Introdução: Bolsas chinesas recuam com o reflexo do desempenho negativo de ontem dos mercados e dados mais fracos do varejo. Nos EUA, futuro do S&P inicia o dia em baixa, após forte queda do petróleo. Na Europa, o acordo do Brexit pode ser levado ao parlamento ainda esse mês; e Italianos desafiam Comissão Europeia na questão orçamentária. O preço do petróleo (brent) tenta se estabilizar após queda de 6,6% desta terça-feira, ficando próximo de US$ 66/barril. No Brasil, Bolsonaro irá conversar com Eunício e Maia ainda hoje, tentando melhorar a interlocução com o congresso atual. Roberto Campos Neto ganha força como possível próximo presidente do BC. No front político, indicação de Bolsonaro ao Ministério da Defesa mostra sinalização de harmonia aos três poderes; e o DEM deve trocar o apoio ao novo governo pelo apoio a Rodrigo Maia na eleição da presidência da Câmara.


CENÁRIO EXTERNO: QUEDA LIVRE

Mercados Globais… As bolsas chinesas tiveram sessões negativa, com Hong Kong recuando 0,54% e Shangai caindo 0,86%, após vendas no varejo apresentarem menor avanço em 5 meses. Na Europa, o dia já opera em terreno negativo, com o Stoxx 600 variando -0,77%. Destaque negativo para o FTSE MIB Italiano, que já recua 1,27% até o momento. Nos Estados Unidos o futuro do S&P 500 também esboça um dia de baixa, com variação de -0,35%.

Despencou… Na frente das commodities os preços operam em terreno mais positivo, destaque para o petróleo (brent) que recupera o fôlego e se estabiliza após queda de -6,6% na última sessão.

Queda livre… O preço do petróleo (brent) se estabilizou por volta dos US$ 66/barril na manhã desta quarta-feira, após cair 6,6% no dia de ontem. A mudança das expectativas no que tange o nível da oferta da commodity, frente a uma expectativa de desaceleração da demanda mundial, se mostraram não ser compatíveis com o preço de US$ 86/barril que o barril alcançou em outubro.

Quase lá… Após chegar a um acordo preliminar pelo Brexit com a Comissão Europeia, a Primeira Ministra Britânica Theresa May tem o desafio de conquistar o apoio do seu gabinete, que segue dividido em alguns pontos sobre a polêmica saída do Reino Unido da União Europeia. Caso consiga o aval político de seus Ministros, os termos acordados poderão seguir para o Parlamento ainda em Novembro. O reflexo foi positivo para a libra esterlina e para o Euro, que fecharam em alta na sessão de ontem.

É o que é… A Itália confirmou na noite de ontem a sua intenção de manter sua meta de déficit orçamentário em 2,4% do PIB para 2019, desafiando a UE. Esse movimento pode provocar sanções econômicas ao país por parte do bloco econômico, que prevê multas de até 0,2% do PIB Italiano. Este confronto gera cautela por parte dos mercados e o yield dos títulos da dívida italianos sofrem pressão altista, atingindo seu maior patamar em 5 anos.

Agenda… Lá fora, o dia é agitado em termos de agenda “macro”. Nos Estados Unidos teremos a divulgação do CPI, que mede a inflação ao consumidor, e que deve ajudar nas projeções sobre as próximas decisões do Fed. Na Europa, a revisão do PIB do 3º trim, além dos dados de produção industrial de setembro, são os destaques.


BRASIL: UMA CONVERSA EFICAZ

Uma conversa eficaz… Antes resistente à votação da reforma da Previdência, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), sinalizou nesta terça-feira, 13, que há brechas para que a proposta ande no Congresso ainda neste ano. A mudança de postura foi demonstrada logo após o senador ter recebido na residência oficial do Senado o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. Independente do teor da conversa, fato é que ela foi bastante eficaz para o novo governo.

Ainda em Brasília… Bolsonaro não retornou ontem ao Rio de Janeiro e permaneceu em Brasília. Hoje o Presidente eleito tem uma agenda carregada.

Mais conversas com Eunício… Na parte da tarde, Bolsonaro irá conversar com Eunício, o primeiro encontro de ambos após as pautas bombas. Pela manhã o encontro será com Rodrigo Maia. O governo vai aos poucos tentando se entender com o atual congresso.

