Introdução: Bolsas asiáticas retornam ao terreno positivo; Na Europa, dia começa no verde, porém Itália tem rating de crédito rebaixado; Commodities operam com sinais mistos; Emergentes iniciam o dia com boas perspectivas; No Brasil o destaque fica para Bolsonaro (PSL) que continua a liderar com tranquilidade; Faltam menos de 6 dias para o segundo turno; O Deputado está sinalizando que irá compor com as forças políticas tradicionais; Rodrigo Maia (DEM) poderá ser o candidato do governo a presidência da Câmara; Expectativas de inflação continuam a subir.


CENÁRIO EXTERNO: BC ESTENDE A MÃO AO MERCADO NA CHINA; MOODY´S REBAIXA RATING ITALIANO.

Mercados Globais… Bolsas asiáticas tiveram dia de expressivas altas. Na Europa, os principais índices de mercado operam em terreno positivo, com o STOXX 600 subindo 0,34% e o DAX 0,52%. Nos EUA, o futuro do S&P sobe 0,34%. Commodities iniciam o dia de com tendência baixista, destaque para o preço do café, que recua 1,31% até o momento. Para os emergentes o dia começa positivo, com a queda do CDS de cinco anos na Turquia (-0,72%) e na África do Sul (-1,64%).

Mão amiga… As bolsas chinesas seguem subindo após declarações das autoridades de que as recentes baixas registradas pelos mercados não refletem a situação econômica do país, e que medidas serão adotadas para reverter a situação. Dentre estas medidas, o Banco Central prometeu garantir “liquidez adequada” ao sistema financeiro, e a mídia estatal falou em mudanças temporárias na cobrança do imposto de renda e até em deduções fiscais. Com estes anúncios, que começaram na sexta-feira e se estenderam pelo fim de semana, o índice CSI 300, que mede o desempenho dos papéis das bolsas de Shangai e Shenzen, subiu 3,1% na sexta e mais 4,3% nesta segunda-feira. Esta alta configura a maior alta diária do índice dos últimos 3 anos.

No limite… A Moody´s reduziu o rating de crédito italiano de Baa2 para Baa3 na tarde da última sexta-feira, deixando o país a apenas um patamar de perder o status de bom pagador, o investment grade. O governo italiano, que nega qualquer mudança imposta aos seus planos para o déficit nos próximos anos, viu o yield do título de 10 anos recuar 12 bps no dia. A próxima agência a se posicionar sobre a situação italiana é a S&P, o que deve ocorrer nesta sexta-feira.

Agenda… Na Europa o grande destaque fica para a reunião do BCE – Banco Central Europeu- que deve discutir o programa de estímulos a economia. Existe a expectativa de que a injeção de novos estímulos pare em dezembro, porém, o arrefecimento da inflação e do crescimento colocam em dúvida essa trajetória de política monetária. Nos Estados Unidos a agenda é mais agitada, o Livro Bege que será divulgado na quarta-feira (24) trará mais detalhes da visão dos membros do FED sobre a dinâmica altista da taxa de juros no país. Na sexta-feira (26) será divulgado o PIB do terceiro trimestre. O mercado e os indicadores de nowcasting que fazem uma estimativa em tempo real do PIB, indicam um crescimento robusto, porém menor que aquele apresentado no segundo trimestre.


BRASIL: RETA FINAL.

Reta final… Exatamente daqui 7 dias estaremos ,nesse momento, já com um novo Presidente da República eleito. Os desafios desse novo governo serão imensos: reforma fiscal, governar com o país rachado (mais uma vez), equilibrar o apoio de um novo congresso e promover o crescimento econômico.

Tudo igual… As pesquisas de alta frequência continuam confirmando a dianteira confortável de Jair Bolsonaro (PSL) contra Fernando Haddad (PT). A pesquisa BTG/FSB que ouviu 2.000 eleitores e tem margem de erro de 2 pontos percentuais, traz Bolsonaro com 60% dos votos válidos e Haddad com 40%.

Estabilidade a frente… A mesma pesquisa traz que 94% dos eleitores de Bolsonaro estão convictos de seu voto. Haddad também tem eleitores convictos, com 90% de certeza de voto no petista. A rejeição de Haddad é de 52%, enquanto a de Bolsonaro é de 38%. Portanto, é de se imaginar que o cenário é assimétrico para Bolsonaro, que tem mais chances de ampliar a sua vantagem do que vê-la se reduzindo.

Se preparando para tocar o barco… Bolsonaro já sinaliza que poderá compor com os partidos tradicionais no seu provável governo. Nos últimos dias o Deputado do PSL vem dizendo que que o partido não vai disputar o comando da Câmara. Anunciado como chefe da Casa Civil caso Bolsonaro seja eleito, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) tem feito a ponte com o DEM, que articula a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Casa. Grande avanço em direção a governabilidade, ou em bom português: tocar o barco.

