Mercados Hoje: Radical, ou racional?

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Introdução: Os EUA voltam à normalidade, após feriado de 4 de julho. O dia é de menor volatilidade, bolsas europeias em alta, e dólar misto frente a emergentes. Na agenda dos EUA, atenção aos dados do mercado de trabalho (relatório ADP), e à ata do Fed. A imposição de tarifas à China começa a partir de amanhã. O Reino Unido acelera, e os juros devem subir em agosto. No Brasil, o “centrão” deve decidir sobre apoio a Alckmin (PSDB) apenas no final deste mês. O próprio tucano acredita que ganhará fôlego somente nos últimos 30 dias de campanha, com eleitores passando de “radicais” a “racionais”. A pré-candidatura de Maia (DEM) chega a seu fim, sem recursos. Na Câmara, 2 aprovações são positivas, envolvendo Petrobras e Eletrobras. No front macro, é dia esvaziado.


CENÁRIO EXTERNO: EUA VOLTAM À NORMALIDADE.

O “básico” sobre os mercados… O dia é menor volatilidade (índice VIX recua mais de 7%); e os mercados americanos voltam à normalidade, pós-feriado. As bolsas na Europa sobem, e o S&P futuro, nos EUA, também opera em alta. A bolsas chinesa foi exceção, e recuou, às vésperas de taxação americana. O dólar recua frente a seus principais pares; e opera misto frente a emergentes. Os juros das Treasuries sobem (10 anos ~2,85%). As commodities operam sem direções claras: o minério de ferro caiu 1,65% na China, cotado a US$63,14/tonelada; enquanto o petróleo (brent) oscila relativamente estável, em torno de US$78/barril.

Reino Unido acelera, e juros subirão por lá? A economia segue forte. Segundo o índice PMI composto – que considera a indústria e o setor de serviços –, a economia acelerou no final deste 2º trimestre. O PMI passou de 54,5 pontos em maio para 55,2 em junho. Acima de 50 pontos, mantém sinalização de “expansão” adiante. Diante disto, analistas da Bloomberg afirmam que diminuíram as barreiras para que o BC suba os juros em agosto.

O que esperar do BC americano? Hoje à tarde será divulgada a ata da última reunião de política do Fed (dias 12 e 13 de junho). Naquele momento, os juros foram elevados de 1,50-1,75% para 1,75-2,00%, em linha com o esperado. Investidores estão atentos à influência das políticas protecionistas de Trump sobre as decisões do Fed, por exemplo. Criticado por alguns economistas, por sinalizar uma “normalização” de juros mais forte neste ano, continuará a ser importante entender a opinião dos dirigentes, que estão claramente divididos sobre os próximos passos.

Na agenda de hoje… Nos EUA, no front macro, é dia relativamente carregado. Atenção aos dados de emprego (relatório ADP, referente a junho), às 9h15. Será um balizador das expectativas para o Relatório de Empregos, que sai amanhã. Também saem hoje: (1) pedidos de auxílio desemprego (9h30); (2) índices sobre o setor de serviços (PMI, às 10h45; e ISM, às 11h); (3) estoques de petróleo bruto (12h) e (4) ata da última reunião do Fed.


BRASIL: DECISÃO DO “CENTRÃO” FICA PARA FINAL DE JULHO.

O “centrão” está com Alckmin? Em jantar com DEM, PP, PRB e Solidariedade, Alckmin (PSDB) ouviu que o apoio à sua candidatura será tomada na semana de 16 a 20 de julho. Segundo matéria do Broadcast, este grupo estaria mais inclinado pelo PDT de Ciro Gomes. Alckmin espera ganhar fôlego nos últimos 30 dias do horário eleitoral gratuito, afirma o Valor. Afinal, seria neste período que Alckmin terá mais exposição, e os eleitores terão passado da “onda de radicalismo” para a “onda de racionalidade”. Alckmin diz que já ter formado uma aliança com 4 partidos: PSD, PTB, PPS e PV – algo que lhe garante 20% do horário eleitoral.

