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Mercados Hoje: Rufando (forte) os tambores

Introdução: Mercados asiáticos começam a semana no vermelho; Europa também mantém a tendência negativa em conjunto como os futuros das bolsas americanas; Petróleo opera em alta; Grandes bancos americanos já começam a apostar em uma recessão na economia global ainda em 2019; Ainda no exterior a semana será recheada de indicadores de atividade econômica. No Brasil, semana política cheia, relator da previdência pode ler seu relatório já essa semana; A briga da inclusão de estados e municípios na reforma; Supremo decidirá sobre se o governo poderá vender estatais sem a autorização do congresso; Na parte econômica a semana também trará vários indicadores, atenção especial para os dados da produção industrial e inflação (IPCA) de maio.


CENÁRIO EXTERNO: CICLOS NÃO MORREM DE VELHICE…

Mercados… Semana já começou com aversão ao risco nos mercados asiáticos, onde os 3 principais índices: Tóquio, Shanghai e Hong Kong, recuaram respectivamente -0,92%, -0,30% e -0,03%. Na Europa, o DAX opera em queda de -0,12%, e euro opera estável frente ao dólar. Os futuros do S&P indicam que junho vai começar negativo nos Estados Unidos, com uma queda de -0,24%. Na frente das commodities o petróleo WTI opera em alta de +0,92% cotado a U$53,99 o barril.

Ciclos econômicos não morrem de velhice… A economia americana já registra um de seus mais positivos ciclos econômicos, na verdade, o maior de sua história. Desde o fim da recessão gerada pela crise financeira de 2008, a economia não parou de crescer. E não mostra muitos sinais de fraqueza, entrou no primeiro trimestre de 2019 se expandindo a vigorosa taxa de 3,2% em termos anualizados. Existe baixíssimo desemprego, inflação bem comportado e juros historicamente contidos. Porém, existem alguns sinais incipientes de que uma desaceleração está pintando por aí…

Ciclos morrem por algum motivo… Diversos economistas ligados a grandes bancos de investimento anunciaram ao longo do fim de semana, em relatórios, de que uma desaceleração mais forte e inclusive uma recessão podem estar mais próximos do que se imagina. Colocando fim ao maior ciclo econômico da história.

A queda pode ser logo ali… Uma recessão global pode começar dentro de nove meses, estimam esses economistas, se o presidente Donald Trump impuser tarifas de 25% sobre um adicional de US$300 bilhões em exportações chinesas. A probabilidade de uma recessão nos EUA no segundo semestre deste ano subiu para 40%, ante uma chance de 25% em abril.

Velocímetros diferentes… A atividade nas fábricas da China permaneceu estável em maio, como mostrou o PMI apurado pelo grupo de mídia Caixin em parceria com o instituto de pesquisas Markit. O indicador privado, divulgado nesta segunda-feira em Pequim, contrasta com dados oficiais anunciados na semana passada, que mostraram um forte arrefecimento na atividade industrial. O PMI privado trouxe 50,2 em maio, mesmo número apurado em abril. Lembrando que números acima de 50 indicam expansão e abaixo da marca, retração.

Agenda… Hoje (2ªf) é dia de uma batelada de indicadores de produção industrial ao redor do mundo, Alemanha, europa e EUA divulgam dados de PMI, além do ISM, importante medidor da saúde do setor na manufatureiro americano. 3ªF saem os dados de emprego e inflação da Zona do Euro. 4ªF o destaque é o livre bege da economia americana, junto com os dados de emprego da ADP e vendas no varejo na europa. 5ªF teremos os dados revisados do PIB do 1T19 da Europa e os dados de produtividade e custo do trabalho nos EUA. Por fim, na 6ªF teremos o payroll de maio e os dados da produção industrial alemã.


BRASIL: RUFANDO (FORTE) OS TAMBORES

Pode ser já nesta semana… O relator da reforma da previdência, Samuel Moreira (PSDB-SP) pode apresentar seu relatório a qualquer momento, em teoria. O sentimento é de apreensão, porém os mercados esperam que o texto contenha uma economia robusta, entre R$700bilhões e R$1 trilhão.

Questão espinhosa… Já começou uma guerra em torno da questão de se manter os estados e municípios dentro da reforma da previdência. Do ponto de vista fiscal da reforma proposta, nada muda. Na previsão de economia da proposta apresentada pelo governo federal, não se incluiu nenhum ente subnacional. Porém, o maior problema previdenciário público está justamente nas esferas estadual e municipal.