Uma escolha agradável (e para agradar)… O presidente eleito, Jair Bolsonaro, ensaiou mais movimentos estratégicos para começar bem a sua gestão. A escolha do general Fernando Azevedo e Silva para o Ministério da Defesa foi uma decisão cirúrgica em acenar ao Supremo Tribunal Federal (STF) o desejo de zelar pela democracia e pela Constituição, assim como as visitas que tem feito a tribunais em Brasília. O futuro chefe das Forças Armadas foi assessor por dois meses do presidente da Suprema Corte, ministro Dias Toffoli, e tem boa convivência com outros magistrados.

Ilan deve mudar de emprego mesmo… O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, tem feito elogios a um dos principais pretendentes à cadeira: o economista Roberto Campos Neto, diretor do banco Santander. Nos bastidores, Guedes tem repetido que é um economista excelente, mas sem informar qual será sua colocação no novo governo. Campos Neto se reuniu ontem pela segunda vez com integrantes da equipe de transição no CCBB em Brasília Fato é, que os sinais dados pela equipe de Guedes indicam que Ilan Goldfajn não deve continuar no cargo.

Toma lá dá cá… O DEM vai condicionar a adesão ao governo de Jair Bolsonaro (PSL) ao apoio do Palácio do Planalto à recondução de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara ou ao menos à neutralidade da equipe do PSL nessa disputa. A eleição que renovará o comando do Congresso está marcada para 1º de janeiro de 2019, e Maia já recebeu sinais de que Bolsonaro não quer avalizar um novo mandato para ele.

Outro que pode ficar… Wilson Ferreira Jr., atual Presidente da Eletrobrás, disse ontem ter interesse em permanecer no cargo, caso seja convidado pelo governo Bolsonaro e mantido o plano de privatização da companhia.

Vendas no varejo abaixo do esperado… Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, as vendas do varejo restrito tiveram queda de 1,3% na margem em setembro na série com ajuste sazonal. Em relação ao mesmo mês de 2017, houve aumento de 0,1% das vendas. No conceito ampliado (que leva em consideração veículos, e material de construção), houve recuo ainda maior, de 1,5% na margem . Em relação a setembro de 2017, houve crescimento de 2,2%.

Varejo lento, economia lenta… Com isso, os dados de setembro sinalizam uma correção após o excelente desempenho de agosto, influenciado largamente por um choque de renda transitório. De forma geral, o comércio sinaliza recuperação lenta e dependente tanto de sinais mais claros de retomada do mercado de trabalho, como de melhora da confiança dos consumidores.

Agenda… No Brasil o destaque fica com a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. O mercado tem na sua mediana das expectativas um avanço de 1,2% na margem. O indicador é relevante, pois mais de 60% do PIB brasileiro advém do setor de serviços.

E os mercados hoje? O dia deve ser mais neutro para os ativos brasileiros de risco. Com sinalizações mais positivas emanando do campo político. O mercados globais operam em terreno levemente negativo, o que pode significar mais um dia de pressões externas sobre os ativos de risco locais. O CDS brasileiro opera próximo da estabilidade aos 205 pontos.

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,71%, aos 84.914 pontos;
Real/Dólar: +1,17%, cotado a R$3,809;
Dólar Index: -0,25%, 97,303;
DI Jan/21: +00 pontos base, 8,140%;
S&P 500: -0,15% aos 2.722 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 27/09.


EMPRESAS:

JBS: Números do 3º tri.
Impacto: Marginalmente Positivo.

Victor Candido – Economista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Segurança Pública se torna questão militar em Estados
– Planilha sugere que Onyx teve R$ 100 mil a mais de caixa 2
– Execução de ações de poupadores é suspensa
– Bolsonaro recua e diz que Trabalho não será extinto

O Estado de São Paulo
– Novo ministro, general diz que militares estão fora da política
– Octavio de Lazari Junior: “A agenda de reformas já não é de uma só pessoa”
– Estados fecharam 2017 com rombo de R$ 20 bi
– Bolsonaro quer cortar 30% dos cargos em bancos federais

O Globo
– Gasto coim pessoal excede o limite em 14 Estados
– Com Defesa, primeiro escalão já tem três generais
– Eletrobras perde R$ 1,6 bi, mas mantém benefícios
– Witzel anuncia sócio para a equipe, que só tem homens

Valor Econômico
– Incertezas e fraqueza de sócia retardam venda da Braskem
– Vice confirma intenção de privatizar BR
– Petróleo cai para US$ 55 e afeta o real
– Ferreira busca permanecer na Eletrobras

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Equipe Econômica

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Rafael Gad
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Victor Candido
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Victor Cândido Victor Cândido

Economista

Mestrando em economia pela Universidade de Brasília - UnB. Já trabalhou no mercado financeiro na área de pesquisa e operações. Foi pesquisador do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas. É formado em economia pela Universidade Federal de Viçosa.

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