Introdução: Tensão comercial volta a pesar nos mercados internacionais. As bolsas recuam na Europa; o dólar tem tendência de valorização, principalmente contra as moedas de emergentes. A sessão conta com um movimento de aversão ao risco dos investidores. No Brasil, segue o período das convenções. Espera-se confirmação da candidatura de Meirelles e confirmação do apoio do “Centrão” à Alckmin. Já a candidatura de Ciro fica mais isolada. Agora ainda faltam os vices.


CENÁRIO EXTERNO: RISCO DE RETALIAÇÃO COMERCIAL, ENQUANTO ECONOMIA ESTÁ FORTE.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas recuam na Europa de forma mais relevante, após sessão negativa na Ásia (na região as bolsas recuaram por volta de 2%). Nos EUA, S&P futuro opera em queda. O dólar se fortaleve majoritariamente, em meio ao movimento de aversão ao risco. Commodities tem viés mais negativo. O petróleo (brent ) é cotado por volta de US$72/barril (-0,96%). Na China, o minério de ferro subiu 0,48%, cotado a US$66,87/tonelada. Os juros das Treasuries tem quedas leves (10 anos ~2,98%). Vemos um forte aumento da volatilidade nos mercados (índice VIX sobe 8,44%, às 8h43, horário de Brasília). Temores de “guerra comercial” seguem como pano de fundo.

Tensões comerciais persistem… Depois das ameaças do Governo dos EUA, de que poderia elevar as tarifas de 10% para 25% da proposta de taxar adicionais US$ 200 bilhões de importações da China, o gigante Asiático respondeu que está totalmente preparado para retaliar e aumentar a guerra comercial. A China defende que as questões comerciais devem ser resolvidas com diálogo, baseado na equidade e compromisso. Os sinais de fragilidade e cautela emitidos pela China, tanto em termos econômicos, como em caráter financeiro vêm se acumulando há algumas semanas e continuam sem uma estabilização ou solução de curto-prazo.

Economia forte… O Comitê de Política Monetária do Fed manteve a taxa de juro e ajustou o comunicação sobre atividade econômica. A taxa de juro foi mantida no intervalo de 1,75%-2%, decisão amplamente esperada pelo mercado. O Comitê considera que a atividade econômica tem apresentado “fortes” taxas de crescimento, o mesmo ocorrendo com os gastos das famílias e com o investimento fixo das empresas. O mercado de trabalho continua a se fortalecer. A taxa de desemprego, que até junho era declinante, agora tem permanecido “baixa”. Por sua vez, a taxa de inflação e seu núcleo (que exclui alimentos e energia), que até junho se movia para perto de 2%, agora “permanece próxima” deste percentual. O Fomc manteve o trecho do comunicado no qual prevê que novos aumentos graduais da taxa de juros. Acreditamos que o comitê volte a subir em setembro, para a faixa de 2%-2,25%.

Mercado de trabalho americano… Segundo relatório ADP, foram criados 219 mil empregos formais em julho. O mercado esperava menos (186 mil, segundo a Bloomberg). Estes números sinalizam um mercado de trabalho ainda mais aquecido no último mês. É, neste contexto, que os EUA já sinalizam atingir o “pleno emprego”, algo que tende a puxar a inflação americana para cima no médio prazo. As atenções se voltam, por ora, ao Relatório de Empregos, que será divulgado na 6ª, dia 03.

Na agenda de hoje…  Nos EUA, no front macro, temos o tradicional pedidos de seguro desemprego às quintas-feiras e dados da indústria (pedidos de fábrica às 11h).


BRASIL: ALCKMIN AINDA SEM VICE; CIRO DESIDRATA; PRODUÇÃO INDUSTRIAL FRUSTA.

Segue nas mínimas… No Brasil, o Copom manteve a política monetária estável, com a Taxa Selic em 6,5%, como era amplamente esperado. É o menor patamar da série histórica. Não houve mudanças significativas no comunicado e na mensagem central do Banco Central. O comitê pretende manter as taxas de juros estáveis no horizonte relevante de tempo, mas está ciente dos riscos, locais e externos, e deixa a porta aberta, caso o cenário seja alterado por algum choque mais permanente ao cenário.

Convenções partidárias… O MDB realiza nesta 5ª feira a sua convenção nacional. Deve homologar a candidatura de Henrique Meirelles ao Planalto. O DEM e PP também realizam suas convenções nacionais e devem confirmar apoio a Geraldo Alckmin, como foi acordado com as outras legendas do Centrão. Agora o Centrão precisa indicar um vice para Geraldo Alckmin.