Toma que o filho é seu… Deputados não querem indisposição com suas bases, para eles o problema é dos governadores e prefeitos, justamente os culpados pelo inchaço dos quadros do funcionalismo subnacional.

2.000 soluções… O problema é que sem a inclusão dos entes subnacionais, o país pode ficar com mais de 2.000 soluções para o problema previdenciário, uma vez que cada estado e município teriam que fazer a sua própria reforma da previdência.

Posso privatizar? O Supremo Tribunal Federal (STF) deve determinar, quarta-feira (5), se o Executivo requer o aval do Legislativo para vender estatais.

Petrobras… A venda de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG), subsidiária da Petrobras, que deve gerar 34 bilhões para petroleira, aguarda a decisão do STF. Era esperada um desfecho para a questão semana passada, mas os ministros postergaram a decisão para o dia 5.

Municípios e Estados… Além do Governo Federal, a decisão afeta os estados e municípios, que buscaram formar consenso com assembleias estaduais e câmaras municipais, respectivamente. Existe ampla oferta de estatais prontas para serem privatizadas nos estados, principalmente no setor de energia e saneamento.

Bate bola dos ministros… Os ministros do Supremo devem confirmar ou rejeitar liminar, ordem judicial provisória, proferida pelo ministro Lewandowski, que entende que uma lei deve ser criada antes de qualquer venda de participação majoritária, em todas as estatais e suas controladas.

O atacante… Em oposição a Lewandowski, está o presidente do colegiado, Dias Toffoli. O ministro esteve no Palácio do Planalto e cumpriu papel de mediador entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, propondo um pacto que compromete os três poderes com, entre outras coisas, a agenda económica do governo, que inclui privatizações.

Só termina quando acaba… Fora os ministros supramencionados, é difícil prever com certidão como os outros nove integrantes se posicionaram diante da medida liminar. Além disso, um pedido de vista, que permite aos juízes mais tempo para examinar a matéria, pode adiar a decisão novamente.

Provável desfecho… A questão deve dividir o colegiado, mas a articulação do presidente Toffoli torna a derrubada da medida liminar mais provável que sua sustentação Caso se concretize, o resultado seria positivo para a Petrobras e o governo, que teria a faca e o queijo na mão para privatizar o que quiser.

Agenda… Semana cheia por aqui também, hoje (2ªF) o MDIC divulga os dados da balança comercial de Maio. Amanhã (3ªF) o IBGE anuncia os dados da produção industrial de abril, primeiro indicador de atividade do 2T19. Na 5ªF teremos os dados da produção de veículos em maio. Por fim, na 6ªF teremos a divulgação do IPCA de maio.

E os mercados hoje? A semana começa com o mesmo sentimento de aversão ao risco que predominou na semana passada, porém os ativos locais podem operar de forma descolada, caso o noticiário político se mantenha positivo. Vemos o dia de hoje como neutro/positivo para os ativos de risco locais.

 

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,44%, aos 97.030 pontos;
Real/Dólar: -1,48%, cotado a R$ 3,923;
Dólar Index: -0,40%, 97,750;
DI Jan/21: -07 pontos base, 6,490%;
S&P 500: -1,32% aos 2.752 pontos.

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– De 8 vacinas infantis, país atinge meta apenas em 1
– Ministro quer trocar Inpe por empresa privada
– Neymar será investigado por vazar foto de mulher
– Geraldo Alckmin: ‘Eu vou dar um pit-stop na política’, diz tucano

O Estado de São Paulo
– ‘Sem aprovar reformas, vamos para o colapso social’, afirma Maia
– Sem reforma, déficit de Estados deve crescer 300% até 2060
– Contra crise, governadores fazem consórcio
– Neymar é investigado por divulgar fotos de mulher que o acusa

Valor Econômico
– Previdência pública é alvo principal das emendas
– Fundo de Abu Dhabi renova aposta no país
– MEC defende um Fundeb permanente
– Empresas criam programas para recrutar negros

O Globo
– Governo não tem agenda ampla para o país, diz Maia
– Estados poderão ter opção de aderir às regras da reforma
– Ibope: 73% dos brasileiros são contrários ao porte de armas
– Nem os juros baixos estimulam a tomada de crédito por empresas

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Victor Candido Victor Candido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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