Mercados Hoje: Reformas ainda em 2018?

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Introdução: Bolsas asiáticas apresentaram ganhos; Na Europa o dia é misto; Os futuros de S&P indicam que o dia poderá ser positivo nas Bolsas Americanas; O dólar voltou a operar próximo da sua máxima histórica; Economia da Zona do Euro volta a perder fôlego na recuperação. No Brasil, Bolsonaro diz que é a favor da aprovação parcial da reforma da previdência ainda em 2018; Bolsonaro está negociando para ter Rodrigo Maia como Presidente da Câmara; Cessão onerosa pode sair ainda essa semana e dar uma grande ajuda no front fiscal em 2019.


MERCADOS EXTERNOS: AINDA COMPLICADO.

Mercados Globais… A noite foi mais positiva para as ações asiáticas, o índice Nikkei subiu 1,45% mesmo com o dia anterior tendo sido negativo nas bolsas americanas. A única grande bolsa asiática que não teve bom desempenho foi a de Hong Kong, o índice Hang Seng recuou -0,91%. O DAX alemão opera em leve queda de 0,05% e o Stoxx 600 avança 0,08%, praticamente estáveis.

Menos combustível para o crescimento global… Com a nova escalada das tensões comerciais entre Estados unidos e China, que podem diminuir a velocidade da expansão da economia global, o preço do barril do petróleo continua a cair. O WTI está cotado a US$66,52 e já recua quase -9,19% no mês, o tipo BRENT está cotado a US$76,60 com recuo de quase -7,41% no mês.

A inflação continua lá (no centro da meta)… Ontem foi divulgado o PCE, uma das medidas de inflação americana e a preferida pelo FED para calibrar a sua política monetária. Os núcleos, isto é, uma medida que exclui os itens mais voláteis, continuam bastante próximos de 2%a.a, que é exatamente a meta que o FED implicitamente persegue para a inflação.

PIB fraco… Também no front macro foi divulgado o PIB agregado da Zona da Euro, na margem a alta foi de 0,2% no terceiro trimestre, uma desaceleração em relação ao primeiro e ao segundo trimestre quando o PIB avançou 0,4%. O avanço interanual foi de 1,7%. O número mais fraco do que o esperado suscita dúvidas sobre a trajetória da taxa de juros que o BCE pretende seguir em 2019.

Dólar na máxima… O dólar index, o DXY, está operando próximo de sua máxima, aos 96,857 pontos, um dos níveis mais elevados desde agosto. Com a robustez da economia americana, e portanto, uma taxa de juros maior por lá, além de fragilidades na Europa, os investidores correm para o dólar.


BRASIL: REFORMA AINDA EM 2018?

Reformar ainda em 2018… “Buscaremos aprovar (este ano) alguma coisa, como reforma da Previdência. Se não tudo, alguma parte, pois evitaria problemas para o futuro governo” afirmou Jair Bolsonaro ontem em entrevista. Além de reconhecer a importância de se fazer uma reforma rapidamente, o fato indica uma vitória política do guru econômico Paulo Guedes sobre outro nome importante na equipe de Bolsonaro, o Deputado Onyx Lorenzoni, que disse mais de uma vez que é contra aprovar a reforma de Temer ainda em 2018.

Compondo politicamente… Bolsonaro defendeu que o próprio partido, o PSL, não ocupe a presidência da Câmara dos Deputados na próxima legislatura. Ele, no entanto, evitou se comprometer com a defesa da recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ), que já começou as articulações para permanecer mais dois anos no posto. O fato é bastante positivo pois indica a disposição de Bolsonaro de negociar com os políticos tradicionais e pode destravar reformas importantes.

R$100 bilhões a mais no bolso em 2019? O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), disse ontem, 29, que conseguiu recolher as 54 assinaturas necessárias para colocar em regime de urgência o projeto de lei da cessão onerosa. Coelho vai levar o assunto à reunião de líderes do Senado nesta terça-feira, 30 e, caso haja entendimento, o tema poderá ser apreciado pelos parlamentares. Caso a cessão onerosa seja aprovada, a União poderia receber mais de R$100 bilhões pela sua parte do pré-sal, dinheiro que poderia trazer para próximo de zero o déficit primário de 2019 e daria um grande impulso fiscal.

IGP-M cede em Outubro… O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas de mercado de 0,91%. O número de 0,89% é uma boa notícia e indica um arrefecimento da inflação em 2019.

Menos inflação… Petrobrás anunciou queda de 10% no Diesel nas refinarias, além da redução do preço da gasolina que tem acontecido pela apreciação cambial e pela queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional. Ambas as reduções delinearam um cenário bastante positivo para a inflação de novembro que deverá vir próxima de zero na margem, um alívio bem vindo neste segundo semestre onde a inflação ficou bastante pressionada.

Taxa de desemprego veio em linha com o esperado… A PNAD-C trouxe que o desemprego está em 11,9%, é a primeira vez desde 2017 que o dado veio abaixo de 12%. Importante notar que a taxa de participação da força de trabalho (de onde é calculado a taxa de desocupados) cresceu de 61,4% para 61,8%.

E os mercados hoje? Com o cenário internacional operando de forma mista e o risco país caindo -0,09% aos 210 pontos, após o dia bastante negativo de ontem para os ativos de risco, acreditamos que hoje o dia será levemente positivo.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -2,24%, aos 83.797 pontos;
Real/Dólar: +2,14%, cotado a R$3,719;
Dólar Index: +0,23%, 96,579;
DI Jan/21: -03 pontos base, 8,220%;
S&P 500: -0,66% aos 2.641 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

Itaú Unibanco: Sólido resultado no 2º tri.
Impacto: Marginalmente Negativo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Bolsonaro quer parte da nova Previdência aprovada em 2018
– “Esse jornal se acabou”, afirma eleito sobre a Folha
– Argentina teme afastamento do governo brasileiro
– General descarta ação militar do país na Venezuela

O Estado de São Paulo
– Bolsonaro quer votar reforma da Previdência este ano
– Militares querem ter 25 cargos na transição
– Prefeitos pedem ao eleito R$ 28 bi para obras
– João Doria: “O PSDB perdeu a sintonia com a realidade”

O Globo
– Bolsonaro convida Moro para Justiça e quer votar Previdência neste ano
– Os desafios de Witzel em 5 áreas
– Déficit do governo cai, mas dívida alta preocupa
– Pós-eleição tem alta do dólar e queda da Bolsa

Valor Econômico
– Guedes propõe reduzir reservas internacionais
– Bolsonaro quer reformar Previdência já
– Efeito externo muda humor de investidor no pós-eleição
– Nexa inicia investimento de R$ 1,5 bi em Aripuanã

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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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