Maioria é maioria… O movimento do presidenciável tem dois pilares. A primeiro deles é que, se quiser tirar do papel algumas de suas propostas de campanha, terá de garantir apoio confortável na Câmara. Para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ser aprovada pelo plenário em dois turnos, por exemplo, são necessários os votos de 3/5 dos deputados (ou 308 votos). A reforma da previdência é de umas das PEC’s que Bolsonaro precisará passar pelo congresso. O outro pilar é que, seja quem for o novo presidente, ele terá de lidar com um Congresso mais pulverizado. Independentemente do arranjo político, maioria é maioria e será necessária para que o governo tenha o mínimo de chances de sucesso em promover o crescimento econômico.

Um núcleo interessante… Caso consiga o apoio do DEM e do PSD, Bolsonaro já começaria o seu eventual governo com um núcleo duro de 144 deputados governistas: 52 do PSL, 10 do PTB, 8 do PSC, 34 do PSD, 29 do DEM e 11 do Podemos. Tirando o PSD e o DEM, os demais partidos já declararam apoio ao presidenciável do PSL.

Hora do adeus… Após circular o boato de que Ilan Goldfajn estaria de malas pronta do BC, outro importante nome do governo Temer, Ana Paula Vescovi também quer sair, segundo nota de Ancelmo Gois do jornal O Globo. Nomes como Vescovi são importantes, pois é no segundo escalão que a política econômica é executada nos meandros burocráticos de Brasília. Existe o risco de que uma equipe completamente nova poderia esbarrar nas dificuldades operacionais e atrasar a execução da agenda econômica.

Expectativas… Pela sexta semana seguida a mediana das expectativas para o IPCA de 2018 continuou a subir. A projeção está em 4,44% para o final de 2018 (ante 4,43% na semana passada). Para 2019 o número continua se aproximando do centro da meta (4,25%), o mercado espera uma inflação de 4,22% contra 4,21% na semana anterior. A expectativa do PIB para 2018 permaneceu constante pela a segunda semana seguida e segue em modestos 1,34% para 2018. Já de 2019 interrompeu dezenas de semanas de estabilidade de saiu de 2,50% para 2,49%. Apesar de uma mudança mínima, preocupa pois podemos estar diante de um tendência negativa de revisão de expectativas de crescimento. Porém nem tudo é negativo, olhando no TOP5, a expectativa de câmbio de 2018 caiu de R$4,00 para R$3,80 e de 2019 de R$3,73 para R$3,59. Também quem caiu foi a expectativa da Selic de 2019 que caiu de 8% para 7,75%.

Agenda… O destaque da semana fica para a divulgação do IPCA-15 que é a prévia oficial da inflação. A expectativa do mercado é de uma alta de 0,63% na comparação mensal do indicador, o que leva o acumulado de doze meses para 4,58%, maior nível desde março de 2017 e acima da meta de inflação para o ano, que é de 4,5%. Também serão divulgados os dados fiscais de Setembro, que deve mostrar uma melhora real de 6% nas receitas do governo.

E os mercados hoje? Com o cenário eleitoral bem delineado, somado as declarações positivas de Bolsonaro sobre os possíveis arranjos políticos, tão caros a aprovação de agendas econômicas importantes, além do recuo do prêmio do risco brasileiro (-1,1% aos 213 pontos). O dia lá fora é de menor aversão ao risco, e deve se somar ao bom noticiário doméstico. Portanto, o dia por aqui deverá ser positivo para os ativos de risco.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +0,44%, aos 84.220 pontos;
Real/Dólar: -0,33%, cotado a R$3,711;
Dólar Index: -0,19%, 95,713;
DI Jan/21: +01 pontos base, 8,520%;
S&P 500: -0,04% aos 2.768 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

B3: Empresas retomam ofertas de ações.
Impacto: Positivo.

Cesp: Votorantim Energia e CPPIB entre as grandes geradores.
Impacto: Positivo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Filho de Bolsonaro ameaça Supremo, e decano vê golpismo
– Identificação com candidato agrada e preocupa militares
– Em disputa nos estados, França é quem mais gasta
– Trump pode tirar reconhecimento legal dos trans

O Estado de São Paulo
– Bolsonaro enquadra o PSL e faz acenos a partidos do Centrão
– Candidato planeja cobrar de alunos em universidades
– Haddad diz que vai reajustar Bolsa Família e congelar gás
– Rússia critica ideia dos EUA de deixar acordo

O Globo
– Justiça reage a vídeo em que filho de Bolsonaro fala em ‘fechar STF’
– Fake news e compra de votos geram 469 inquéritos
– EUA saem de tratado contra mísseis, diz Trump
– Planos de saúde retomam médicos de família

Valor Econômico
– Bolsonaro radicaliza ataque contra Haddad na reta final
– CNI é contra a junção do MDIC com Fazenda
– TST aceita ação aberta no domicílio do trabalhador
– Tecnologia vai acabar com o cartão antes do dinheiro

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Equipe Econômica

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Victor Candido
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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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