Os próximos passos do DEM… O partido deve anunciar hoje o quanto aplicará do seu Fundo Partidário nas campanhas deste ano. Para a presidencial, nada será destinado. Ou seja: em termos práticos, a pré-candidatura ao Planalto de Rodrigo Maia (DEM) chegou ao fim. Não chega a ser uma surpresa. À frente, esperamos que o DEM apoie o PSDB, embora (i) parte do partido tenha simpatia pelo PDT de Ciro Gomes; Bolsonaro (PSL) diga que recebe o apoio de pelo menos 15 dos 43 deputados da sigla; e o próprio ACM Neto, presidente do DEM, esteja cético quanto ao potencial do tucano.

2 aprovações na Câmara… Os deputados concluíram ontem a votação do projeto que permite à Petrobras transferir a outras petroleiras até 70% de seus direitos de exploração de petróleo nas áreas do pré-sal concedidas pela cessão onerosa (PL 8939/17). Agora, o texto segue para o Senado. Além disso, também foi aprovado em plenário, por 203 votos a 123, o texto-base do projeto que viabiliza a privatização de 6 distribuidoras de energia controladas pela Eletrobras. Os destaques serão analisados na próxima semana.

Produção Industrial recua em maio… A produção industrial de maio recuou 10,3% frente a abril, após +0,8% de abril. Assim, o resultado foi ligeiramente “melhor” do que esperado pelo mercado (-13,2%). A queda, por outro lado, foi bastante generalizada (24 dos 26 ramos industriais recuaram). Na comparação interanual (com maio de 2017), a produção recuou 6,6%. O mercado esperava queda de 9,6%. Desta forma, interrompeu a sequência de 12 meses consecutivos de taxas positivas. Os impactos negativos já eram esperados…

Sobre as commodities… Impulsionadas pelo dólar, ainda em elevação, o Índice de Commodities (IC-Br), calculado pelo BC, subiu 3,1% m/m em junho, após avançar 9,1% em maio. Com isto, acumulou alta de 17,1% nos últimos 3 meses (período em que o Real se depreciou 15%). No ano, a alta acumulada do IC-Br é de 16,7%.

Agenda de hoje… No front macro, dados da Anfavea (11h20), referentes à produção de veículos de junho. Pela manhã (9h), Ilan Goldfajn, do BC, concede entrevista à jornalista Miriam Leitão, da GloboNews. No front político, Bolsonaro (PSL) estará na RedeTV!, em SP, para gravar programa comandado por Mariana Godoy, que vai ao ar amanhã (6ª, dia 6), às 23h.

E os mercados hoje? O viés para os ativos locais segue sendo ligeiramente mais positivo, com alta em bolsa e queda dos DIs. Aliás, o Ibovespa tende a ser beneficiado pelas decisões da Câmara. O dólar opera misto frente a emergentes no exterior, e a direção para o Real nos parece menos direcional neste momento.

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: +1,46%, aos 74.743 pontos;
Real/Dólar: +0,42%, cotado a 3,913;
Dólar Index: -0,06%, 94,531;
DI Jan/21: 0 pontos base; 9,32%;
S&P 500: -0,49% aos 2.713 Mil pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Embraer: Cia celebra contrato com a Boeing
Impacto: Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Vacinação infantil está abaixo da meta em 1/4 das cidades
– Produção da indústria em maio é a pior desde 2008
– Presidente da GE é preso em operação da PF contra fraude na saúde no Rio
– Brasileiro precisará de autorização apra entrar na Europa

O Estado de São Paulo
– Candidatos falam em controle do câmbio e em corte de impostos
– Cem empresas acionam bancos por “cartel do câmbio”
– Negociação com a Boeing está avançada, diz Embraer
– País tem 1,9 mil casos suspeitos de sarampo

O Globo
– Cartel internacional da saúde é alvo da Lava-Jato
– Parceria vai concluir refinaria no Comperj
– Indústria tem pior queda em dez anos
– Brasil vacina pouco contra sarampo

Valor Econômico
– TCU deve aprovar venda de golden share
– CNPC entra em Marlin e no Comperj
– Alckmin crê em “arrancada fulminante”
– Embraer é tricampeã em inovação

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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