Mercados Hoje: que vença o melhor

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Introdução: Começa hoje a Copa do Mundo. A abertura será às 11h30, horário de Brasília. Antes disso (a partir das 9h30), investidores estarão atentos à coletiva de Mario Draghi, o presidente do BC europeu. Suas sinalizações serão importantes. O mercado ainda digere alta de juros do Fed (ontem), e sinalização de mais 2 altas em 2018. Hoje, o dólar recua, e os juros de 10 anos oscilam pouco abaixo de 3,00%. No Brasil, o setor de serviços veio acima do esperado em abril. Mas o ritmo de atividade desacelerará em maio, é claro. Hoje, Câmara e Senado não votam nada em plenário. Pedro Parente deve ser nomeado o novo CEO da BRF. No campo político, o período da Copa tende a manter tendências recentes das pesquisas, e esfriar o clima em Brasília. Continuaremos falando de possíveis alianças entre os partidos, porém, sem muitas definições.


CENÁRIO EXTERNO: ATENÇÕES A MARIO DRAGHI.

O “básico” sobre os mercados… As bolsas da Europa operam no vermelho, após sessão negativa na Ásia. O índice Nikkei, do Japão, recuou 0,99%. Nos EUA, S&P futuro opera estável. O dólar recua frente a seus principais pares (euro e libra se valorizam!), enquanto a maioria das commodities apresenta viés mais negativo. O brent oscila na casa dos US$76/barril. O minério de ferro subiu 2,19% na China, cotado a 68,49/tonelada. Os juros das Treasuries recuam (10 anos ~2,97%). Na Europa, os juros soberanos de 10 anos operam em alta hoje, à espera das sinalizações de Mario Draghi.

Sobre as decisões do Fed… O BC dos EUA elevou os juros de 1,50-1,75% a 1,75-2,00% ao ano, em linha com o esperado pelo mercado. Num início, o mercado reagiu com dólar e juros das Treasuries em alta. Aliás, os juros de 10 anos, que oscilavam ao redor de 2,95%, chegaram a superar a marca de 3% de forma rápida. Neste, e também nos mercados de câmbio e bolsa, as reações iniciais foram atenuadas até o fim da sessão. Jay Powell, o presidente do Fed, conseguiu tranquilizar os investidores. Mas vale reparar: Powell falou que a partir de 2019 haverá coletiva de imprensa após toda reunião (e não em metade das reuniões) – algo que, ao contrário de hoje, lhe dará maior liberdade de ação, e poder de explicação.

Mais sobre o Fed: projeções… Para 2018, o Fed ainda prevê 2 elevações de juros adicionais. Assim, os juros devem terminar em 2,25-2,50%. Isto é importante: até o dia 20 de março (últimas projeções), o Fed previa, ao todo, 3 altas no ano. Para 2019, espera 3 elevações; para 2020, mais 1. No “longo prazo”, o Fed prevê uma taxa de juros de 2,75-3,00%. Para 2018, o Fed agora prevê um crescimento do PIB de 2,8%; uma taxa de desemprego de 3,6% e uma inflação, medida pelo índice PCE, de 2,1%. Vale a comparação: em março, o Fed previa 2,7%, 3,8% e 1,9%, respectivamente.

China: atividade desacelera… As vendas no varejo cresceram 8,5% a/a em maio, após 9,4% de abril, e abaixo dos 9,6% esperados. A produção industrial cresceu 6,8%, após 7,0% de abril, e marginalmente abaixo da projeção de manutenção do ritmo. Os números fazem preço em commodities, mas não parecem aumentar a aversão a risco no cenário internacional.

Na agenda de hoje… O destaque é a reunião de política monetária da Europa, que manteve as taxas de juros inalteradas por lá. Na sequência (9h30), será importante acompanhar as sinalizações do presidente Mario Draghi, que tem coletiva. Importante: espera-se que Draghi sinalize o fim do chamado “QE”, possivelmente até o final deste ano. Nos EUA, saem as vendas no varejo de maio (9h30); os pedidos de auxílio desemprego (9h30); e os estoques empresariais (11h).


BRASIL: SERVIÇOS FORTES EM ABRIL.

Com Copa, sem votações, e sem mudanças? O início da competição não é algo trivial. Hoje, Câmara e Senado não votam nada em plenário, por exemplo. O clima em Brasília, neste período (até dia 15 de julho), tende a esfriar. Já dissemos isto, mas vale reforçar: parece-nos difícil ver mudanças significativas nas pesquisas eleitorais neste período. O mais provável é que os “extremos” continuem a mostrar forças, e possam, com o tempo, cristalizar os seus votos. Isto já acontece para Bolsonaro (PSL), segundo a última pesquisa DataPoder360: 77% dos seus eleitores disseram que votarão, com certeza, no candidato. Os votos nos demais pré-candidatos são menos “fiés”.