Procura-se 1 vice… O presidente do DEM, ACM Neto, afirmou na noite desta quarta-feira, 1, que o Centrão – formado pelos partidos PRB, PR, PP, DEM e Solidariedade – está “muito próximo” de chegar uma decisão sobre a escolha de um vice para o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Alckmin afirmou que há “sete nomes” possíveis para compor sua chapa como vice. De acordo com o Valor, dentre os citados, estão a senadora Ana Amélia (PP-RS), a vice-governadora do Piauí, Margarete Coelho (PP), o empresário Benjamin Steinbruch (PP), o ex-ministro Aldo Rebelo (SD) e a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS).

Desidratou… O PT anunciou que apoiará os candidatos do PSB nas eleições para governador nos estados do Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco. Como contrapartida, o PT espera que o PSB se mantenha neutro nas eleições presidenciais. Assim, o PT tenta desidratar a candidatura de Ciro Gomes, que tentava articular uma aliança. Agora só falta o PT retirar a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo de Pernambuco e apoiar Paulo Câmara, do PSB. Arraes negou desistir da campanha.

Devagar, quase parando… As férias dos deputados e senadores se encerraram ontem, mas até o fim das eleições o ritmo será quase o mesmo que o do recesso. Os comandos das duas Casas Legislativas vão colocar na pauta apenas temas de consenso, que não exigem quórum qualificado em Brasília. Na Câmara, a previsão é concluir a análise do Cadastro Positivo e apreciar 17 MPs. No Senado, a pauta deve se resumir à indicação de autoridades. As votações vão ocorrer em dois dias da semana.

Agenda de hoje… No front macro, agora pouco saiu a produção industrial de junho. O resultado ficou aquém das projeções do mercado. Após o tombo de maio com a greve dos caminhoneiros, o desempenho em junho foi de recuperação. O indicador avançou 13,1% na comparação mensal, após recuar 10,9% no mês anterior. As projeções do mercado indicavam para uma recuperação de 14% em junho.

E os mercados hoje? Mercado está em um movimento clássico de aversão ao risco. Tudo indica que teremos uma pressão mais forte de baixa na Bolsa, enquanto o dólar e a curva de juros devem ser pressionadas para cima. Ao contrário da sessão de ontem, estes movimentos devem ser mais expressivos, com o investidor monitorando um ambiente de incertezas (e deterioração das perspectivas macroeconômicas internacionais).

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,10%, aos 79.302 pontos;
Real/Dólar: -0,19%, cotado a R$3,750;
Dólar Index: +0,10%, 94,661;
DI Jan/21: -04 pontos base, 8,880%;
S&P 500: -0,10% aos 2.813 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

BR Distribuidora: Números do 2º tri
Impacto: Neutro.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Pacto nacional entre PT e PSB isola Ciro na disputa pelo Planalto
– Pré-escola será pressionada por idade mínima no fundamental
– Medalha ‘Nobel da Matemática’ é furtada no Rio
– Fazenda quer verba extra para cobrir calote da Venezuela

O Estado de São Paulo
– PT tira neta de Arraes da eleição para isolar Ciro
– Trump volta a ameaçar a China com taxação de produtos
– ‘Lava Jato’ argentina prende kirchneristas
– Criança deve ter 6 anos em março para o 1º ano

O Globo
– Nova regra do FGTS aquece mercado imobiliário do Rio
– Estado recebe 80% a mais de royalties no 1º semestre
– Em despacho, Fux diz que Lula está inelegível
– Acordo de PSB e PT isola Ciro ainda maisPaís gasta R$ 13,5 bi, mas diesel custa mais caro
– FGTS pode ser utilizado em imóveis de até R$ 1,5 milhão
– Brasil tem recorde de trabalhadores fora do mercado
– Rio perde treze hotéis desde o fim da Olimpíada

Valor Econômico
– Retorno das empresas volta a superar a Selic
– Tesouro prevê déficit recorde no 2º semestre
– Pautas do STF podem abrir novos rombos
– ‘Agências têm que retomar a autonomia’

Contatos

Renda Variável*


Luis Gustavo Pereira – CNPI
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Equipe Econômica

Lucas Stefanini
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Rafael Gad
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Julia Carrera Bludeni
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Luis Gustavo Pereira Luis Gustavo Pereira

Estrategista

Graduado em Administração de Empresas pela ESPM, com pós-graduação em Economia e Setor Financeiro pela USP e MBA em Finanças pelo INSPER. Tem mais de 8 anos de experiência no mercado financeiro. Atualmente, é o estrategista da Guide Investimentos.

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