

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -1,75%, aos 90.024 pontos;
Real/Dólar: +1,09%, cotado a R$ 4,0455;
Dólar Index: +0,29%, 97.855;
DI Jan/21: +8 pontos base, 6,920%;
S&P 500: +0,89% aos 2.876 pontos. 

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
Verba livre de universidades retrocede a nível pré-2009
– Dólar fecha acima de R$ 4 pela 1ª vez desde outubro
– Esquerda posta mais sobre ensino e puxa o centro 
– ‘Não vão me pegar’, diz presidente sobre sigilo

O Estado de São Paulo
– ‘Venham para cima de mim. Não vão me pegar’, diz Bolsonaro
– Histórias de quem está na fila do desemprego
– Cientista brasileira cria ‘caneta’ que detecta células cancerosas
– TRF nega recurso e juiz manda prender Dirceu

Valor Econômico
– Relator exige contribuição patronal para capitalização
– Departamento de Moro vai apurar dados sobre Flavio
– MP diz quando sócio responde por dívidas da empresa
– Investimento federal cai a 0,35% do PIB

O Globo
– Tensão política e economia fraca levam dólar a R$ 4
– MP investiga parentes e ex-mulher de Bolsonaro
– Após 17 dias no cargo, presidente do Inep é demitido
– Aéreas criaram fundo de caixa 2, diz dono da Gol

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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