Sobre Bolsonaro… A metade do plano de governo já estaria concluída. O texto será lançado no final de julho, segundo a newsletter DRIVE. Mais: tem o apoio de 76 deputados, e pretende chegar a 100, até o final de junho. Tentando melhorar a sua imagem no Nordeste, o pré-candidato pelo PSL aproveitará as festas de São João. Hoje vai à Paraíba. Na semana que vem, vai a Pernambuco.

Sobre as vendas no varejo… As vendas (no conceito restrito) surpreenderam positivamente em abril. Frente a março, cresceram 1,0%, acima dos 0,6% esperados. O número anterior foi revisado para cima, de 0,3% para 1,1%. Frente a abril de 2017, as vendas subiram 0,6%, contra expectativa de queda de 0,5%. Considerando o varejo no conceito ampliado – que incorpora veículos e materiais de construções –, o varejo avançou 1,3% em abril frente a março, após 1,1%; e cresceu 8,7% frente a abril de 2016, após 8,8% em março.

Atividade de maio será fraca… Apesar dos bons dados de atividade em abril, os números de maio devem ser fracos, em reflexo às paralizações dos caminhoneiros. À frente, a piora da confiança pode deteriorar o crescimento esperado da atividade. No atual momento, o varejo restrito, com base nos dados disponíveis, deve recuar 4,0% frente a abril, e 0,6% frente a maio de 2017.

Agenda de hoje… No front macro, destaque para a Pesquisa Mensal de Serviços de abril: o volume cresceu 2,2% a/a, após -0,8% e acima dos +1,4% esperados. Às 10h, sairá o Relatório Prisma Fiscal. O mercado seguirá atento às atuações do BC, após 3 leilões de ontem, que evitaram elevação maior da moeda. Só ontem, o BC vendeu 90 mil contratos de swaps. Hoje, a princípio, o BC ofertará 8,8 mil contratos de swap cambial em rolagem regular de contratos de julho. No front político, vale registrar: Temer terá reunião com Guardia (Fazenda) e Ilan (BC), às 15h, no Palácio do Planalto.

Do lado corporativo… O plenário da Câmara aprovou na noite de ontem – por 281 a favor, 109 contra, 1 abstenção e 1 obstrução -, o regime de urgência para o Projeto de Lei que permite à Petrobras vender até 70% dos campos do pré-sal concedidos a ela por meio do regime de cessão onerosa. A votação do requerimento de urgência para o projeto de lei que destrava a privatização das distribuidoras da Eletrobras ficou para a próxima semana, assim como o cadastro positivo. Além disso, Pedro Parente, ex-Petrobras, pode ser anunciado o novo CEO da BRF hoje, segundo o Valor.

E os mercados hoje? A percepção de risco país, medida pelo CDS de 5 anos, recua mais de 1% nesta manhã. A sessão começa com um viés de baixa nos mercados de câmbio e juros, mas é difícil acreditar que estas são tendências a partir daqui. Nos últimos dias, diante de atuação do BC no mercado de câmbio, o dólar recuou, mas o CDS continua com viés altista, vale dizer. Assim, seguimos mais céticos e cautelosos. Em bolsa, dado o quadro no exterior, o viés segue sendo mais negativo.

 

Ignacio Crespo – Economista

Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: -0,87%, aos 72.122 pontos;
Real/Dólar: : +0,04%, cotado a R$3,722;
Dólar Index: -0,29%, 93,544;
DI Jan/21: +19 pontos base, 9,940%;
S&P 500: -0,40% aos 2.776 pontos.

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg. *valores referentes à sessão do dia 31/05.


EMPRESAS:

Cesp: Governo de São Paulo deve decidir hoje a privatização da Cesp
Impacto: Marginalmente Positivo.

Luis Gustavo Pereira – Estrategista


Jornais:

Folha de São Paulo
– Copa começa equilibrada em campo
– Impopularidade de Temer se deve principalmente à economia
– Diretor da ANP critica política de preço da Petrobras
– Banco Central dos EUA eleva juros e sinaliza novas altas

O Estado de São Paulo
– Vai pegar?
– Como a alta dos juros nos Estados Unidos pressional o Brasil
– PF vê indício de R$ 105 mi em propina para Cunha e Geddel
– Juiz limita em 5,72% reajuste de plano de saúde individual

O Globo
– Justiça limita a 5,72% alta do plano de saúde individual
– PF reforça acusação contra Temer
– Roubos e homicídios têm queda em maio
– Governo libera R$ 39 bi do PIS

Valor Econômico
– Indicação de alta maior do juro nos EUA pressiona real
– Petroleiras põem R$ 21 bi em 9 meses
– Fux dá 48h para Temer explicar MP
– “A questão dominantes é política”

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Ignacio Crespo Ignacio Crespo

Economista

Mestre em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EPGE), e graduado em Ciências Econômicas pelo INSPER. Foi professor assistente do Mestrado Profissional em Economia do INSPER, ministrando aulas sobre Macroeconomia e Política Monetária. De 2013 até agosto de 2018 atuou como economista-chefe da Guide Investimentos. Desde então, atua como consultor externo da Guide.

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